Dica de BLOG:
http://mercadocultural2008.blogspot.com/
Repórter, não só pela minha profissão, pelas reflexões no jornalismo, pela necessidade de explorar outros rumos da comunicação e da expressão. FOS Repórter é uma pretensão de criar espaço para artigos sobre temas diversos - passando por atualidades internacional, do país, Rio de Janeiro, críticas, reflexões, desabafos.
Carla Soares Martin
Pelo sim ou pelo não, os próprios veículos de comunicação passaram a ser notícia esta semana. Tudo por conta da Operação Satiagraha, da Polícia Federal (PF). Na Folha de S.Paulo, a repórter Andréa Michael escapou de ser presa ao antecipar informações sobre as investigações que aconteciam contra Daniel Dantas, enquanto o repórter César Tralli, da TV Globo, sabia, segundo o ministro da Justiça, Tarso Genro, da prisão do dono do Opportunity, antes dos outros veículos. Tarso Genro chegou a pedir desculpas pelo vazamento de informações. A questão que fica é: o meio de comunicação pode -- ou deve -- publicar inquéritos que correm em segredo de Justiça? A divulgação pode prejudicar as investigações?
Para o Associação Nacional de Jornais (ANJ), sim, o veículo deve divulgar as informações. O assessor Ricardo Pedreira é da opinião de que a liberdade de expressão está acima de tudo, um direito garantido pela Constituição. Sobre a Globo, disse: "A TV foi lá e fez o trabalho dela".
Ricardo Pedreira argumenta que o segredo de Justiça é uma questão da Justiça. "O segredo de Justiça é para as partes do processo, para os elementos envolvidos, e não para jornalistas", afirmou o assessor da ANJ.
Pedreira declarou ainda que a responsabilidade de divulgar as informações, na possibilidade de atrapalhar as investigações, é de cada jornal. "É uma questão de cada jornal."
Fenaj
O presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Sérgio Murillo de Andrade, diz que o jornalista tem a obrigação de divulgar a informação que tem relevância pública. "Tudo que tem interesse público, relevância social, o jornalista precisa divulgar", afirmou.
Para Murillo de Andrade, no entanto, o repórter deve ter o extremo cuidado em divulgar informações se elas podem prejudicar alguém a ponto de oferecer perigo à vida. "A decisão de divulgar uma informação não é uma regra absoluta, é um princípio ético."
Sobre o vazamento de informações da PF e o pedido de prisão da repórter da Folha, o presidente da Fenaj entende que o problema foi da polícia, em deixar escapar os dados, e não dos jornalista.
Polícia Federal
A Polícia Federal admite que o erro foi dela mesmo. "Foi o agente do Estado que errou. O jornalista, pelo mérito e trabalho, divulgou o que a polícia deixou vazar", afirmou a assessoria de imprensa. Informa, ainda, que está sendo aberto um inquérito para investigar o vazamento, assim como havia afirmado o ministro Tarso Genro.
A PF, contudo, é contra divulgar informações sobre inquéritos em andamento. "A pessoa investigada começa a se comportar de maneira mais precavida, a manipular informações de banco e telefonemas para encobrir o crime", argumentou a assessoria da Polícia Federal.
Fonte: Comunique-se
Segundo o editor do jornal, Valdenor Ferreira, o erro foi causado pela equipe de diagramação, que, ao buscar uma imagem do banqueiro na internet, encontrou a do ator e, publicou. Esta foto é a primeira que aparece na busca do Google. Os responsáveis não foram demitidos, mas foram repreendidos pelo fato.Fonte: Comunique-se
ECA 18 ANOS é uma realização de um grupo de profissionais que concluíram o Curso de Extensão e Disciplina Jornalismo de Políticas Públicas Sociais-JPPS, criado pelo Núcleo de Estudos Transdisciplinares de Comunicação e Consciência-NETCCON.ECO.UFRJ, sob a coordenação do professor Evandro Vieira Ouriques, e pela Agência de Notícias dos Direitos da Infância-ANDI.
Estarão presentes especialistas como Deodato Rivera, filósofo e cientista político; Vânia Farias, presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente-CMDCA; Ana Carolina Loureiro, Conselheira Tutelar; George Araújo, projetista nas áreas de Educação e Cultura e produtor audiovisual; Rui Marroig, do Forum Rio-DCA; Marisa Santana, gestora do Comitê para Democratização da Informática-CDI e adolescentes do CRIAM Santa Cruz e do Ballet de Santa Teresa, além de Luiz Fernando Romão, do Projeto Legal, e Luiz Fernando Dudu Azevedo, educomunicador e documentarista.
Na abertura do encontro serão exibidos trechos do histórico documentário sobre a elaboração do ECA realizado há 19 anos. O vídeo é parte do copião feito em 1989 por Dudu Azevedo, a pedido da Fundação Odebrecht. Nele estão, entre outros, o cientista político Deodato Rivera e o pedagogo e ganhador do Prêmio Nacional dos Direitos Humanos (1998) Antonio Carlos Gomes da Costa, além de depoimentos de adolescentes. Trata-se de raríssimo testemunho do processo de elaboração do Estatuto, luta presente até os dias de hoje.
No intervalo entre os painéis haverá a apresentação musical dos meninos e meninas do Quinteto Villa-Lobinhos. O encontro se encerra com a Oficina de Construção de Cenários do ECA conduzida pelo Professor Evandro Vieira Ouriques, que é também o coordenador do curso de Jornalismo de Políticas Públicas Sociais-JPPS.
PROGRAMAÇÃO:
9:00 - 9:10 - Abertura:
Evandro Vieira Ouriques - Coordenador do Núcleo de Estudos Transdisciplinares de Comunicação e Consciência-NETCCON.ECO.UFRJ
George Araújo - projetista nas áreas de Educação e Cultura e Produtor Audiovisual
9:10 - 9:20 - Exibição de trechos do documentário de Dudu Azevedo e Fundação Odebrecht, feito em 1989 sobre a elaboração do ECA.
9:20 - 10:20 - PAINEL I
Vânia Farias- Presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente-CMDCA e do Ballet de Santa Teresa
Deodato Rivera - filósofo, cientista político, participou da elaboração do ECA.
Ana Carolina Loureiro, Conselheira Tutelar do Município do Rio de Janeiro.
