segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Portal Imprensa

Publicado em: 11/02/2008 17:33

"O Brasil é o país em que mais se processa jornalistas no mundo", afirma o jornalista Márcio Chaer

Por Ana Luiza Moulatlet/Redação Portal IMPRENSA

Sinal dos tempos, o Brasil é o país em que mais se processa jornalistas no mundo. E esse viés da democracia tupiniquim é fruto de três fatores: a descoberta de que o Judiciário pode ser um escudo eficiente para impedir a divulgação "picaretagens"; a constatação, da imprensa que fabrica notícias de encomenda, que uma eventual indenização será menor que o pagamento do interessado; e o erro puro e simples do jornalista, cometido sem intenção de prejudicar ninguém, ocasionado pelas eventualidades da profissão.

A opinião é de Márcio Chaer, publisher do maior site de Direito da América Latina, o Consultor Jurídico (www.conjur.com.br), veterano que já marcha para os 34 anos de jornalismo, com passagem por Gazeta Esportiva, Veja, Folha de S.Paulo, Estado de São Paulo, Jornal da Tarde, e American Chamber of Commerce. O Conjur coletou, em parceria com a ONG inglesa Article 19, dados surpreendentes: até o mês de abril de 2007, registravam-se 3.133 processos contra 3.237 jornalistas dos cinco maiores grupos de comunicação (Globo, Abril, Estado, Folha e Editora Três). Entre 2001 e 2007, o número de processos contra a imprensa cresceu 159%. A faixa média das indenizações passou de R$ 20 mil, em 2003, para R$ 80 mil em 2007.

Em entrevista ao Portal IMPRENSA, Chaer discorreu sobre as maneiras do jornalista se defender contra esses processos: "O jornalista tem que enxergar a lógica dos direitos: o do leitor, o das partes e o da imprensa. Em vez de afirmar que o alvo é criminoso, deve-se descrever a conduta criminosa. Evitar o 'falso outro lado', aquele truque de ouvir o acusado pra dizer que ouviu". Também falou, com autoridade, sobre temas polêmicos, como a liberdade de expressão, o segredo de justiça e o lobby das empresas de telefonia.


Leia a seguir a entrevista:

IMPRENSA - A revista Consultor Jurídico fez um levantamento inédito, dado pela ONG inglesa Article 19, indicando que o Brasil é o país em que mais se processa jornalistas no mundo. Quais são os números e por que essa fúria?

Márcio Chaer -
Começamos esse levantamento de forma organizada em 2001. Mas desde 1997 colecionamos todas as brigas judiciais que envolvam a imprensa. A estatística tem diversos complicadores. Todos os dias surgem processos novos, enquanto outros se encerram. A pesquisa mais recente pode ser lida em nosso site. O resumo da ópera é que houve uma explosão no volume de processos contra jornais e jornalistas. Há três motivos principais. O mais pitoresco e recente é o tipo de malandro que descobriu que o Judiciário pode ser um escudo eficiente para impedir que suas picaretagens sejam divulgadas. Outra turbina importante é a picaretagem do pessoal da imprensa que fabrica notícias de encomenda e avança o sinal, considerando que uma eventual indenização será menor que o pagamento do interessado. E o mais tradicional: o erro puro e simples, cometido sem dolo, sem intenção de prejudicar ninguém (mas prejudica), motivado pelas vicissitudes da profissão (pressa, descuido, ignorância, fonte mal informada ou mal intencionada). Esse lote é o maior de todos.


Leia mais:


http://portalimprensa.uol.com.br/portal/entrevista_da_semana/2008/02/11/imprensa17042.shtml

Direto da Redação

Publicada em: 17/02/2008
Leila Cordeiro

CAPITÃO NASCIMENTO, BUSCA-PÉ E O URSO DE OURO

Desde que estreou nas telas brasileiras, “Tropa de Elite” desencadeou uma série de discussões em torno da crueldade policial mostrada no filme. Críticos e defensores dos direitos humanos reclamaram da apologia da violência na maioria das cenas, alegando que policiais foram transformados em super-heróis no combate ao crime e aos criminosos.

