terça-feira, 15 de abril de 2008

Epidemia de dengue ainda não está sob controle no Rio, diz secretário de Saúde


14 de Abril de 2008 - 19h34 - Última modificação em 14 de Abril de 2008 - 21h14
Da Agência Brasil
Fabíola Ortiz


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Rio de Janeiro - O secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes, reconheceu hoje (14) que a epidemia de dengue no Rio de Janeiro ainda não está sob controle e que os hospitais da rede pública têm recebido grande número de pacientes com a doença.

Hoje à tarde, mais um centro de hidratação contra a dengue foi inaugurado. O local escolhido foi o Hospital Estadual Albert Schweitzer em Realengo, na zona oeste da cidade. "Ainda temos um número de casos elevados, mas estamos conseguindo uma melhor organização das emergências. A estratégia dos centros de hidratação vem dando certo”, afirmou o secretário.

Côrtes disse que a epidemia ainda está no auge e que não se pode comemorar nenhuma diminuição do número de casos, mas ressaltou que os centros de hidratação têm conseguido diminuir a letalidade. “Não tivemos nenhum óbito de pacientes que tenham passado pelos centros de hidratação desde que nós os implantamos."

Segundo o secretário, a estratégia (de combate à dengue) tem sido correta. “Tanto que nós vamos ampliar os centros de hidratação, principalmente para a Baixada Fluminense. O risco de epidemia para o ano que vem existe. A dengue não está sob controle. Acho que avançamos muito, melhoramos, mas ainda temos filas com tempo de espera."

O secretário disse, no entanto, que os pacientes com suspeita da doença terão atendimento preferencial nos centros de hidratação, que vão contar com um clínico-geral e um pediatra durante 24 horas.

A dona de casa Angélica Silva de Souza, de 28 anos, que diariamente leva a filha de um ano e meio ao Hospital Albert Schweitzer para tratamento de dengue, foi ao centro de hidratação no primeiro dia de funcionamento. Ela disse que, apesar da demora no atendimento, os médicos foram atenciosos. Angélica esperou mais de quatro horas para que a filha fosse atendida, mas acredita que o centro de hidratação vai ajudar no tratamento.

“Esperei horas pelo resultado do exame de sangue da minha filha e só depois é que ela foi atendida. Ela está com manchas e dor no corpo e já teve febre e vômito. Eu estou preocupada, o atendimento está sendo demorado, mas os médicos estão tratando muito bem da minha filha. Agora é bem melhor, antes era cheio. Se tiver de voltar aqui, eu volto – eu só quero que ela fique boa."

A nova unidade no Albert Schweitzer é capaz de receber 30 pessoas com sintomas da dengue, que são encaminhadas pelo próprio hospital, pelas unidades de pronto-atendimento 24 horas ou por outros hospitais da região.

Segundo a Secretaria estadual de Saúde, os centros de hidratação têm capacidade para realizar 3.500 exames ambulatoriais por dia. A secretaria prevê a abertura de novos centros de hidratação nos municípios de Mesquita e São João de Meriti, e também a criação de uma central de hidratação para atender a Baixada Fluminense.

No estado do Rio de Janeiro já foram notificados mais de 75 mil casos de dengue, a maioria na capital.

domingo, 13 de abril de 2008

Jornalismo de Políticas Públicas Sociais, NETCCON.ECO.UFRJ:

Mãe Beata, Conceição Evaristo, Adailton Moreira e Evandro Ouriques defendem as lições africanas como um legado de não-violência para o Brasil

Negar os valores africanos é desqualificar a visão do mundo cultural e religioso, isso é negar o nosso direito de reivindicação a tudo o que nos foi tirado e espoliado ao longo da história do povo negro”, considerou Mãe Beata de Iemanjá -liderança religiosa e social, e importante escritora afro-descendente, de renome internacional, na segunda-feira passada, dia 7 de abril, na palestra sobre Lições Africanas para a Igualdade na Diversidade Humana: a questão da não-violência, no auditório da Central de Produção Multimídia na Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro –CPM/UFRJ.

Esta foi a participação do Núcleo de Estudos Transdisciplinares de Comunicação e Consciência-NETCCON da UFRJ, na Semana Martin Luther King, promovida pela Associação Palas Athena, de São Paulo, com o apoio da UNESCO, e a quinta palestra do curso de extensão sobre Jornalismo de Políticas Públicas Sociais, uma realização do NETCCON em parceria com a Agência de Notícias dos Direitos da Infância-ANDI.

“Muitos falam de que o negro, por ser em maioria durante a escravidão, poderia ter se rebelado. Mas, por exemplo, a ginga é uma componente nova e muito importante da estratégia de resistência, como mostram diversos autores, entre eles Muniz Sodré, e que nos permitiu estar aqui hoje, falando e sendo escutados cada vez mais”, afirmou Conceição Evaristo, escritora afro-brasileira de renome internacional.

O negro no Brasil

Será que o povo negro só trouxe mazelas para o Brasil? - questionou Mãe Beata. “Hoje estou aqui, uma mulher negra nordestina, semi-analfabeta e não tenho medo de reivindicar os direitos que são meus e de meu povo. Creio que deve haver uma maior consciência e respeito no país que muito me orgulho de pertencer. Nós não precisamos ficar calados, sinto-me livre para gritar na hora necessária”.

Nascida em 20 de janeiro de 1931, em Cachoeira do Paraguaçu no Recôncavo Baiano, filha de Exu e Yemanjá, Beatriz Moreira Costa, Mãe Beata, atua há pelo menos vinte anos, a partir de seu Terreiro Ilê Omi Oju Arô, em Miguel Couto, Nova Iguaçu/RJ, em frentes sociais e ações afirmativas, em movimentos negros e de diálogo inter-religioso, pelos direitos humanos, contra a discriminação e a intolerância religiosa, a favor da cultura e da paz, pelo direito à educação e à saúde da população negra. Como líder religiosa, Mãe Beata participa ativamente em discussões sobre questões raciais, sociais e políticas, tendo maior atuação nas questões de gênero, com enfoque principal na mulher negra.

“Agradeço aos Orixás, e a minha Mãe Iemanjá, Olorum e Oxum para continuar lutando contra as desigualdades, o desmatamento das florestas e a poluição dos rios. Sem os elementos da natureza não há deuses africanos e não há vida”, finalizou Mãe Beata.

Mãe Beata, guardiã de uma arte oralizada

Sobre Mãe Beata, a escritora e ensaísta mineira, Conceição Evaristo -radicada no Rio de Janeiro desde os anos 70, também representante da cultura afro- considera que Beata é Mãe em todos os sentidos, “aquela que acolhe, que educa, que ensina.Temos que pensar as lições africanas que Mãe Beata pode nos oferecer”.

Conceição Evaristo cita o filósofo alemão Walter Benjamin que lamenta a morte do narrador, pois de acordo com este pensador, a arte de narrar perdeu o espaço, e houve uma perda da capacidade de transmitir essa experiência, a voz da sabedoria. Mas segundo Conceição, nas sociedades tradicionais marcadas pelas matrizes africanas a morte do narrador ainda não aconteceu, “o narrador se presentifica no cotidiano”.