Mediação: Rui Marroig
10:20 - 10:40 - Apresentação do Quinteto Villa-Lobinhos
10:40 - 11:00 - Recreio com Merenda
11:00 - 12:00 - PAINEL II
Marisa Santana, Gestora do Comitê para Democratização da Informática-CDI, com depoimentos de adolescentes do Criam Santa Cruz.
Laís Santos de Oliveira, adolescente integrante do Ballet de Santa Teresa.
Luiz Fernando Romão, representante do Projeto Legal, e beneficiários do Projeto.
Mediação: Luiz Fernando Dudu Azevedo
12:00 - 13:30 - OFICINA DE CONSTRUÇÃO DE CENÁRIOS ECA
Conduzida pelo professor Evandro Vieira Ouriques, com metodologia participativa e com o objetivo de ajudar a consolidar os temas abordados e as redes presentes, de maneira a contribuir para o aprofundamento do vigor de Cenários ECA.
SERVIÇO
Evento: ECA 18 ANOS
Data: 14/07/08
Horário: 09:00 às 13:30h
Local: Auditório da CPM-Escola de Comunicação.UFRJ
UFRJ da Praia Vermelha
Av. Pasteur, 250-Urca-Rio de Janeiro (esquina com Av. Venceslau Brás, entrada pelo portão da UFRJ do lado esquerdo do Hospital Pinel, caminhe 50 metros é o primeiro prédio branco de dois andares à sua direita)
Contato:
Rui Marroig - (21) 9124-9777 - marroig@attglobal.net
Teresa Fazolo - (21) 2552.1495 - 8207.8040 - tc.fazolo@nextcon.com
Jornalistas têm diferentes entendimentos do significado de ética, mas estabelecem limites claros do que é uma conduta adequada. Em outras palavras: um jornalista pode não saber a definição teórica, mas sabe como a ética se aplica ao dia-a-dia.
É o que aponta um levantamento feito pela Escola de Comunicação do Comunique-se. A sondagem colheu opiniões de 48 jornalistas da Grande São Paulo, todos atuantes em televisões, rádios, sites e veículos impressos.
A pesquisa aponta que tipo de comportamento o jornalista considera eticamente correto numa redação. Para isso, foram consideradas três abordagens éticas: conseqüência, princípio e finalidade (veja gráfico abaixo).
Nas simulações utilizadas para testar o conceito, os profissionais manifestaram clara identificação com o primeiro princípio, o da conseqüência. Por exemplo: se um repórter conseguir um furo pouco antes do fechamento de um jornal impresso, seria válido atrasar a edição desde que isso traga benefício para o veículo.
Na opinião de Carlos Alberto Di Franco, doutor em Comunicação pela Universidade de Navarra (Espanha), os veículos de comunicação evoluíram do ponto de vista comportamental. "Temos parâmetros de qualidade ética que foram sendo consolidados. Hoje os jornais estão muito mais comprometidos com o público do que antes", observa Di Franco, atual diretor do curso Master em Jornalismo.
Pouco mais de 7% caminham pela abordagem do princípio, que prevê o cumprimento de uma regra independentemente de existir um imprevisto ou até uma situação de emergência.
O número de pessoas que se enquadram na abordagem de finalidade não chega a 1% entre os pesquisados. Menos mal, pois ela se baseia na idéia de que os fins justificam os meios, sobretudo quando o objetivo é obter benefício para si próprio.
Faltando apenas quatro dias para a reunião do G8 no Japão, nova pesquisa examina o desempenho das nações do G8 e das cinco economias mais emergentes do planeta e revela que os países do G8 estão muito atrás na corrida contra as mudanças climáticas.
O G8 Climate Scorecards 2008, um relatório preparado pela consultoria independente Ecofys, foi encomendado pela Rede WWF e pelo grupo internacional Allianz. O relatório classifica os países do G8 de acordo com nove indicadores quantitativos como a comparação de histórico de emissões passadas desde 1990 e o progresso em relação às metas estabelecidas pelo Protocolo de Quioto. O documento também avalia o desempenho em três áreas de políticas públicas como eficiência energética, energias renováveis e o desenvolvimento de mercados de carbono.
"Os resultados mostram que nenhum país industrializado deve atingir as metas de redução de emissões necessárias para que o planeta não aqueça mais que 2º C", afirma Regine Günther, diretora do Programa de Mudanças Climáticas do WWF-Alemanha. "Nós temos de 10 a 15 anos para que as emissões atinjam um pico e declinem. O tempo está se esgotando."
O Dr. Joachim Faber, integrante do conselho da Allianz SE, afirma: "Os países do G8 têm a responsabilidade de liderar a corrida contra as mudanças climáticas. Eles precisam servir de exemplo para que o mundo todo possa trilhar um caminho de desenvolvimento com baixa emissão de gases de efeito estufa e baseado em energias renováveis."
A Allianz SE apóia a pesquisa para ter melhor entendimento dos novos rumos dos investimentos e das possíveis mudanças nos marcos de regulamentações, bem como de novas oportunidades de seguro e desenvolvimento de fundos em seus diferentes mercados.
"As mudanças climáticas podem criar boas oportunidades para as tecnologias limpas, onde a Allianz SE vê um grande potencial de investimento, crescimento e criação de empregos. Para desenvolver este potencial, é particularmente importante a promoção de um mercado global de carbono", diz Dr. Faber.
Na reunião do G8 na próxima semana, os líderes devem se comprometer com metas obrigatórias de redução de 80% até 2050 e o mais perto de 40% possível até 2020, afirma o relatório.
"O mundo está numa encruzilhada onde a ação decisiva neste momento pode ser traduzida em sucesso econômico", diz Regine Günther. "Nós esperamos que a presidência japonesa em Hokkaido consiga fazer os países do G8 se comprometerem a ter metas de reduções de emissões significativas e compulsórias. O G8 deve oferecer apoio tecnológico e financeiro para o desenvolvimento com baixas emissões de gases de efeito estufa e para medidas de adaptação em países em desenvolvimento que sejam mensuráveis, verificáveis e reportáveis.
Resumo das conclusões sobre cada país:
De acordo com o G8 Climate Scorecards 2008, o Reino Unido lidera a corrida um pouco à frente da França e da Alemanha, porém os três países estão apenas na metade do caminho onde deveriam estar.
O Reino Unido deve atingir a meta de redução de gases de efeito estufa estabelecida pelo Protocolo de Quioto e tem implementado políticas inovadoras como a Lei de Mudanças Climáticas. Porém, enquanto coloca muita ênfase na abordagem do seu mercado de carbono, faz muito pouco para acelerar o uso de energias renováveis e eficiência energética. Além do mais, a co-geração de energia com base em carvão tem crescido no mix energético do Reino Unido, o que eleva suas emissões.