Mas a maioria da população brasileira, segundo a mídia, aplaudiu de pé as cenas em que a polícia tortura os bandidos obrigando-os a se humilharem de joelhos, com sacos plásticos na cabeça à beira da asfixia. Para quem já foi vítima de algum tipo de crime ou tem alguém na família que passou por situação semelhante, o filme pode ter funcionado como uma espécie de válvula de escape, uma vingança, uma lavada na alma de quem não pôde reagir diante do poder de fogo dos marginais.

Tropa de Elite acabou levando o Urso de Ouro no festival de Berlim, apesar de torpedeado pela crítica internacional chegando a ser rotulado de fascista. Em entrevista à imprensa alemã, o diretor José Padilha discorda da afirmação de que o brasileiro tenha transformado o comandante do Bope no filme, Capitão Nascimento, em herói, porque, segundo ele, as pessoas são inteligentes no Brasil e sabem distingüir a ficção da realidade.

Para Padilha, o filme não é violento de graça. Ele mostra o que realmente acontece nos morros e favelas do Rio. A verdadeira guerra de guerrilha, entre traficantes e a polícia. Para ele, quando a crítica e a classe média se viram, frente à frente, com essa dura realidade sentiram-se um pouco culpadas por, de certa forma, serem coniventes com a injustiça social no Brasil.

O fato é que, cada vez mais, diretores brasileiros estão lançando no mercado nacional e internacional a cara feia do país para que o mundo e o próprio brasileiro não fique anestesiado pelo samba, suor e cerveja onde tudo acaba em pizza. A crise da violência é seríssima e precisa ser encarada de frente, com todas as suas cores.

Leia Mais:
http://www.diretodaredacao.com/

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

"Ajuda" de 60 bilhões à África é apenas promessa e deixa dúvidas
segunda-feira 11 de junho de 2007
Gustavo Barreto, Fazendo Media


Os países do G-8 anunciaram na semana passada, na Alemanha, a ajuda de 60 bilhões de dólares para combater a Aids e outras doenças na África - como a malária e a tuberculose - em frase repetida continuamente por toda a mídia brasileira. Em todo o noticiário da grande imprensa, com o tradicional oficialismo governamental predominando, foram notáveis as falhas provocadas pela ausência da crítica ao discurso das potências mundiais.
Apesar das promessas, organizações da sociedade civil nos países desenvolvidos fazem notar que o grupo ofereceu poucos fundos verdadeiramente novos para as populações mais pobres, e mesmo os novos ainda são promessas. Para se ter uma idéia, os países ricos descumpriram a promessa de duplicar a ajuda ao desenvolvimento, feita na cúpula do G-8 de 2005, em Gleneagles, na Escócia.
Além disso, a declaração do G-8 não estipula um cronograma. Apenas afirma que o dinheiro "será enviado ao longo dos próximos anos". Também não identifica os países individualmente ou quanto desta quantia já havia sido prometido. "Estou indignado. Acho que essa é uma linguagem deliberada de ofuscamento. Isso é algo feito intencionalmente para nos enganar", resume o roqueiro Bono Vox, que acompanha de perto o problema e freqüentemente alerta para a demagogia promovida pelos países do G-8.
(...)

Formato da ajuda não está claro Outra questão central é que algumas das mais importantes decisões relacionadas ao combate à Aids no mundo são tomadas em eventos como Assembléia Mundial da Organização Mundial da Saúde (OMS). Por coincidência, a 60ª edição da Assembléia ocorreu de 14 a 23 de maio, em Genebra, e os generosos diplomatas norte-americanos rejeitaram proposta dos países menos desenvolvidos, liderados pelo Brasil, para que a OMS preste assistência técnica e normativa às nações que desejem recorrer a medidas que amplie o acesso a medicamentos, como o licenciamento compulsório. A resolução, que teve forte rejeição dos países do G-8, também abre espaço para a criação de um sistema de pesquisa e desenvolvimento na saúde que diferencie o preço das invenções do preço dos produtos.
(...)