E sobre Mãe Beata, a ensaísta afirma que “ela encarna aquele narrador que Benjamin supunha morto, e encarna a voz de um sujeito mulher negra narradora, a face do eu-narradora com vida, história e experiência. Mãe Beata traduz a voz em letra, ela é guardiã de uma arte oralizada. Ela reconhece o valor da escrita no interior da sociedade letrada”. Em suas narrativas, a líder religiosa e escritora apresenta a simbologia negra africana, a hibridez cultural, evoca elementos das etnias africanas, dados do imaginário português e do resto da Europa, além de influências indígenas.

Para Conceição, Beata transita no universo da oralidade e da escrita. “No texto oral, o ato de criação é anônimo e coletivo, é uma afirmação da memória coletiva e o ato de contar ganha esse aspecto coletivo”. Evaristo destaca um passado em que as mulheres não eram reconhecidas como autoras e, Mãe Beata, de acordo com Conceição, inaugura a voz da Mãe de Santo, a voz da experiência que é o sujeito de sua própria escrita”.

Igualdade na diversidade humana

“Quando falamos em igualdade na diversidade humana e no resgate à cultura africana, não queremos dizer o retorno a uma África mítica, mas trata-se de reconhecermos as sociedades indígenas e modos de vida que se caracterizam por uma aniquilação de nós próprios e do outro”, defendeu Conceição Evaristo. E ainda acrescentou que é preciso ter um olhar atento para a herança da africanidade impregnada na sociedade brasileira, “a idéia de brasilidade traz em si as lições de povos africanos”.

Para ela, as africanidades redesenham o projeto de país que apesar da presença forte da herança africana, o discurso acadêmico e o político deixou de lado muito tempo. “Não há como negar a importância dos africanos e descendentes na construção deste país”. Este olhar para o passado histórico e para o regime de opressão requer algum tipo de resposta, e de acordo com Conceição, não há o objetivo de responder com ódio, mas com ternura e com atitudes para reconstruir a nossa humanidade. “Cria-se um mito de que no Brasil houve uma escravidão benevolente, mas no entanto, os africanos é que responderam com ternura a esta violência”.

A escritora e descendente afro destaca que a história africana tem uma função pedagógica. “Sua produção escrita surge na dinâmica cultural de um povo que existe na dinâmica do saber. Beata representa a luta pelo direito à fala e à vida, ela é fonte de transmissão de um imaginário na realidade brasileira, e tem a preocupação em deixar para as gerações futuras um legado. A escrita de Beata está no campo da literatura em que as mulheres negras têm pouquíssima visibilidade”.

Conceição acredita que a literatura fornece uma compreensão de mundo, e que isto, por si só, é um ato subversivo “se pensarmos que a escrita brasileira está confinada a uma camada social com alto poder aquisitivo”.

Para Adailton Moreira Costa, coordenador do Instituto de Desenvolvimento Cultural do Terreiro Ilê Omi Oju Arô, e filho de Mãe Beata, “a condição de escravidão existe até hoje na sociedade brasileira. Nós vivemos numa sociedade patriarcal e machista em que o gênero feminino tem um papel secundário. A mulher na cultura africana representa a manutenção de costumes, o papel fundamental de mantenedora dos valores, elas têm grande importância na construção de uma identidade. É a mãe que cuida da prole, socialmente falando, que luta por direitos e por política de ações afirmativas”.

Adailton estuda Ciências Sociais na PUC-Rio, pesquisa cultura negra e coordena o Instituto de Desenvolvimento Cultural -INDEC. Adailton acredita que é possível levar um novo olhar no que se refere às diversidades e especificidades da cultura a população brasileira, enfocando a população negra – “é a questão da representação, como é que podemos falar por nós mesmos e não através de outros”.

Para o Prof. Dr. Evandro Vieira Ouriques, coordenador do Núcleo de Estudos Transdisciplinares de Comunicação e Consciência-NETCCON/ECO/UFRJ, a matriz africana dá lições preciosas de não violência, exatamente por ser uma oposta a “da Filosofia Ocidental de entender que o homem se constitui na ruptura do continuum da natureza, e por isto o pensamento ocidental entende o homem como diferente da natureza. Não é à toa que mais de 2000 anos depois vivemos a presente e crescente crise socioambiental, na qual excluímos a natureza de nossa linguagem (e consequententemente de nosso projeto econômico-político) e excluímos assim nossos semelhantes, nossos irmãos e irmãs de um projeto de Sociedade que pode ser fundado na generosidade que é termos responsabilidade solidária uns com os outros”.

Neste ponto, o coordenador do NETCCON lembrou o exemplo da tribo Dagara, que vive na África Ocidental: “Entre eles quando um casal casa toda a tribo casa junto. Quando o casal tem então problemas toda a tribo acorre para ajudar. Entre nós quando casamos todo mundo vai para a boca livre, quando se tem problemas ninguém aparece até porque a vida de um casal é entendida dualisticamente como vida privada a respeito da qual ninguém tem nada a ver pois trata-se da liberdade individual...”.

“Ora”, prossegue Evandro, “esta é mais uma lição africana para o vigor da não-violência: como é possível mantermos a teoria social divorcidada da teoria sobre a economia psíquica? Se queremos prevenir e superar a violência precisamos fortificar uma economia psíquica da comunicação e da cultura, uma vez que estas são onipresentes em nossa sociedade, quando a distinção binária clássica entre Espírito e Negócios está dissolvendo-se face ao fenômeno crescente da culturalização da economia, ou seja dos negócios sendo organizados ao redor de valores que estruturam mundos nos quais as pessoas ficam aditas”.

O diálogo

Dessa forma Evandro Vieira Ouriques, que articulou esta mesa, assinala que honrar o princípio do diálogo e o respeito à diversidade para a superação do dualismo é fundamental: “Nós temos medo da união, medo de encontrarmos valores comuns que nos unam, pois temos a lembrança traumática de todas as grandes narrativas do mundo, como os da religião e do comunismo por exemplo, que acabaram por nos prender. Mas se caminharmos de maneira não-dualista, entendendo que não-violência nada tem de passividade, muito pelo contrário, aí estão os exemplos de Gandhi, de Martin Luther King, de Mãe Beata, dos negros em nosso país, isto é, não somos apenas diversos mas também iguais, no sentido de sermos semelhantes em muitas instâncias podemos construir hoje um mundo novo”.

Ainda de acordo com o pesquisador Evandro Ouriques, é preciso “superar o estado de prisão, desilusão, de iminência de colapso psicótico do qual a sociedade se defende pela adição à pseudo-comunidades e hábitos fechados (drogas, consumos, discriminação, ambição desenfreada), nós perdemos o contato com a Vida e com sua abertura para que a co-criemos. Entender que somos uma ruptura no continuum do que chamamos de natureza é uma opção extremamente grave que traz as nefastas conseqüências que estamos vivendo”.