A França é colocada como segundo país por causa de seus objetivos, desempenho e posicionamentos internacionais atuais, porém deixa a desejar em relação a atingir suas metas no futuro próximo. Portanto, a França corre o risco de perder sua alta colocação no relatório do ano que vem.
A Alemanha tem o melhor desempenho no quesito energias renováveis e tem um quadro regulatório que é referência internacional. A Alemanha também aprovou novos pacotes legislativos sobre eficiência energética, energias renováveis e políticas climáticas. Porém, até o momento, falhou em combater a geração de energia por carvão. Além disso, existe uma tendência negativa e crescente do setor elétrico em planejar a maior parte das novas usinas com base em carvão e lignito, afirma o relatório.
A Itália, quarta colocada, já começou a fazer algum esforço para discutir as mudanças climáticas e o benefício de ter acordado com políticas relevantes da União Européia. Porém, poucas medidas nacionais específicas foram implementadas e as emissões estão bem acima das metas de Quioto. Sua colocação é relativamente boa no aspecto eficiência energética.
O Japão, em quinto lugar, está aumentando suas emissões e está bem longe de atingir as metas do Protocolo de Quioto. O governo ainda tem que anunciar suas metas de redução a médio prazo. É o segundo colocado no quesito mercado de carbono por causa do grande número de projetos dentro do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo do Protocolo de Quioto, porém faltam medidas mandatórias como medidas para fomentar o mercado de carbono.
Bem atrás está a Rússia, que perdeu sua vantagem inicial de baixas emissões. Durante oito anos, as emissões cresceram novamente. A Rússia planejou apenas algumas poucas políticas nacionais e nenhuma foi implementada. Um anúncio recente do governo para aumentar drasticamente a eficiência energética pode influenciar sua posição nos próximos relatórios.
Os últimos lugares da corrida ficaram com o Canadá e os EUA, nas colocações 7 e 8, respectivamente. Isto não é surpresa devido aos aumentos das emissões, ao fato de serem economias energointensivas e de terem falhado em melhorar seus potenciais de eficiência energética. Porém, ainda há esperança: A legislação dos EUA para cortar emissões é iminente e os negócios estão sendo preparados para a nova commodity do mercado, com potencial de transpassar as fronteiras continentais. Enquanto as duas administrações federais não estiverem apoiando soluções que visem o combate às mudanças climáticas, iniciativas locais podem ajudar a melhorar suas posições para a próxima edição do scorecards.
O relatório também analisa as políticas de clima e energia das cinco economias emergentes: Brasil, China, Índia, México e África do Sul. Estes países não podem ser pontuados com os mesmos critérios usados para posicionar os países industrializados e, portanto, não são parte do ranking. O documento revela grandes diferenças entre estes países em termos de desenvolvimento, mix energético e emissões. Uma pergunta-chave é como os países industrializados vão ajudar estas cinco nações a crescerem rumo a um desenvolvimento com baixas emissões de gases de efeito estufa.
WWF-Brasil
O WWF-Brasil é uma organização não governamental brasileira dedicada à conservação da natureza com os objetivos de harmonizar a atividade humana com a conservação da biodiversidade e promover o uso racional dos recursos naturais em benefício dos cidadãos de hoje e das futuras gerações. O WWF-Brasil, criado em 1996 e sediado em Brasília, desenvolve projetos em todo o país e integra a Rede WWF, a maior rede independente de conservação da natureza, com atuação em mais de 100 países e o apoio de cerca de 5 milhões de pessoas, incluindo associados e voluntários.
Com o fim do petróleo barato, há um grande aumento do interesse por produtos renováveis e com alta eficiência energética. Novos investimentos superam 148 bilhões em 2007, o que representa um crescimento de 60% em relação a 2006. O crescimento continua em 2008, mostra estudo do PNUMA.
PNUMA - Preocupações com mudança climática, que têm aumento graças ao apoio de governos em todo o mundo, aumentam o preço do petróleo e segurança energética, combinadas a novo recorde anual de investimento em energia renovável e indústrias de produção de eficiência energética em 2007, de acordo com análise produzida em 1 de julho pelo PNUMA.
“As descobertas devem dar mais poder aos governos - do Norte e do Sul – para que adquiram um novo e substantivo acordo no importante encontro da Convenção de mudança climática a ser realizado em Copenhagem em 2009”, afirma Achim Steiner, o diretor do PNUMA.
“Mais de 148 bilhões no novo fundo globaL foram direcionados ao setor de energia sustentável no ano passado, 60% a mais que 2006, mesmo com a redução de crédito do mercado finaceiro, de acordo com o relatório “Global Trend in Sustainable Energy Investment 2008”.
Os 60% novos investimentos significam um aumento de 3 vezes as previões do relatório de 2006, que previa uma taxa de 20%.
A energia eólica mais uma vez atraiu a maior parte dos investimentos (50.2 milhões de dólares em 2007), porém a energia solar disparou: atraindo 28.6 bilhões do novo capital e crescendo a uma taxa média anual de 254% desde 2004.
O primeiro trimestre de 2008 foi um pouco sombrio no setor, com somente fusões e aquisições assim como companhias eólicas particularmente vendendo seus portfolios – vários se conscientizando que com a junção dos mercados de crédito, não podem financiar o crescimento deles mesmo. No entanto, no segundo trimestre muitas áreas de investimento tiveram um resultado menor do que o esperado, mesmo tendo o Mercado global se mantido em meio a instabilidade. Energia sustentável e eqüidade privada foi maior de 34% de abril a junho de 2007, novo crescimento de bens financeiros de 8% e o investimento de mercado público quadruplicou no primeiro trimestre apesar de no semestre seguinte apresentar uma redução de 17%.
“Assim como milhares foram levados à Califórnia e ao Klondike no fim dos anos 1800, a “corrida do ouro” de energia verde está atraindo legiões de prospectores dos tempos modernos em todas as partes do globo,” diz Steiner, que é também um Sub-Secretário Geral da ONU.