Em Mali, lições sobre a "ajuda humanitária" Outra questão que é pouco comentada na imprensa mundial é a "contribuição" dos países ricos por meio dos organismos financeiros internacionais, em grande parte formados por integrantes dos governos das super potências ou indicados por estas. Mali é um dos países onde a ajuda prometida (porém não cumprida) dos países ricos é alocada. Procurando fiscalizar a destinação do dinheiro prometido na Escócia, em 2005, membros da Oxfam e jornalistas do The Guardian visitaram a cidade de Intadeyni e conheceram uma das escolas que poderiam ser beneficiadas pela efetivação das promessas.
Mali, localizado no lado oeste do continente africano e que faz fronteira com a Argélia, sofre tanto com a pobreza quanto com a ingerência do Fundo Monetário Internacional (FMI). É um dos últimos colocados no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), medido pela ONU. Os funcionários do FMI em Mali defendem o interesse dos investidores nas jazidas de ouro descobertas no final dos anos 90, no sul do País, entre outros recursos, além de promoverem o ajuste fiscal - nada condizente com as imensas necessidades da população.
(...)


Leia mais: http://www.ciranda.net/spip/article1394.html

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Anabolizantes

Polícia civil do Rio de Janeiro desarticula quadrilha que comercializava anabolizantes e remédios falsificados para academias de ginástica e farmácias

Do Rio de Janeiro
Fabíola Ortiz

Doze pessoas foram presas hoje de manhã (14) no Rio de Janeiro em operação da polícia civil para reprimir o comércio ilegal de anabolizantes e remédios de emagrecimento proibidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).

Participaram da operação cerca de 50 policiais de delegacias especializadas e da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE) para cumprir 13 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão. Segundo informações da polícia, uma pessoa foi presa em flagrante e outras duas ainda estão foragidas.

Um dos focos da ação policial foi na Baixada Fluminense, onde duas farmácias que participavam do esquema e revendiam medicamentos foram fechadas.

Entre os presos, dois são professores de academias e personal trainers que foram surpreendidos em suas residências na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro. O principal distribuidor de medicamentos também foi preso em casa na Ilha do Governador, na zona norte da cidade. O ponto de distribuição dos anabolizantes ficava localizado no morro do Dendê. Quando os policiais chegaram no local foram recebidos a tiros por traficantes. O dono de uma farmácia também foi preso na Ilha do Governador, ele trabalhava no estabelecimento que distribuía os medicamentos.

Segundo o titular da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Saúde Pública, Marcos Cipriano de Oliveira Mello, foram apreendidos medicamentos contrabandeados, falsificados, comprimidos, drogas injetáveis e até remédios para cavalo.

“Nós conseguimos identificar uma quadrilha que vem repassando anabolizantes, remédios controlados para emagrecimento e proibidos, contrabandeados, além de Viagra falsificado e Citotec”, afirmou Cipriano.

O delegado ainda afirmou que a quadrilha tinha uma relação direta com as academias. “A partir da prisão desse grupo, eu tenho certeza que um grande braço que traz esse material proibido hoje foi desmantelado e preso”, disse.

A orientação, segundo Marcos Cipriano, é nunca utilizar esses tipos de medicamentos, apenas com prescrição médica. “Além do uso indevido, as pessoas ainda usavam medicamentos falsificados que agravam ainda mais a saúde”.

As investigações começaram há cerca de seis meses. Os presos vão ser indiciados por formação de quadrilha e crime contra a saúde pública que prevê pena de 10 a 15 anos de prisão.

Leia no Consciencia.net:

http://cafe-da-manha.blogspot.com/2008/02/polcia-civil-do-rio-de-janeiro.html

TV digital

Potencialidades para uma nova TV brasileira

12/02/2008 |
Tadao Takahashi | Revista SescTV
Observatório do Direito à Comunicação

A migração da TV analógica para a digital, bem como o interesse do Governo Federal em promover a televisão pública como motor de uma cidadania mais informada e participante, têm trazido inúmeras discussões sobre o potencial da TV para além do entretenimento. Em tempos de mudanças e expectativas, Tadao Takahashi, diretor geral do Instituto Sociedade da Informação (ISI) e Presidente do Conselho de Administração da Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto ACERP/TVE Brasil), fala ao SESCTV sobre novos rumos, desafios e possibilidades de uma televisão interativa, de qualidade e democrática.

*

Quais as implicações sociais, econômicas e culturais mais significativas trazidas pela mudança do sistema de TV analógico para o digital?