Por fim, Evandro Vieira Ouriques questiona: “que civilização é essa que massacra o seu berço, que massacra a África de onde viemos, que massacra a antiga Mesopotâmia, onde criamos nossas primeiras cidades? Que autoridade tem esta civilização em querer impedir que a re-pensemos de maneira sistêmica, alterando os seus princípios filosóficos mais profundos, entre eles o dualismo? Afinal como sermos irmãos e irmãs, termos o vigor das políticas públicas, da responsabilidade socioambiental se não estamos atentos aos nossos sofrimentos e aos sofrimentos nossos irmãos? E porque pensaríamos nos outros senão pela generosidade que é a empatia que nos faz sentir o sofrimento deles, que assim passam a ser carne de nossa própria carne?”.

* Mãe Beata já participou em pelo menos vinte encontros, seminários e conferências sobre cultura Afro-brasileira, religiosidade, direitos humanos, educação e igualdade racial. Sua mais recente participação foi em 2005 no Congresso Internacional de Tradição e Cultura Iorubá, realizado na Universidade Estadual do Rio de Janeiro-UERJ, além de integrar o Conselho Estadual dos Direitos da Mulher no Rio de Janeiro.

Em 2000, a Fundação da Comunidade de Terreiro Ilê Omi Ojú Arô -Casa das Águas dos Olhos de Oxossi- comunidade na qual Beata é sacerdotisa suprema no bairro de Miguel Couto em Nova Iguaçu, comemorou quinze anos de atividades sócio-culturais e com a realização de oficinas de candomblé para não iniciados, universidades, escolas públicas, eventos culturais e turísticos. Ao longo de sua história de militância, Mãe Beata já recebeu moção honrosa de Resistência da Cultura, Religião, Cidadania e Dignidade da população Afro-brasileira da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro em 1991, além de ter sido Personalidade de Destaque da Comunidade Negra no mesmo ano, e em maio de 2005, a Medalha de Mérito Cívico Afro-brasileiro pela Universidade da Cidadania Zumbi dos Palmares, em São Paulo.

Em sua Comunidade de Terreiro, já sediou muitos encontros sobre Tradição dos Orixás e Religiões Afro-brasileiras (1989), além de participar em projetos sociais como o Ação e Viver que promoveu fóruns de debates sobre cidadania, e no Projeto Comunidade Solidária capacitando profissionalmente jovens carentes da Baixada Fluminense (1999). Desde 2002, Mãe Beata estabelece parcerias com a Ong Criola, que desenvolve projetos para mulheres negras, e com o Projeto Ató Ire de Saúde dos Terreiros, além de outros movimentos voltados para jovens como o Projeto Acelera Jovem em parceria com o Viva-Rio (2004).

* Conceição Evaristo é Mestre em Literatura Brasileira pela PUC-Rio, e doutoranda em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense-UFF. Conceição Evaristo investiga pontos de diálogo entre a literatura brasileira afro-descendente e as literaturas africanas de língua portuguesa. Desde os anos 1990, a escritora entrou no cenário da literatura ao publicar contos e poemas na série Cadernos Negros, uma antologia editada anualmente pelo Quilombhoje de São Paulo, um grupo de escritores afro-brasileiros reunidos desde 1978. Além de participar de eventos no meio acadêmico sobre literatura afro-brasileira, Conceição Evaristo tem marcado a sua presença nos movimentos sociais, e na luta pelas causas dos afro-descendentes. Conceição Evaristo é autora do romance Ponciá Vicêncio, Belo Horizonte, 2003, com uma 2ª edição em 2005. Evandro considera que “Conceição Evaristo é uma grande, senão a maior escritora afro-descendente do Brasil.

Esta disciplina, oferecida aos alunos da Universidade e à Sociedade em geral, é resultado do convênio entre o Programa Acadêmico do Núcleo de Estudos Transdisciplinares de Comunicação e Consciência-NETCCON/ECO/UFRJ, coordenado pelo Prof. Evandro Vieira Ouriques, e a Agência de Notícias dos Direitos da Infância-ANDI.

O Programa Acadêmico do NETCCON dedica-se às relações entre a mídia, a ética e a não-violência (no sentido de luta sem violência), tendo em vista o vigor da experiência de comunicação, da auto-construção da cidadania e da responsabilidade socioambiental na Mídia, na Política e nas organizações. Neste sentido o NETCCON criou e vem oferecendo há três anos consecutivos também a disciplina Construção de Estados Mentais Não-violentos na Mídia.

O Programa Acadêmico do NETCCON visa: Prover a Sociedade, sob a perspectiva das Ciências da Comunicação, com estudos e metodologias de prevenção e superação da violência, que contribuam para o salto de qualidade: (1) na cobertura midiática das Políticas Sociais e em sua gestão pública; (2) nas políticas e estratégias de Comunicação para a Responsabilidade Socioambiental; e (3) no padrão ético ("voz própria" e "vínculo") do trabalho de presença e colaboração nas Redes e Organizações. O NETCCON criou e oferece também a disciplina Comunicação, Construção de Estados Mentais e Não-violência, e está criando a disciplina Comunicação e Responsabilidade Socioambiental. Maiores informações sobre o NETCCON podem ser obtidas através de evouriques@terra.com.br.


Palestras a serem realizadas em 2008/1:


Semana 6 (14/04)
: O Paradigma do Desenvolvimento Humano como orientador da cobertura.
Palestrante: Flavia Oliveira (O Globo)

Semana 7 (28/04): Orçamento nacional: As possibilidades de intervenção e orientação para o social.
Palestrante: Leonardo Mello (IBASE)

Semana 8 (05/05) O desafio de aumentar a presença das políticas públicas na grande imprensa.
Palestrante: Bia Barbosa (Intervozes)

Semana 9 (12/05): A cobertura das políticas públicas na área da Educação no Brasil.
Palestrante: Antônio Góis (Folha de S. Paulo)

Semana 10 (19/05): Cobertura de qualidade em meio à violência estrutural: A força política da não-violência e a responsabilidade dos atores sociais e dos jornalistas.
Palestrante: Prof. Evandro Vieira Ouriques (NETCCON.ECO.UFRJ, NEF.PUC.SP)

Semana 11 (26/05): A Questão das Políticas Públicas Sociais e a Mídia Contra-hegemônica.
Palestrante: Paulo Lima (Viração)

Semana 12 (02/06): A Comunicação criada pela Periferia no Rio de Janeiro.
Palestrante: Prof. Augusto Gazir (Observatório de Favelas e ECO.UFRJ)

Semana 13 (09/06): O paradigma dos Direitos da Criança e do Adolescente: A Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança e o Estatuto da Criança e do Adolescente.
Palestrante: Wanderlino Nogueira Neto (ABONG)

Semana 14 (16/06): A Mídia e a Questão das Políticas Públicas Sociais no Brasil.
Palestrante: Guilherme Canela (ANDI)

Semana 15 (23/06): O Paradigma da Diversidade Cultural.
Palestrante:
Profa. Sílvia Ramos (CESEC)

Semana 16 (30/06): Jornalismo prospectivo e o futuro das políticas públicas sociais como pauta.
Palestrante: Rosa Alegria (NEF-PUC/SP, NETCCON.ECO.UFRJ, Millennium/UNU)


Jornalismo de Políticas Públicas Sociais, NETCCON.ECO.UFRJ e ANDI.