“Um século mais tarde, a diferença é que a maior parte dos que hoje procuram por riquezas, encontrarão. Com as temperaturas globais e preços de combustíveis fósseis em ascensão, é cada vez mais óbvio para o setor público e de investidores que a transição para uma sociedade “com baixo teor de carbono” é tanto um imperativo global quanto uma inevitabilidade – mas somente inevitável se mecanismos criativos de mercado e políticas públicas puderem evoluir rapidamente para liberar e não frustrar esse levante das energias limpas.”
A maioria do dinheiro foi para a Europa, seguida pelos EUA. Entretanto, China, Índia e Brasil atrairam crescentemente interesse de investidores, com a sua parte do crescimento do novo investimento indo de 12% em 2004 para 22% em 2007, um aumento de quatorze vezes: de $1.8 bilhões para $26 bilhões.
O fluxo de capitais de energia sustentável em 2007 foi de $204.9 bilhões, dos quais $98.2 bilhões foram destinados à geração de novas fontes de energias renováveis (especialmente eólica nos EUA, China e Espanha), $50.1 bilhões foram para desenvolvimento de tecnologia e manufaturas, e $56.6 bilhões mudaram de mãos através de fusões e aquisições.
Com 31 gigawatts de nova capacidade geratriz instalada, energia sustentável representou 23% da nova capacidade energética global em 2007, cerca de 10 vezes da nuclear.
As companhias de energia sustentável contabilizaram 19% do novo capital levantado pelo setor energético nos mercados de ações global em 2007.
“O investimento nos setores de energia sustentável precisam continuar a crescer se os objetivos são a redução da emissão de gases estufa, aumento do uso de energia renovável e eficiência energética,” diz o relatório, preparado com o modelo de Finanças de Novas Energias aplicado no Reino Unido tomando como base a Iniciativa financeira para energia sustentável de Paris
“Os investimentos devem atingir, entre agora e 2030, $450 bilhões a partir de 2012, aumentando para mais de $600 bilhões por ano a partir de 2020. A performance geral do setor durante 2007 e em 2008 mostra um bom caminho para se atingir estes níveis.”
O relatório oferece uma série de descobertas sobre os investimentos em energia sustentável pelo mundo:
Eólica
A energia eólica atraiu mais investimento no ano passado do que qualquer outra tecnologia de combustível não-fóssil, incluindo grandes hidrelétricas e energia nuclear. Na Europa e nos EUA, as adições em capacidade eólica em 2007 contabilizaram 40% e 30$, respectivamente, da nova capacidade energética geral.
A Iberenova, braço da gigante energética espanhola Iberdrola que desenvolve energia eólica, levantou $7.2 bilhões em uma flutuação de mercado em Dezembro de 2007, o maior IPO espanhola de todos os tempos e o quarto maior acordo público do ano.
A capacidade instalada global ultrapassou 100GW em Março de 2008.
Etanol
Com os custos de matérias-primas industriais em alta e preços do etanol em queda, capital de risco e investimento de capital privado em biocombustíveis caíram quase um terço em 2007, para $2.1 bilhões. Entretanto, o investimento em biocombustíveis não se esgotou totalmente, aumentando no Brasil, Índia e China.
Solar
A energia solar saltou à frente em 2007, aumentando sua fatia em quase todas categorias de investimentos. A energia solar atraiu, de longe, a maioria do capital de risco e investimentos de capital privado ($3.7 bilhões), enquanto de biomassa e de resíduos viram o mais rápido (432%) crescimento.
Em 2007, as companhias de energia solar chinesas cresceram o equivalente a $2.5 bilhões nos mercados de capitais dos Estados Unidos e Europa.
Eficiência Energética
Os investimentos em tecnologia para a eficiência energética atingiram um recorde de $1.8 bilhões, um aumento de 78% desde 2006.
A América do Norte atraiu a maioria dos investimentos em eficiência energética em 2007, seguida pela Europa, apesar da legislação norte-americana que trata de energia estar aquém da européia.
As construções oferecem, de longe, o maior potencial de economia de energia (e representa a fonte de 40% das emissões de carbono). A eficiência industrial e de transportes vêm em seguida, junto com o setor energético (talvez surpreendentemente) como o setor com a menor perspectiva de economias.
De acordo com a Agência Energética Internacional, cada dollar investido em eficiência energéticaem média evita mais que $2 necessários para criar novas ofertas.
A Europa ainda lidera
A União Européia se mantém como a principal região para investimento, particularmente financiamentos em fase posterior. Políticas de apoio, assim como uma base de investidores que se sentem confortáveis em financiar projetos de energia renovável e competição mais intensa por acordos, impulsionou os ativos financeiros europeus para um nível recorde de $49.5 bilhões em 2007. Isto representou 62% dos ativos financeiros do mundo todo.
Forte crescimento nos EUA
Nos EUA, a aceitação por energies sustentáveis se tornou mais ampla, se extendendo além de seu tradicional centro na Califórnia. Espera-se que a nova administração em 2009 façam da energia renovável e da eficiência energética uma prioridade política enquanto recentes incertezas nos EUA (particularmente sobre uma possível introdução de regulação de CO2) colocaram algumas usinas a carvão em espera.
O setor financeiro dos EUA também está caminhando para uma grande mudança na atitude política. Os grupos Citi, JPMorgan Chase e Morgan Stanley estabeleceram em conjunto uma série de “Princípios de Carbono”, o que guiará como eles aconselharão grandes empresas energéticas nos EUA.
Os bancos desenvolveram os princípios para avaliar riscos em financiar “projetos emissores de carbono”, dada a crescente incerteza regional e nacional em torno da política de mudanças climáticas. Eles também considerarão a inclusão de companhias energéticas de eficiência energética e recursos renováveis em seus portfólios como parte de um “processo de diligência aprimorado”.
Em 2007, o investimento em capacidade renovável não-hidráulica na China aumentou mais de quatro vezes, para $10.8 bilhões, e a nova capacidade eólica dobrou para 6 gigawatts.
O Relatório diz que os Jogos Olímpicos de Beijing em 2008 “afiou a política nacional e reforçou programas para a promoção de geração mais limpa e corte de intensidade energética.”
Além do surgimento das companhias de energia solar chinesas nas listas de mercados acionários dos EUA e da Europa, a atividade de mercado público também está crescendo em casa. Notavelmente, a manufatura eólica chinesa Goldwind cresceu $243 milhões no último ano na bolsa de Shenzhen, primeiro IPO relacionado exclusivamente a energia renovável.
Brasil
O Brasil é o maior Mercado mundial de energia renovável, graças às suas há muito estabelecidas indústrias hidrelétricas e de bioetanol.