Do ponto de vista tecnológico, a televisão digital terrestre não é muito novidadeira, pois boa parte das funções que ela embute ou você tem na internet, ou na TV por assinatura de sinal fechado. O interessante da TV digital terrestre é a possibilidade de juntar essas funções em uma coisa só e ser de sinal aberto. Assim, 90% da população brasileira teriam acesso a um meio tecnológico bidirecional (o espectador recebe informações, mas pode também interagir com elas), tanto para entretenimento quanto como para serviços públicos e assim por diante. Então, há um potencial de democratização do acesso à informação, da possibilidade de buscar informação e não apenas ficar sentado recebendo. A combinação de interatividade com recepção de som e imagem em alta qualidade dá para a pessoa, ou para a residência, a possibilidade de ser uma espécie de passageiro inicial do mundo globalizado, da internet, sem o custo que a internet atualmente acarreta.

Quais as perspectivas da TV digital se tornar uma ferramenta de amplo alcance para combate à exclusão digital?

A função de comunicação da internet tende a ser cada vez mais forte. Acredito que, em 2015 ou 2020, todo mundo vai ter acesso à rede. Se não diretamente, via celular. Então, creio que o grande veículo de inclusão digital dos próximos cinco ou dez anos em países como o Brasil tende a ser o celular evoluído, e não a televisão com Internet ou a internet com a televisão. Por outro lado, mesmo o celular evoluído continuará tendo algumas limitações em função de sua característica primeira, que é facilidade de carregar. A tela continuará pequena, a capacidade de memória tende a ser menor do que um computador, dentre outros detalhes que vão acabar incentivando a televisão como meio de combinar transmissão de informação e interatividade. Em um horizonte de dez anos, vai ter atividades que remetem à inclusão digital do ponto de vista de televisão digital com interação, computador e Internet com banda larga, e certamente o celular também. Teremos uma combinação dessas três coisas.

Leia mais:

http://www.fndc.org.br/internas.php?p=noticias&cont_key=228487

TIMOR LESTE

A violência contra-ataca

A violência no Timor Leste atingiu seu presidente, Ramos Horta, Nobel da Paz de 1996, e o o mítico líder da resistência armada contra Jacarta, José Alexandre "Xanana" Gusmão, atual primeiro-ministro. Forças da ONU são criticadas por sua atuação no atentado.

LISBOA, (IPS) - O Timor Leste viveu momentos de júbilo e esperança em maio de 2002, quando alcançou sua sofrida independência após 450 anos de colonialismo português e um quarto de século de ocupação da Indonésia, que deixou como saldo o genocídio de um terço da sua população. Mas a violência continua e nesta segunda-feira atingiu seu presidente, José Ramos Horta.

Além de Ramos Horta, ganhador do prêmio Nobel da Paz de 1996, também sofreu um atentado, do qual saiu ileso, o mítico líder da resistência armada contra Jacarta, José Alexandre "Xanana" Gusmão, atual primeiro-ministro deste jovem país que ocupa a parte oriental da ilha de Timor, no sudeste do arquipélago indonésio e no norte da Austrália.

O ex-major Alfredo Reinado e um grupo de seus soldados fiéis foram os autores do ataque contra a residência de Ramos Horta, o político de maior consenso entre a classe política e de maior popularidade, que já foi transportado para um hospital australiano onde se debate entre a vida e a morte. Entre os abatidos neste enfrentamento armado está o líder rebelde.

Enquanto isto acontecia em Dili, capital do Timor Leste, em uma ação sincronizada o tenente Gastão Salsinha, segundo no comando do major Reinado quando ele dirigia o regimento da Polícia Militar, praticava uma emboscada contra Gusmão em uma estrada rural, a qual não teve conseqüências para o primeiro-ministro.

O prestígio de Gusmão provém de sua atuação como líder de um grupo guerrilheiro que nunca passou de 200 homens, mas que apresentou uma luta sem quartel aos 22.000 soldados indonésios que ocuparam a ilha em 1975, um ano após o golpe de Estado que pôs fim à ditadura corporativista lusitana (1926-1974), quando Portugal dissolveu seu vasto império colonial.

A impiedosa ocupação concluiu em 1999, quando uma força internacional da Organização das Nações Unidas (ONU), encabeçada pela vizinha Austrália e secundada por Portugal, obrigou o exército de Jacarta a empreender a retirada, deixando, durante os 24 anos de ocupação, um saldo trágico de 210.000 mortos, de uma população que, em 1975, era de 660.000 pessoas.