Flavia Oliveira trata amanhã do paradigma do Desenvolvimento Humano como orientador da cobertura

Auditório da CPM-ECO, Campus da Praia Vermelha (UFRJ).
Segunda 14/04/2008, e em todas as outras segundas de 2008/1, sempre das 11h às 13h.

O IDH –índice de desenvolvimento humano- é um indicador médio, pois não mostra detalhadamente a realidade, mas pelo menos pode ser considerado uma ferramenta eficaz para cobrar resultados e políticas públicas, argumenta Flávia Oliveira, repórter e colunista do jornal O Globo, especializada em economia.

Em sua palestra, nesta segunda, dia 14, no curso de extensão e disciplina Jornalismo de Políticas Públicas Sociais, a convite do NETCCON.ECO.UFRJ e da ANDI, Flávia Oliveira vai abordar o paradigma do Desenvolvimento Humanos e o uso dessa ferramenta na cobertura jornalística.

“O IDH sugere parâmetros para medir condições de vida, comparar países, estados, municípios, e é possível em algumas cidades do Brasil, como no Rio de Janeiro, compararmos até bairros”, explicou a jornalista.

“A minha palestra vai ser dividida em dois momentos, primeiro vou abordar uma parte conceitual sobre indicadores e desenvolvimento humano, o que é o IDH e por que ele é usado como referência sócio-econômica”, ressaltou Flávia. De acordo com ela, o IDH é uma medição concreta que ajuda também a cobrar resultados no campo das políticas públicas.

“O bairro da Lagoa, por exemplo, tem um alto IDH, que pode ser comparado ao de países nórdicos como Noruega, Suécia e Dinamarca. Mas há trinta quilômetros de distância, o bairro de Acari no subúrbio apresenta um IDH muito parecido ao de países africanos. Quando a gente vê isso numa mesma cidade, tem alguma coisa errada”, assinalou.

Flávia Oliveira, no entanto, concorda, que esta medição revela a grande disparidade e ajuda a expor as diferenças e desigualdades de uma determinada região. “Esta ferramenta pode ser útil no jornalismo, pois permite justamente esta comparação”, concluiu.


Flávia Oliveira é jornalista do jornal O GLOBO, Amiga da Criança e formada em jornalismo pela Universidade Federal Fluminense – UFF. É também técnica em Estatística pela Escola Nacional de Ciências Estatísticas e exerce voluntariamente a coordenação editorial do jornal comunitário O Cidadão, destinado aos moradores das 16 comunidades do bairro da Maré, no Rio de Janeiro.

O Programa Acadêmico do NETCCON, sob a coordenação do Prof. Dr. Evandro Vieira Ouriques, tem como objetivo prover a Sociedade, sob a perspectiva das Ciências da Comunicação, com estudos e metodologias de prevenção e superação da violência, que contribuam para o salto de qualidade: (1) na cobertura midiática das Políticas Sociais e em sua gestão pública; (2) nas políticas e estratégias de Comunicação para a Responsabilidade Socioambiental; e (3) no padrão ético ("voz própria" e "vínculo") do trabalho de presença e colaboração nas Redes e Organizações. O NETCCON criou e oferece também a disciplina Comunicação, Construção de Estados Mentais e Não-violência, e está criando a disciplina Comunicação e Responsabilidade Socioambiental. Maiores informações sobre o NETCCON podem ser obtidas através de evouriques@terra.com.br.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Agência Brasil

Estado do Rio de Janeiro registra mais de 75 mil casos de dengue no ano

9 de Abril de 2008 - 20h36
Da Agência Brasil

Rio de Janeiro - Cerca de 75 mil casos de dengue já foram notificados neste ano no estado e somente neste mês são 1.103, informou hoje (9) a Secretaria Estadual de Saúde.

O maior número de notificações está na capital, onde desde o início do ano a doença atinge 45.463 pessoas. Em abril, foram registrados pela Secretaria Municipal de Saúde 569 pacientes com a doença. Em 24 horas, 275 novos casos foram notificados. A média, desde o início do ano, é de 454 novos casos por dia na cidade.

Das 79 mortes confirmadas, 28 foram por dengue hemorrágica. O número de óbitos na capital representa 60% do total (46), acrescenta a secretaria.

O superintendente de Vigilância da Saúde do estado, Victor Berbara, reconheceu que ainda há uma grande demanda nas unidades de saúde, mas afirmou que a tendência é de redução no número de casos.

"Poderia dizer que estamos no ápice da epidemia, embora o número de óbitos esteja diminuindo. Isso gera um bom prognóstico para os próximos dias. Em áreas onde a incidência estava muito alta, de fato, temos notado um decréscimo no número de casos. É preciso manter a mobilização durante o ano inteiro, pois o risco de termos epidemia de dengue em 2009 e 2010 existe", ressaltou.

Para o infectologista Rogério Valls, da Fundação Oswaldo Cruz, a queda de temperatura nesta época do ano pode reduzir a incidência de casos: "A experiência que temos das outras epidemias aponta que a circulação do vírus diminui com a queda da temperatura. E esperamos que as medidas de controle do mosquito transmissor funcionem, porque nos anos anteriores as epidemias estavam associadas à entrada de novos tipos de vírus. Agora, o vírus já é conhecido e está havendo uma grande mobilização da população, por isso não esperamos nova epidemia no próximo verão."

Segundo informações do Corpo de Bombeiros que desde 28 de fevereiro faz vistorias em imóveis e construções para prevenir a proliferação do Aedes aegypti, o mosquito transmissor, já foram encontrados mais de 148.800 focos. Cerca de 70% deles estão localizados em bairros da Baixada de Jacarepaguá, no Recreio dos Bandeirantes e na Barra da Tijuca, todos na zona oeste da cidade.

Os bombeiros também descobriram que pelo menos 7 mil caixas d'água serviam como foco. As equipes já inspecionaram mais de 150 mil residências, estabelecimentos comerciais e industriais.

Fabíola Ortiz

terça-feira, 8 de abril de 2008

Projeto seleciona adolescentes para treinamento em atletismo


7 de Abril de 2008 - 19h56 - Última modificação em 7 de Abril de 2008 - 19h59
Da Agência Brasil

Rio de Janeiro - Cerca de 500 adolescentes do Rio de Janeiro, com idade entre 13 e 15 anos, serão selecionados para participar do projeto Pentatlo - Federal Atletismo Escolar. Esses jovens irão freqüentar centros de treinamento de talentos a serem implantados pela Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt).


Durante lançamento do programa hoje (7) no Rio de Janeiro, o secretário nacional de Esporte de Alto Rendimento, Djan Madruga, afirmou que o atletismo é a modalidade esportiva mais democrática, pois pode ser praticada por todos.

"O atletismo é o esporte de base porque é o esporte mais fácil de ser praticado pela criança. É uma modalidade que pode ser praticada com os pés descalços no chão, na rua, de uma forma bem democrática e acessível."