O investimento em energia sustentável no Brasil continuou a ser dominado pelo etanol em 2007, quando o interesse dos investidores mudaram para lá, do sitiado mercado de etanol dos EUA. Infinity Bio-Energy (listada no AIM de Londres) e a gigante americana dos agronegócios Cargill fizeram importantes investimentos no setor.
Além da produção de etanol, investimento na cogeração de cana-de-açúcar, produção de biodiesel e energia eólica também têm sido significativas.
Índia
Os ativos financeiros na India cresceram significativamente, para $2.5 bilhões, em maior parte devido a 1.7GW em novos projetos de energia eólica. Tais instalações colocaram a Índia em quarta posição mundial, tanto em termos de nova capacidade adicionada em 2007 quanto em capacidade total instalada.
O aumento de fundos nas bolsas indianas alcançaram $628 milhões em 2007, embora as companhias procuraram crescentemente por capitais em mercados estrangeiros, trazendo $1.4 bilhões ultramarinhos em 2007. A atividade do mercado público foi marcada por uma série de Obrigações Convertíveis em Moeda Estrangeira (FCCBs) de companhias indianas de energia renovável estabelecidas como a Suzlon ($500 milhões de aumento) e a Moser Baer ($150 milhões).
O ano de 2007 também viu muitos acordos além-fronteira envolvendo compradores indianos e chineses, incluindo a aquisição da Repower pela Suzlon por $1.6 bilhão e da manufatura alemã de turbinas NOI Rotortechnik pelo China National Building Material Group.
África
A África continua atrás das outras regiões em termos de investimentos em energia sustentável. Ações financeiras, entretanto, cresceram em 2007 para 1.3 bilhões (cinco vezes mais que que em 2006), revertendo um declínio gradual desde 2004, provando ser verdade a crescente capacidade para instalação de renováveis. Os investimentos forma principalmente em biocombustíveis e geotermais. Prometendo desenvolvimento solar em larga escala, foram já iniciados no norte da África e algumas mudanças na África do Sul, são estágios para o estabelecimento da energia renovável e primeiro campo de energia eólica. África sub-saariana “região que mais tem a ganhar da energia renovável”, mantém-se inexplorada, de caordo com o relatório.
Financiamento de carbono muda para o setor privado
$13 bilhões foram investidos em financiamento de carbono desde o fim de 2007, uma importante fonte de investimento para o projeto “Mecanismo de desenvolvimento limpo” nos países em desenvolvimento. Mais novos investimentos são de financiamentos privados, da mesma forma em que a comercialização de carbono se estabeleceu.
O primeiro trimestre de 2008 viu a emergência dos interesses privados no Mercado pós-Kyoto, com investidores se adequando aos créditos de compras pós-2012 CDM, requeridos pelos critérios de comercialização na União Européia.
Alargamento de Mercado, diversifica entre tecnologias emergentes
Investimentos não apenas crescem em 2007, mas expande-se e se diversifica. Principais mercados de capitais não estão totalmente receptivos a companhias de energia sustentável, de caordo com o relatório.
2007 também testemunhou grande atividade nas chamadas “tecnologias da nova geração”, como a de etanol de celulose, tecnologia solar de placas finas e eficiência energética.
Capital para investimento em novas empresas, principalmente as de risco (venture capital) cresceram 112% para 2 bilhões em 2007, animada pelo interesse em tecnologias renováveis emergentes, mais que por aquelas que estão a ponto de comercialização.
“O entusiasmo de olhar além das tecnologias maduras sugere que investidores estão tomando energia renovável e eficiência energética cada vez mais seriamente”, afirma o relatório.
Investimento público
Investimentos públicos gerais, usando suprimentos e outros mercados, mais que dobraram em 2007 para 23.4 bilhões, de 10.5 bilhões em 2006.
O Wilderhill New Energy Global Innovation Index (NEX) cresceu 57.9% em 2007, caiu 17.9% no primeiro trimestre de 2008 mas depois retomou metade de suas perdas no segundo trimestre. Enquanto financiamentos de capitais relacionados a energia limpa cresceram 35 bilhões em 2007.
Um recorde de 17 novas linhas de crédito lançados em energia limpa. Foram apenas cinco em 2006. Grande parte destes financiamentos foram lançados pelas principais empresas investidoras, tais como HSBC, F&C, Schroders, Deutsche Asset Management e Virgin.
A chegada destes “pesos pesados” no mercado está “propensa a encorajar a grande lista que normalmente investem a se expander nos setores de baixo carbono e energia sustentável.”, fala o relatório.
Pesquisa e Desenvolvimento
Pesquisa e Desenvolvimento (PeD) dispensados a energia limpa e eficiência energética foi de 16.9 bilhões de dólares em 2007, produto de 9.8 bilhões de investimento em PeD feito por empresas e 7.1 bilhões dos governos.
Europa e Oriente Médio têm a maior atividade industrial em PeD, seguido do continente americano e depois asiático. Os padrões a nível governamental tem desempenho reverso, já que os governos asiáticos (notavelmente Japão, China e Índia) investindo relativamente pesado em PeD.
Fusões e incorporação de empresas
Atividades de fusão e incorporação de empresas cresceram 52% de 25.7 bilhões em 2007.
Mohamed El-Ashry, Chefe da Renewable Energy Global Policy Network REN21 disse: “"Uma razão para o gradual crescimento dos renováveis é simplesmente econômica: enquanto os custos do combustível fóssil está crescendo, os custos da tecnologia para energia renovável está caindo. E com os renováveis não há custos de combustíveis nem emissão de carbono.”
De acordo com Yvo de Boer, Secretário Executivo da United Nations Framework Convention on Climate Change: “A tendência positiva no mercado de energia renovável é pelo menos em parte uma resposta do mercado à expectativa política. Se tal expectativa não for alcançada, a motivação convencional será o que guiará as decisões dos investidores.”
“De acordo com o IEA, um montante de US$20 trilhões é esperado como investimento para suprir a demanda energética mundial até 2030. Se tais investimentos não forem feitos de uma forma consciente no que diz respeito ao clima, as emissões de gases estufa devem aumentar em 50% até 2050, enquanto a ciência nos diz que essas emissões devem ser reduzidas em 50% até 2050. Os negócios clamam por sinais de políticas mais claras para que eles possam fazer os investimentos corretos hoje. Definir um objetivo a longo prazo para 2050 é útil. Mas penso que daria muito mais clareza aos investidores se os países ricos indicassem onde desejam estar em 2020 ou 2030.”