Segundo o secretário, o programa quer descobrir novos talentos e preparar os adolescentes para os Jogos Olímpicos da Juventude que serão realizados em 2010.

"O programa de descoberta de talentos vai realizar uma bateria de testes para identificar, em uma população de faixa etária estudantil, quem tem aptidão para a prática esportiva e quem tem a capacidade de desenvolver determinada modalidade. Agora, nós estamos na segunda fase do projeto, que é colocar essas crianças que foram descobertas em prática para fazer atividade física acompanhada", afirmou Madruga.

O presidente da CBAt, Roberto Gesta de Melo, reconheceu a falta investimentos no atletismo no Brasil.

"Nós vamos iniciar com dez estados e esperamos no futuro atingir as 27 unidades da federação e trabalhar para a universalização desse projeto, que ele atinja um número expressivo das escolas nos próximos cinco anos. Com as políticas de incentivo fiscal e patrocínio isso vai mudando. O atletismo, ao lado do futebol, tem sido o esporte que mais tem contribuído para a inserção social porque trata fundamentalmente de jovens oriundos das camadas mais desfavorecidas da população", ressaltou Melo.

O atleta Joaquim Cruz, 45 anos, vai contribuir com o Programa Pentatlo Federal. "Eu cresci no esporte num sistema completamente diferente de hoje, eu tinha a tarde toda na escola para fazer educação física. Hoje não é mais assim, a educação física é integrada na grade escolar, não existe estudante atleta hoje em dia."

"Esse programa é uma opção, é um passo pequeno que pode trazer resultados enormes, e vai ajudar a descobrir novos talentos. É uma ferramenta muito importante tanto na parte social quanto na esportiva", disse Cruz que começou a praticar o esporte aos 7 anos.

Além do Rio de Janeiro, outras dez cidades também vão participar da seleção do projeto, que é realizado pelo Ministério do Esporte, em parceria com a CBAt e as secretarias estaduais de esporte dos estados envolvidos.

No Brasil, cerca de 200 mil jovens serão avaliados. Destes, 5 mil devem ser selecionados para participar dos treinos. O projeto prevê o investimento de aproximadamente R$ 1 milhão. A seleção começará pelo Rio de Janeiro e acontecerá nos próximos dias 26 e 27 de abril na pista do Conjunto Célio de Barros, no Maracanã.

Fabíola Ortiz

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Jornalismo de Políticas Públicas Sociais

Mãe Beata de Iemanjá, Conceição Evaristo e Evandro Vieira Ouriques falam nesta 2a.f. sobre Lições Africanas Não-violentas para a Igualdade na Diversidade Humana

Auditório da CPM-ECO, Campus da Praia Vermelha (UFRJ)

Segunda 07/04/2008, e em todas as outras segundas de 2008/1, sempre das 11h às 13h.

“Nós só vamos respeitar a voz africana quando nós escutarmos a voz africana que fala dentro do nosso peito e dentro da nossa genética, e graças a este ato não-violento, aprendermos com o exemplo de Martin Luther King, com a ação de Mãe Beata de Iemanjá e de Conceição Evaristo, que são exemplos poderosos de resistência e de ação afirmativas não-violentas no Brasil, dados por uma cultura que sempre foi alvo de opressão e desqualificação”.

Esse é o ponto que o Prof Evandro Vieira Ouriques –coordenador do Curso de Extensão Jornalismo de Políticas Públicas Sociais- aprofundará na palestra Lições Africanas para a Igualdade na Diversidade Humana, que fará juntamente com Mãe Beata de Iemonjá e Conceição Evaristo na próxima segunda-feira, como parte da Semana Martin Luther King, promovida pela Associação Palas Athena, com apoio da UNESCO.

E que lições africanas seriam essas? Para o coordenador do Núcleo de Estudos Transdisciplinares de Comunicação e Consciência-NETCCON/ECO/UFRJ: “o objetivo é resgatar valores e sistemas ancestrais de comunicação que são usados por esses saberes que podem alavancar as experiências de comunicação. E honrar a questão da matriz africana e da não-violência é um tema que interessa diretamente às políticas públicas sociais”.

O Prof Evandro Ouriques considera que a experiência de comunicação dos povos africanos constitui uma ferramenta social e de relacionamento, e que através de técnicas ancestrais de origem afro é possível lidar com as diferenças. “O que nós precisamos é recuperar com as sociedades ancestrais essa experiência de comunicação. Elas que foram destruídas pelo Ocidente poderoso, vaidoso e falocêntrico têm muito a nos ensinar”, ressaltou.

Mãe Beata de Yemanjá, além de sua indiscutível liderança religiosa e inter-religiosa, “talvez seja no Brasil uma das Mães de Santo que têm a maior liderança histórica em projetos sociais”, assinalou Prof Evandro, ao que soma o fato dela ser, como atesta a escritora Conceição Evaristo, uma das mais importantes escritoras afro-brasileiras pois “em seus livros ela resgata a sabedoria ancestral a partir de contos que vêm direto da oralidade que fala dos arquétipos que integram e dão estrutura ao imaginário africano e afro-brasileiro”. Mãe Beata é um dos co-autores do livro Diálogo entre as Civlizações: a Experiência Brasileira, organizado pelo Professor Evandro em 2003 e publicado pela ONU com apoio da UNESCO e da Palas Athena.

Nascida em 20 de janeiro de 1931, em Cachoeira do Paraguaçu no Recôncavo Baiano, filha de Exu e Yemanjá, Beatriz Moreira Costa, Mãe Beata, atua há pelo menos vinte anos em frentes sociais e ações afirmativas, em movimentos negros e de diálogo inter-religioso, pelos direitos humanos, contra a discriminação e a intolerância religiosa, a favor da cultura e da paz, pelo direito à educação e à saúde da população negra.

A Comunidade de Terreiro Ilê Omi Ojú Arô -Casa das Águas dos Olhos de Oxossi- comunidade na qual Beata é a sacerdotisa suprema no bairro de Miguel Couto em Nova Iguaçu, tem hoje 23 anos de atividades. Ao longo de sua história de militância, Mãe Beata já recebeu moção honrosa de Resistência da Cultura, Religião, Cidadania e Dignidade da população Afro-brasileira da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro em 1991, além de ter sido Personalidade de Destaque da Comunidade Negra no mesmo ano, e em maio de 2005, a Medalha de Mérito Cívico Afro-brasileiro pela Universidade da Cidadania Zumbi dos Palmares, em São Paulo.

Em sua Comunidade de Terreiro, já sediou muitos encontros sobre Tradição dos Orixás e Religiões Afro-brasileiras, além de participar em projetos sociais como o Ação e Viver que promoveu fóruns de debates sobre cidadania, e no Projeto Comunidade Solidária capacitando profissionalmente jovens carentes da Baixada Fluminense (1999). Desde 2002, Mãe Beata estabelece parcerias com a Ong Criola, que desenvolve projetos para mulheres negras, e com o Projeto Ató Ire de Saúde dos Terreiros, além de outros movimentos voltados para jovens como o Projeto Acelera Jovem em parceria com o Viva-Rio (2004).

Como líder religiosa, Mãe Beata participa ativamente em discussões sobre questões raciais, sociais e políticas, tendo maior atuação nas questões de gênero, com enfoque principal na mulher negra.

De acordo com o pesquisador e intelectual, Evandro Ouriques, a palestra quer trazer à superfície os valores ancestrais que nos permitem, dentro da diversidade, haver mais espaço não só para essa diversidade, mas também garantir espaço para o entendimento das diferenças. “Para que nós sejamos diferentes temos que reconhecer-nos em que somos iguais”, e questiona: “até que ponto de igualdade nós estamos interessados para que a nossa desigualdade possa vigorar, ou seja até que ponto de igualdade precisamos chegar para não nos matarmos uns aos outros? Existe um conjunto de valores de interseção?” E destaca, “é isso o que garante a vinculação social, o espírito público”.

Evandro também ressaltou que um dos objetivos do programa acadêmico do NETCCON é o de resgatar saberes da diáspora, ou seja, saberes que o Ocidente expulsou, como os hindus, os africanos, os indígenas, os eslavos. No caso do Brasil, “é um espanto sintomático que ainda tenhamos racismo”, comenta indignado o Professor Evandro.

Conceição Evaristo é Mestre em Literatura Brasileira pela PUC-Rio, e doutoranda em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense-UFF. Ela investiga pontos de diálogo entre a literatura brasileira afro-descendente e as literaturas africanas de língua portuguesa. Desde os anos 1990, a escritora entrou no cenário da literatura ao publicar contos e poemas na série Cadernos Negros, uma antologia editada anualmente pelo Quilombhoje de São Paulo, um grupo de escritores afro-brasileiros reunidos desde 1978. Além de participar de eventos no meio acadêmico sobre literatura afro-brasileira, Conceição Evaristo tem marcado a sua presença nos movimentos sociais, e na luta pelas causas dos afro-descendentes. Conceição Evaristo é autora do romance Ponciá Vicêncio, Belo Horizonte, 2003, com uma 2ª edição em 2005.

Ao falar de lições de igualdade, outro nome do espírito público, o Prof. Evandro finaliza: “É isso o que movimenta o espírito das políticas públicas, a não-violência, ou seja, a ampliação do vigor dos direitos humanos, o respeito ao outro que é nosso irmão, nossa irmã. Estamos, na verdade, interagindo e abrindo-nos para que a matriz africana de nossa cultura nos fale de amor, de verdade, de justiça, de bondade, de verdade”.

Esta disciplina, oferecida aos alunos da Universidade e à Sociedade em geral, é resultado do convênio entre o Programa Acadêmico do Núcleo de Estudos Transdisciplinares de Comunicação e Consciência-NETCCON/ECO/UFRJ, coordenado pelo Prof. Evandro Vieira Ouriques, e a Agência de Notícias dos Direitos da Infância-ANDI.

O Programa Acadêmico do NETCCON dedica-se às relações entre a mídia, a ética e a não-violência (no sentido de luta sem violência), tendo em vista o vigor da experiência de comunicação, da auto-construção da cidadania e da responsabilidade socioambiental na Mídia, na Política e nas organizações. Neste sentido o NETCCON criou e vem oferecendo há três anos consecutivos também a disciplina Construção de Estados Mentais Não-violentos na Mídia.

O Programa Acadêmico do NETCCON: Prover a Sociedade, sob a perspectiva das Ciências da Comunicação, com estudos e metodologias de prevenção e superação da violência, que contribuam para o salto de qualidade: (1) na cobertura midiática das Políticas Sociais e em sua gestão pública; (2) nas políticas e estratégias de Comunicação para a Responsabilidade Socioambiental; e (3) no padrão ético ("voz própria" e "vínculo") do trabalho de presença e colaboração nas Redes e Organizações. O NETCCON criou e oferece também a disciplina Comunicação, Construção de Estados Mentais e Não-violência, e está criando a disciplina Comunicação e Responsabilidade Socioambiental. Maiores informações sobre o NETCCON podem ser obtidas através de evouriques@terra.com.br.

Conheça mais sobre a disciplina aqui:
http://informacao.andi.org.br:8080/relAcademicas/site/visualizarConteudo.do?metodo=visualizarUniversidade&codigo=6

Palestras a serem realizadas em 2008/1:

Semana 6 (14/04): O Paradigma do Desenvolvimento Humano como orientador da cobertura.
Palestrante: Flavia Oliveira (O Globo)

Semana 7 (28/04): Orçamento nacional: As possibilidades de intervenção e orientação para o social.
Palestrante: Leonardo Mello (IBASE)

Semana 8 (05/05): O desafio de aumentar a presença das políticas públicas na grande imprensa.
Palestrante: Bia Barbosa (Intervozes)

Semana 9 (12/05): A cobertura das políticas públicas na área da Educação no Brasil.
Palestrante: Antônio Góis (Folha de S. Paulo)

Semana 10 (19/05):Cobertura de qualidade em meio à violência estrutural: A força política da não-violência e a responsabilidade dos atores sociais e dos jornalistas.
Palestrante: Prof. Evandro Vieira Ouriques (NETCCON.ECO.UFRJ, NEF.PUC.SP)

Semana 11 (26/05):A Questão das Políticas Públicas Sociais e a Mídia Contra-hegemônica.
Palestrante: Paulo Lima (Viração)

Semana 12 (02/06):A Comunicação criada pela Periferia no Rio de Janeiro.
Palestrante: Prof. Augusto Gazir (Observatório de Favelas e ECO.UFRJ)

Semana 13 (09/06): O paradigma dos Direitos da Criança e do Adolescente: A Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança e o Estatuto da Criança e do Adolescente.
Palestrante: Wanderlino Nogueira Neto (ABONG)

Semana 14 (16/06):A Mídia e a Questão das Políticas Públicas Sociais no Brasil.
Palestrante: Guilherme Canela (ANDI)

Semana 15 (23/06):O Paradigma da Diversidade Cultural.
Palestrante:
Profa. Sílvia Ramos (CESEC)

Semana 16 (30/06): Jornalismo prospectivo e o futuro das políticas públicas sociais como pauta.
Palestrante: Rosa Alegria (NEF-PUC/SP, NETCCON.ECO.UFRJ, Millennium/UNU

Palestras já realizadas em 2008/1:

Semana 1 (10/03): Interesse, Poder e Dádiva: a questão do domínio dos estados mentais e da generosidade na positivização da rede de comunicadores-cidadãos.
Palestrante: Prof. Evandro Vieira Ouriques (NETCCON.ECO.UFRJ, NEF.PUC.SP)

Semana 2 (17/03): A Violência que Acusa a Violência: a degradação de Si e do Outro através da Mídia.
Palestrante: Prof. Michel Misse (NECVU.IFCS.UFRJ)

Semana 3 (24/03): A Abordagem de Temas Sociais junto a Públicos Não-iniciados: o Caso dos Jornais de Grande Circulação e Distribuição Gratuita.