Mais informações: http://rio.unic.org/
Por Maurício Hashizume
A erradicação do trabalho escravo no Brasil precisa ser tratada como uma questão de curto prazo. A definição apresentada pelo ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH) da Presidência da República, busca diferenciar o problema de outras problemáticas de direitos humanos que dependem de mudanças de longo prazo referentes a aspectos culturais, educacionais e até geracionais.
Repetido em diversos momentos, o posicionamento do ministro soou como convocação a empresários presentes no seminário Responsabilidade Social das Empresas e os Direitos Humanos - Encontro de Presidentes, na última terça-feira (24). Realizado em São Paulo, o evento contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de vários presidentes de empresas.
Paulo Vannuchi pediu apoio para uma série de medidas como a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 438/2001, que determina o confisco da propriedade em que a exploração de mão-de-obra escrava for constatada. "Esse instrumento legislativo pode ser uma ´pá de cal´ no trabalho escravo", destacou. Para ele, ainda há dúvidas sobre o estágio de convencimento dos parlamentares da importância de aprovação da emenda.
Já aprovada pelo Senado, a PEC 438 passou em primeiro turno no Plenário da Câmara Federal em agosto de 2004. Recolocada na pauta em maio pelo presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP), a chamada "PEC do Trabalho Escravo", defendida por dezenas de organizações que compõem uma frente própria que promoveu atos e organiza um abaixo-assinado, ainda não foi submetida à votação em segundo turno.
Outra proposição legislativa defendida pelo ministro foi a que converte a "lista suja" do trabalho escravo, que reúne empregadores flagrados pelo grupo móvel de fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) explorando trabalho escravo. Atualmente, o instrumento se enquadra como medida administrativa, condição essa que facilita a concessão de liminares na Justiça pela retirada temporária de nomes da "lista suja".
Além disso, Paulo Vannuchi ressaltou a importância do avanço das agendas dos governos estaduais com relação ao combate ao trabalho escravo. Clamou ainda pela necessidade de mais suporte ao trabalho da Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae), que acaba de concluir o processo de atualização do Plano Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo.
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Brasília - Os cariocas que passaram na manhã hoje (27) pela orla de Copacabana, na zona sul do Rio, encontraram 4 mil balões vermelhos espalhados pela areia da praia. Este é mais um protesto silencioso da organização não-governamental (ONG) Rio de Paz promovido para chamar a atenção ao número alarmante de vítimas da violência.
Segundo o presidente da ONG, Antônio Costa, se projetadas as estimativas de homicídios no estado do Rio de Janeiro para o próximo semestre, mais 4 mil assassinatos poderão ocorrer.
"Estamos fazendo uma projeção que representa um prognóstico certo, no mínimo, quatro mil pessoas vão morrer no próximo semestre só no Rio de Janeiro. Então, queremos chamar a atenção das autoridades públicas para esta tragédia iminente", argumentou.
O presidente do movimento Rio de Paz ressaltou ainda que os possíveis 4 mil mortos nos próximos meses serão jovens entre 14 e 25 anos, negros, pobres, que estão fora da escola, e envolvidos com o tráfico de drogas.
O estudante de 20 anos, Luís Alves, afirma que a população está indiferente a estes dados. Ele considera que falta maior mobilização para evitar as prováveis mortes.
"Isso é um índice de uma cidade em guerra. Há uma cumplicidade entre a corrupção e a indiferença do povo, que se omite. Isso é muito tristes especialmente por parte da juventude", acrescentou.
Desde a criação da ONG em 2007, o movimento já fez mais de 30 protestos em várias capitais do Brasil. Há um ano, a Rio de Paz elaborou um manifesto que já conta com dez mil assinaturas para serem encaminhadas a autoridades do estado do Rio e também ao governo federal. O documento estabelece metas para a redução de homicídios no país, defende a presença pacífica das policias nas favelas e mais investimentos em segurança pública.
Além dos alunos de diferentes períodos de Direção Teatral, os espetáculos também contam com a participação de estudantes da Escola de Belas Artes, responsáveis pelos cenários e figurinos, e de Produção Editorial, que produzem o material gráfico. Para conferir, basta ir ao campus da Praia Vermelha, na Avenida Pasteur, 250. As apresentações acontecerão na ECO e no 'Laguinho'. A entrada é franca, mas haverá distribuição de senha meia hora antes do início de cada peça teatral. Para mais informações: 3873-5073.
ZEROASEIS FAZ AUDIÊNCIA PÚBLICA
PARA MOSTRAR SAÍDAS
CONTRA VIOLÊNCIA
Número de refugiados e deslocados internos volta a crescer, diz ACNUR ACNUR - Uma nova pesquisa global divulgada hoje em Genebra pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) revela, pelo segundo ano consecutivo, o crescimento das estatísticas globais sobre refugiados e deslocados internos. De acordo com o relatório "Tendências Globais 2007", o número de refugiados fora dos seus países de origem subiu, entre 2006 e 2007, de 9,9 milhões para 11,4 milhões. Em relação às pessoas forçadas a se deslocar e que se encontram dentro de seus próprios países, os chamados deslocados internos, o crescimento foi de 24,4 milhões para 26 milhões - no mesmo período. O relatório tem como base informações de mais de 150 países. Este cenário representa um desafio sem precedentes para o ACNUR, cuja população sob sua proteção aumentou em 2,5 milhões de pessoas entre 2006 e 2007. De acordo com o relatório, esta população é hoje de 25,1 milhões de pessoas (11,4 milhões de refugiados e 13,7 milhões de deslocados internos). "Após cinco anos de queda no número de refugiados, entre 2001 e 2005, verificamos um aumento em dois anos consecutivos. Isso é motivo de preocupação," afirmou hoje em Londres o Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados, António Guterres, ao iniciar uma semana de atividades para marcar o Dia Mundial do Refugiado, celebrado em 20 de junho. O relatório observa que quase metade dos refugiados sob a proteção do ACNUR são afegãos (cerca de 3 milhões) e iraquianos (2 milhões). Os colombianos formam o terceiro maior grupo (552 mil refugiados), seguidos