Palestrante: Prof. José Coelho Sobrinho (USP)

Semana 4 (31/03): A desigualdade social no Brasil e os processos de formulação das políticas públicas sociais compensatórias.
Palestrante: Leonardo Mello (IBASE)

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Canção do festival da TV Cultura de 2005 quando chegou às finais. É um retrato social do Brasil. Foi criada e apresentada antes da tragédia do menino João Hélio, antes da discussão no Congresso sobre maioridade penal e, é também anterior ao "Cansei"!

Veja o link:

http://mais.uol.com.br/view/299yq0eahs14/classe-media-essa-musica-nao-toca-no-radio--040262C4C11326

Jornalismo de Políticas Públicas Sociais

Para Leonardo Mello todo povo é tão ruim quanto a desigualdade que ele tolera, pois isto é submissão

“Todo povo é tão ruim quanto a desigualdade que ele tolera”, afirmou o sociólogo Leonardo Mello –especialista em orçamento público e indicadores sociais, que se despediu nesta segunda do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas-Ibase, onde atuou desde 1991.

“O elemento chave é a desigualdade social, eu sou a favor da desigualdade, sou e sempre fui a favor, e tenho a impressão de que todo mundo é. A dificuldade é de entendermos de que desigualdade estamos falando e de que tipo”, ressaltou o sociólogo em sua palestra nesta segunda-feira, dia 31, ao abordar o tema A desigualdade social no Brasil e os processos de formulação das políticas públicas sociais compensatórias, na Disciplina e Curso de Extensão Jornalismo de Políticas Públicas Sociais, uma realização do Programa Acadêmico do Núcleo de Estudos Transdisciplinares de Comunicação e Consciência-NETCCON da Universidade Federal do Rio de Janeiro-UFRJ, em parceria com a Agência de Notícias dos Direitos da Infância-ANDI.

Leonardo Mello parte do princípio de que a desigualdade no Brasil não permite que as pessoas vivam plenamente. Para ele, são fatores muito difíceis de medir a desigualdade e é preciso estar atento à mudança de paradigma entre a desigualdade baseada em um juízo de valor e uma atenção diferenciada por parte do Estado.

“O que me incomoda é a ausência dos direitos. A nossa desigualdade não é da tolerância, é da submissão e não do respeito. Este debate sobre a percepção da desigualdade e do que foge à norma, é um objeto de juízo de valor”, discute. E ainda acrescenta, “junto a isso, tem a nossa especificidade, pois a persistência e a brutalidade da desigualdade no Brasil atingem um grande número de pessoas que não têm direito a nada”.

O especialista se questiona: “Conseguimos perceber as desigualdades? Talvez a gente não se sinta igual o tempo todo”. Ele explica que ao longo da vida nós aprendemos a visualizar as desigualdades, porém “algumas nós toleramos e outras nós reprimimos”, e citou exemplos como a desigualdade de sexo entre homens e mulheres e de faixa etária.

E insiste: “Qual desigualdade é tolerável? Eu tenho a impressão de que durante a educação na nossa infância, nós fomos treinados a nos afastarmos das pessoas que são socialmente inferiores a nós e a nos aproximar a quem é socialmente superior”, isto de acordo com o sociólogo é onde ocorre a imposição de juízos de valor sobre a constatação da desigualdade. “Se alguém é assaltado no Leblon é notícia de capa no jornal, mas quem é assaltado no subúrbio não é notícia porque isso é normal”.

Leonardo Mello reconhece que há racismo no Brasil, “mas como é possível haver racismo num lugar onde supostamente não há racistas? Procure um no Brasil, é difícil. O ‘você sabe com que está falando’ é outra forma de interagir com a desigualdade”. Ele citou ainda a questão da diferença de renda no debate sobre a pobreza. Um dos indicadores para falar de desigualdade é a renda, tenta-se medir a desigualdade calculando o quanto ganham os 10% que recebem mais, e os 40% mais pobres – esta medida seria universal e comparável a outras sociedades capitalistas. “O Brasil é o campeão das desigualdades, mas nós temos instituições que medem com indicadores, avaliam e comparam os resultados com outros países. Certamente, há países africanos com mais desigualdade que o Brasil, mas não há ninguém para medir”, disse.

O sociólogo trouxe também informações sobre estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada-IPEA que mostram que 30% da população brasileira é tida como pobre. Como explicar a persistência de dados tão ruins da nossa realidade social? E ainda critica, “a desigualdade social no Brasil se manifesta em muitas esferas ao mesmo tempo, no acesso ao saneamento, no nível de escolaridade e na qualidade do ensino. Isso nos leva a máxima de que no Brasil não basta ser pobre, mas tem que sofrer. Em todas as esferas de nossa vida é tudo um pouco piorado quando se é mais pobre, ou quando se é mais desigual”.

Os dados sobre desigualdades são abundantes, segundo Mello, “o meu ponto exato é a percepção da desigualdade que é aceitável, nós não temos interesse na realidade social”. Para ele, as políticas públicas são processos, há pouco tempo algumas agendas políticas eram menosprezadas a exemplo da população negra, do portador de deficiência, das questões que envolvem o meio-ambiente.

“Falta um meio-termo quando a gente discute a desigualdade, ou encara-se todo mundo igual, ou transforma-se tudo em gueto”. Ele se pergunta: “que dispositivos nos levam a nos interessarmos pelas desigualdades e pela formulação de políticas públicas compensatórias? Na hora que a sociedade desperta para o tema, é a hora que as políticas públicas são formuladas. Nós temos a percepção de quando a gente discute desigualdade, estamos discutindo pessoas que não são normais. Gostamos de nos ver enquanto norma, e reprimir os que têm um comportamento desviante”.

Mas para o pesquisador, o perigoso é achar que o outro está sempre à margem. “A nossa desigualdade não é da tolerância e do respeito aos direitos, é da submissão. A questão é olhar o outro como se olhássemos a nós mesmos”, ressaltou.

A democracia, considerou Leonardo Mello, é fruto do diálogo e não da força, e o diálogo é baseado em argumentos. “O que importa para mim é a formação deste olhar, a igualdade e o respeito às diferenças”. E para o jornalista é importante ter argumentos e a percepção dos fatos, “aonde tem um fato relevante para ser apurado, aonde você toca as pessoas, isto é a percepção pública”. Para Mello, o essencial é apurar bem, contextualizar e produzir argumentos.

Uma forma de falar em políticas públicas é discutir orçamento público. Este é o tema da palestra que Leonardo Mello dará na Disciplina e Curso de Extensão de Jornalismo de Políticas Públicas Sociais do NETCCON e da ANDI, em Orçamento nacional: As possibilidades de intervenção e orientação para o social, no dia 28 de abril no auditório da Central de Produção Multimídia da Escola de Comunicação da UFRJ.

O orçamento público, adiantou o sociólogo, é uma lei autorizativa, isto é, “ela autoriza a pôr em prática um projeto e não obriga, como seria no caso de uma lei mandatória. Nos EUA, por exemplo, o orçamento público é mandatório, lá você tem que fazer”, explicou. O orçamento público ainda é uma política pré-pública, e a sociedade não tem sensibilidade para participar do processo de formulação de políticas públicas. Mello citou o sociólogo e também ativista dos direitos humanos Betinho, fundador do Ibase, ao fazer a provocação para o público de 80 pessoas presentes em sua palestra, que “se a educação é prioridade e não gastarmos na educação, isso é demagogia”.

Para Leonardo, o mercado tem como função promover a desigualdade pois é movido pela lógica da produção do lucro. “Mas essa não deveria ser a função do Estado. O Estado não pode promover a desigualdade, ele foi apropriado por setores que promovem a desigualdade no setor público. Aí não funciona mesmo. Existem exemplos de desigualdades de baixo de nossos narizes, como o grande número de assassinatos em favelas, as desigualdades no acesso à cultura. O que me incomoda é a apropriação de dinheiro público”, considerou.

Por que então pensar em políticas públicas compensatórias? Mello responde: “primeiro pelo grau de desigualdade que a nossa sociedade vive, não é razoável nem em renda, nem em salário ou em educação. Se as empresas promovem as desigualdades, está tudo bem. O Estado é que não pode fazer isso. Quando ele não coloca o dinheiro no lugar mais adequado e pensa qual política é mais ou menos compensatória. O problema da questão da desigualdade é que não há compensação. A política compensatória é função precípua do Estado. O conceito de público é para todo mundo, universal, mas não há dinheiro para fazer para todos, então, política pública é tudo que atende a todos”.

Para Mello, a política compensatória está associada a políticas sociais e “a idéia de compensatória está em recompor a noção de equilíbrio e de direito”. E afirma que o essencial é sermos parte da equação do problema e da solução. “Todos nós, em diferentes etapas da vida, temos uma certa carência. O Estado não tem dinheiro para dar tudo o que a gente quer. A sociedade que temos é uma média da sociedade que todos nós queremos. E a política pública, portanto, é fruto dos nossos desejos que são compartilhados socialmente”.

Mestrando em Estatística pela Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence), com especialização na Lyndon Johnson School of Public Affairs da Universidade do Texas em Austin, e graduação em sociologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), Leonardo Mello está desde 1991 no Ibase e, atualmente, trabalha na área de metodologia de pesquisas e indicadores.

Esta disciplina, oferecida aos alunos da Universidade e à Sociedade em geral, é resultado do convênio entre o Programa Acadêmico do Núcleo de Estudos Transdisciplinares de Comunicação e Consciência-NETCCON/ECO/UFRJ, coordenado pelo Prof. Evandro Vieira Ouriques, e a Agência de Notícias dos Direitos da Infância-ANDI.

O Programa Acadêmico do NETCCON dedica-se às relações entre a mídia, a ética e a não-violência (no sentido de luta sem violência), tendo em vista o vigor da experiência de comunicação, da auto-construção da cidadania e da responsabilidade socioambiental na Mídia, na Política e nas organizações. Neste sentido o NETCCON criou e vem oferecendo há três anos consecutivos também a disciplina Construção de Estados Mentais Não-violentos na Mídia.

O Programa Acadêmico do NETCCON visa: Prover a Sociedade, sob a perspectiva das Ciências da Comunicação, com estudos e metodologias de prevenção e superação da violência, que contribuam para o salto de qualidade: (1) na cobertura midiática das Políticas Sociais e em sua gestão pública; (2) nas políticas e estratégias de Comunicação para a Responsabilidade Socioambiental; e (3) no padrão ético ("voz própria" e "vínculo") do trabalho de presença e colaboração nas Redes e Organizações. O NETCCON criou e oferece também a disciplina Comunicação, Construção de Estados Mentais e Não-violência, e está criando a disciplina Comunicação e Responsabilidade Socioambiental. Maiores informações sobre o NETCCON podem ser obtidas através de evouriques@terra.com.br.

Conheça mais sobre a disciplina aqui:
http://informacao.andi.org.br:8080/relAcademicas/site/visualizarConteudo.do?metodo=visualizarUniversidade&codigo=6

Palestras a serem realizadas em 2008/1:

Semana 5 (07/04):
Lições Africanas para a Igualdade na Diversidade Humana: a questão da não-violência.
Palestrantes: Mãe Beata de Iemanjá, Conceição Evaristo e Prof Evandro Vieira Ouriques.

Semana 6 (14/04): O Paradigma do Desenvolvimento Humano como orientador da cobertura.
Palestrante: Flavia Oliveira (O Globo)

Semana 7 (28/04): Orçamento nacional: As possibilidades de intervenção e orientação para o social.
Palestrante: Leonardo Mello (IBASE)

Semana 8 (05/05): O desafio de aumentar a presença das políticas públicas na grande imprensa.
Palestrante: Bia Barbosa (Intervozes)

Semana 9 (12/05): A cobertura das políticas públicas na área da Educação no Brasil.
Palestrante: Antônio Góis (Folha de S. Paulo)

Semana 10 (19/05): Cobertura de qualidade em meio à violência estrutural: A força política da não-violência e a responsabilidade dos atores sociais e dos jornalistas.
Palestrante: Prof. Evandro Vieira Ouriques (NETCCON.ECO.UFRJ, NEF.PUC.SP)

Semana 11 (26/05): A Questão das Políticas Públicas Sociais e a Mídia Contra-hegemônica.
Palestrante: Paulo Lima (Viração)

Semana 12 (02/06): A Comunicação criada pela Periferia no Rio de Janeiro.
Palestrante: Prof. Augusto Gazir (Observatório de Favelas e ECO.UFRJ)

Semana 13 (09/06): O paradigma dos Direitos da Criança e do Adolescente: A Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança e o Estatuto da Criança e do Adolescente.
Palestrante: Wanderlino Nogueira Neto (ABONG)

Semana 14 (16/06): A Mídia e a Questão das Políticas Públicas Sociais no Brasil.
Palestrante: Guilherme Canela (ANDI)

Semana 15 (23/06): O Paradigma da Diversidade Cultural.
Palestrante:
Profa. Sílvia Ramos (CESEC)

Semana 16 (30/06): Jornalismo prospectivo e o futuro das políticas públicas sociais como pauta.
Palestrante: Rosa Alegria (NEF-PUC/SP, NETCCON.ECO.UFRJ, Millennium/UNU)

Palestras já realizadas em 2008/1:

Semana 1 (10/03): Interesse, Poder e Dádiva: a questão do domínio dos estados mentais e da generosidade na positivização da rede de comunicadores-cidadãos.
Palestrante: Prof. Evandro Vieira Ouriques (NETCCON.ECO.UFRJ, NEF.PUC.SP)

Semana 2 (17/03): A Violência que Acusa a Violência: a degradação de Si e do Outro através da Mídia.
Palestrante: Prof. Michel Misse (NECVU.IFCS.UFRJ)

Semana 3 (24/03): A Abordagem de Temas Sociais junto a Públicos Não-iniciados: o Caso dos Jornais de Grande Circulação e Distribuição Gratuita.
Palestrante: Prof. José Coelho Sobrinho
(USP)

Fabíola Ortiz