dos sudaneses (523 mil) e somalis (457 mil). Entre os principais países de refúgio estão Paquistão, Síria, Alemanha e Jordânia. Entre os deslocados internos, a maioria se encontra na Colômbia (cerca de 3 milhões de pessoas, de acordo com dados da Corte Constitucional). Em seguida estão 2,4 milhões de deslocados internos no Iraque, 1,3 milhão na República Democrática do Congo, 1,2 milhão em Uganda e 1 milhão na Somália. O total de 13,7 milhões de deslocados internos sob a proteção do ACNUR está distribuída por 23 países diferentes. Para o Alto Comissário António Guterres, o mundo enfrenta hoje uma complexa combinação de desafios que podem gerar mais deslocamento forçado no futuro. "Estes desafios envolvem conflitos múltiplos em regiões vulneráveis devido à má governança, degradação ambiental que aumenta a competição por recursos escassos e aumentos excessivos de preços que vêm atingindo os pobres com mais força, gerando instabilidade em muitos locais", explicou Guterres. Assim como no ano anterior, o aumento no número de refugiados em 2007 se deve em grande parte à instável situação no Iraque. "No Iraque, com uma disputa sectária e a ausência de solução política abrangente, o número de deslocados internos subiu de 1,8 milhão no início de 2007 para 2,4 milhões no final do mesmo ano", informa o relatório. Outras situações novas ou crescentes de deslocamento interno foram relatadas no Afeganistão, África Central, Chade, Sri Lanka, e Iêmen. O relatório revela também que 647 mil solicitações individuais de refúgio foram apresentadas a governos ou ao ACNUR no ano passado, em 154 países - 5% a mais que em 2006 e o primeiro crescimento em quatro anos. Esse crescimento pode ser atribuído principalmente ao grande número de iraquianos que buscam refúgio na Europa. Os países que mais receberam solicitantes de refúgio foram Estados Unidos, África do Sul, Suécia, França, Reino Unido, Canadá e Grécia. O relatório expressa preocupação com as amplas variações nas taxas de reconhecimento entre os países de refúgio, e nota que a maioria dos refugiados continua em suas regiões de origem, e não em países industrializados. Para Guterres, apesar do aumento da população de refugiados e deslocados internos, nem todas as notícias são ruins. "O objetivo do ACNUR é encontrar soluções duráveis para os refugiados, o que inclui a repatriação voluntária ao seu país de origem, a integração nos países de refúgio ou o reassentamento em um terceiro país. E nós podemos relatar algum progresso em todas essas áreas em 2007, embora ainda haja um longo caminho pela frente", concluiu ele. Entre os resultados positivos estão as cerca de 731 mil repatriações voluntárias registradas em 2007 (principalmente 374 mil afegãos, 130 mil sudaneses e 60 mil congoleses). Além disso, estima-se que 2,1 milhões de pessoas deslocadas internamente retornaram para seus locais de origem durante o ano. Outro dado positivo é o aumento substancial, em 2007, do número de refugiados reassentados em um terceiro país. No ano passado, o ACNUR submeteu 99 mil casos individuais para a consideração dos governos – o maior número em 15 anos e um aumento de 83% em relação ao ano anterior. Mesmo assim, menos de 1% dos refugiados no mundo está reassentado em um terceiro país. Ao final do ano, 73 mil refugiados foram aceitos em 14 países de reassentamento, incluindo Estados Unidos (48 mil), Canadá (11,2 mil), Austrália (9,6 mil), Suécia (1,8 mil), Noruega (1.100) e Nova Zelândia (740). Por nacionalidade, os principais beneficiados dos programas de reassentamento foram refugiados de Mianmar, Burundi, Somália, Iraque, República Democrática do Congo e Afeganistão. Também positiva é a redução, em cerca de 3 milhões, do número de pessoas consideradas apátridas. Essa queda se deve principalmente à nova legislação do Nepal que garantiu cidadania para aproximadamente 2,6 milhões de pessoas, assim como pelas mudanças em Bangladesh. Estima-se que existam atualmente cerca de 12 milhões de apátridas no mundo. A íntegra do relatório "Tendências Globais 2006" - ou "2007 Global Trends" - está disponível nos websites do ACNUR http://www.unhcr.org e http://www.acnur.org | |
| Última Atualização ( terça, 17 de junho de 2008 ) http://rio.unic.org/index.php?option=com_content&task=view&id=476 |
A cinco dias de seu início, o FML, que acontecerá na UFRJ, já conta com 566 inscrições vindas de todo o Brasil. Discussões serão divididas em cinco eixos, sobre temas como a democratização das verbas de publicidade, a formação dos “fazedores de mídia” e o surgimento de novas mídias, entre outros.
Maurício Thuswohl
RIO DE JANEIRO – Quinhentas e sessenta e seis pessoas já confirmaram, até o início desta terça-feira (10), sua participação no 1º Fórum de Mídia Livre (FML), que acontecerá no Rio de Janeiro nos dias 14 e 15 de junho. As inscrições continuam chegando de todo o Brasil, e a expectativa da organização do evento é de que pelo menos 800 pessoas façam parte das discussões que serão travadas no campus Praia Vermelha da UFRJ.
“O sucesso do Fórum já é muito grande, e a tendência é que aumente o número de inscrições nos últimos dias. As inscrições pela internet serão aceitas até o meio-dia de quinta-feira (12), mas será possível se inscrever também junto à organização no primeiro dia do evento”, explica Gustavo Barreto, editor do site Consciência.net e membro do comitê organizador do FML. As inscrições podem ser feitas através do endereço forumdemidialivre@gmail.com e os dados necessários são: nome completo, telefone, e-mail, cidade, estado e nome da entidade (se houver).
Na manhã de sábado (14) acontecerá a cerimônia de abertura do FML e, em seguida, terão início as mesas de discussão com cinco eixos temáticos: Políticas Públicas de Fortalecimento da Mídia Livre; Democratização das Verbas Publicitárias Públicas; Fazedores de Mídia; Formação para a Mídia Livre e Mídias Colaborativas, Novas Mídias.
O primeiro eixo de discussão, segundo os organizadores do FML, tratará temas como “regulamentações, Lei Geral da Comunicação, direito à comunicação, TV pública, telefonia e internet pública, convergência das mídias, pontões de cultura digital, etc”. O segundo eixo pretende analisar “a questão das verbas públicas de publicidade e propaganda e a garantia pelo poder público de espaços para os veículos da mídia livre nas TVs e nas rádios públicas, assegurando assim maior diversidade informativa e amplo direito à comunicação”.
O terceiro eixo, sobre o tema “Fazedores de Mídia”, pretende fazer um “mapeamento da rede de produtores de mídia livre, coletivos, sites, jornais, canais, empresas, agências e movimentos sociais que fazem mídia e propostas que tenham o ‘público’ e o ‘comum’ como referência”. Nesse eixo, será discutida a possibilidade de formação de um Portal de Mídia Livre, que poderá servir para potencializar o alcance e a possibilidade de sustentação da “mídia contra-hegemônica”.
No quarto eixo, serão analisadas as experiências de universidades, de educação não-formal, de escolas livres, empresas, ONGs, coletivos, etc, que “podem contribuir pela construção de uma ‘mente livre’ para formar ‘midiativistas’, jornalistas, radialistas, editores, publicitários, assessores, etc, que sejam criadores de atitudes agregadoras, conteúdos e pautas de fato novas, apontando e construindo assim novos e potentes cenários de expressão, trabalho e mudança”. O quinto eixo fará uma discussão sobre “os movimentos, projetos, ferramentas e tecnologias de criação livre (Software Livre, Creative Commons, Wiki, P2P, sites e portais colaborativos, etc) e as políticas de acesso e capacitação para o uso dessas ferramentas nos serviços públicos e mídias livres”.
Desconferências
Já que o objetivo maior do FML é garantir o direito humano à comunicação, a dinâmica de discussões no encontro promete ser uma atração à parte. Nos eixos temáticos, assim como na mesa de abertura, será utilizado o sistema de “desconferência”, com um máximo de dez convidados por eixo. Cada um deles fará uma intervenção/provocação de cerca de dez ou quinze minutos e, em seguida, a discussão será aberta para que todos os presentes ao grupo de trabalho possam emitir sua opinião.
No domingo (15), acontecerá a plenária final do 1º FML, onde serão apresentados os resultados das discussões travadas nos cinco eixos temáticos. A plenária terá espaço para a intervenção de convidados, como representantes de movimentos sociais, centrais sindicais, e partidos: “A intenção é que, durante a plenária final, seja também aprovado o Manifesto da Mídia Livre, documento de princípios do movimento”, afirma Gustavo Barreto. Além dos grupos de discussão, os dois dias de evento na UFRJ também abrigarão oficinas (já foram inscritas 16) sobre temas diversos ligados à comunicação.
Crescimento
A mobilização para o FML teve início em abril, durante um encontro que reuniu em São Paulo 42 jornalistas, estudantes, professores e “fazedores de mídia” de diversos pontos do país. Nesse encontro, foi redigido um esboço de um manifesto pela mídia livre, documento que foi discutido em reuniões que aconteceram em seguida nas cidades de Porto Alegre, Rio de Janeiro, Belém, Fortaleza, Recife e Aracaju. O movimento passou a abrigar centenas de pessoas, e boa parte delas estará no Rio de Janeiro no próximo fim de semana.
Segundo o manifesto, que terá sua versão final decidida na plenária final do 1º FML, “o setor de comunicação não reflete os avanços que ao longo dos últimos trinta anos a sociedade brasileira garantiu em outras áreas. Isso impede que o país cresça democraticamente e se torne socialmente mais justo. A democracia brasileira precisa de maior diversidade informativa e de amplo direito à comunicação. Para que isso se torne realidade, é necessário modificar a lógica que impera no setor e que privilegia os interesses dos grandes grupos econômicos”.
Veja abaixo a programação dos cinco eixos temáticos do 1º FML, que acontecerá no auditório Pedro Calmon, do Fórum de Ciência e Cultura (FCC) do Campus da Praia Vermelha da UFRJ (Avenida Pasteur, 250 - Urca):
Eixo 1 - Políticas Públicas de Fortalecimento da Mídia Livre
Coordenador: Antonio Biondi (Intervozes)
Confirmados:
- Caetano Ruas (Circo Digital/Pontão de Cultura Digital)
- Jorge Bittar (deputado federal PT-RJ)
- Lalo Leal (professor da USP)
- Marcos Dantas (professor PUC-RJ)
A confirmar:
- Helena Chagas (diretora de Jornalismo da TV Brasil)
Eixo 2 - Democratização das Verbas Publicitárias Públicas
Coordenador: Renato Rovai (revista Fórum)
Confirmados:
- Antonio Mello (Blog do Mello)
- Claiton Mello (Gerência de Marketing da Fundação BB)
- Dario Pignotti (Jornais Página 12, da Argentina, e La Jornada, do México)
- Emir Sader (CLACSO e Uerj)
- Giuseppe Cocco (Le Monde Diplomatique e revista Global)
- Joaquim Palhares (Carta Maior)
- Mário Augusto Jakobskind (Brasil de Fato)
- Robinson Almeida (secretário de Comunicação do governo da Bahia)
Eixo 3 - Fazedores de Mídia
Coordenador: Altamiro Borges (Vermelho)
Confirmados:
- Bárbara Szaniecki (revista Global)
- Beto Almeida (Telesur)
- Fátima Lacerda (Agência Petroleira de Notícias)
- Patrícia Canetti (conselheira titular de Arte Digital do CNPC)
- Paulo Lima (Viração)
A confirmar:
- Gilberto de Souza (Correio do Brasil)
- Heitor Reis (Abraço)
- Representante do Movimento Blogueiro do Rio Grande do Sul
- Sérgio Cohn (Revista Azougue)
Eixo 4 - Formação para a Mídia Livre
Coordenadora: Ivana Bentes
Confirmados:
- Augusto Gazir (Escola Popular de Comunicação Crítica - ESPOCC)
- Evandro Vieira Ouriques (Núcleo de Estudos Transdisciplinares de Comunicação e Consciência - NETCCON.ECO.UFRJ)
- Fábio Mallini (UFES)
- João Pedro Dias Vieira (professor da Uerj)
- Luciana Bezerra (Nós do Morro)
- Marcus Faustini (Escola Livre de Cinema de Nova Iguaçu)
- Zilda Ferreira (Educom)
A confirmar:
- Celso Athayde (Central Única de Favelas - CUFA)
Eixo 5 - Mídias Colaborativas, Novas Mídias
Coordenador: Gustavo Barreto
Confirmados:
- Claudia de Abreu (Comunicativistas)
- Ermanno Allegri (ADITAL)
- Oona Castro (Overmundo/Intervozes)
- Rita Freire (Ciranda)
A confirmar:
- Sérgio Amadeu (Faculdade Cásper Líbero)
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=15047