O lendário "comandante Xanana", que ao longo das quase três últimas décadas do século passado foi conhecido como "o Che Guevara de Ásia", em referência ao revolucionário argentino-cubano Ernesto Guevara de la Serna, contou sempre com a incansável ação de Ramos Horta no plano internacional. Uma dupla insubstituível para a conquista da independência.

Durante uma passagem recente por Lisboa, Ramos Horta comentou que este genocídio, o maior em termos proporcionais à população de um país que foi registrado no século XX, junto com enfrentamentos posteriores entre grupos timorenses, deixou "feridas antigas, que são profundas, e que foram reabertas no último conflito (de 2006)".

Ramos Horta, no seu último diálogo com IPS durante uma visita oficial, em janeiro, a Portugal, reconheceu que "as dificuldades são enormes e a pobreza no país é generalizada".

A estabilidade democrática "leva muitos anos para se desenvolver e, às vezes, as pessoas esquecem que só estamos vivendo nosso quinto ano de independência", concluiu Ramos Horta nessa ocasião.

Entre o final de abril e o começo de maio de 2006 estourou a crise iniciada com o abandono da cadeia de mando das Forças Armadas pelo major Reinado que, junto com 20 militares e policiais, entraram em combate contra efetivos leais ao então primeiro-ministro Mari Alkatiri, presidente da Frente Timorense de Libertação Nacional (Fretilin), que assumiu o governo após a independência.

Os violentos enfrentamentos chegaram ao auge em junho de 2006, parecendo indicar que a longa luta pela liberdade havia se transformado em uma surda disputa pelo poder, com temperos australianos e portugueses nos bastidores.

Nesses dias, os combates adquiriram vastas proporções, deixando como saldo 40 mortos. Então, o major Reinado, cercado por forças locais, australianas, portuguesas e malásias, entrincheirou-se na selva com Salsinha e uns 20 incondicionais, e foi daí que desceram nesta madrugada para atentar contra a vida dos dois principais "pais da nação".

A desculpa para o levante é a suposta discriminação étnica contra os loromunus, timorenses da parte ocidental, por parte dos lorosae, do setor oriental. Segundo os primeiros, eles são subjugados pela hierarquia controlada pelos segundos nas Forças Armadas e na Polícia Nacional.

Para aceder à chave dos atentados da madrugada de segunda-feira é preciso voltar ao dia 27 de abril de 2006, quando estourou a intensa crise político-militar, alimentada pela desintegração da Polícia Nacional e fortes divisões no seio das incipientes Forças Armadas, criadas sobre a base dos antigos guerrilheiros que combateram contra o exército indonésio.

Entre o final de abril e maio desse ano, o protesto traspassou as portas dos quartéis e ganhou as ruas de Dili e Baucau, a segunda maior cidade do país, causando um pânico generalizado.

A polícia sumiu e ninguém conseguiu deter os civis loromunus, que incendiaram casas de lorosaes, os quais abandonaram Dili em grande número e procuraram refúgio nas montanhas vizinhas.

Nesta segunda-feira, a tensão reina no Timor Leste, mas, apesar disso, todas as notas dos jornalistas portugueses destacados na ex-colônia coincidem em que tudo funciona com normalidade e que Ramos Horta está em estado grave, mas estável. Este foi "um ataque covarde contra o presidente da República, contra o primeiro-ministro e contra as instituições", disse Gusmão, no momento de declarar o estado de sítio por um período inicial de 48 horas. Por sua vez, o chanceler Zacarias da Costa indicou que Ramos Horta foi levado para a Austrália após ser operado em Dili, onde foi extraída uma das duas balas que perfuraram seu estômago. Ao mesmo tempo, o tenente Carlos Correia, da brigada "Bravo" da Guarda Nacional Republicana (GNR) portuguesa, confirmava a morte do major Reinado, mas sem conseguir especificar o número de vítimas deixado pelos enfrentamentos.

Ao mesmo tempo, começaram a surgir as críticas contra as forças da ONU estacionadas no Timor Leste para garantir a paz, acusadas de não agirem com a prontidão exigida para salvar a vida do primeiro-ministro.

"As forças da ONU colocaram barreiras nas estradas, mas não prestaram socorro imediato a Ramos Horta e ele ficou mais de uma hora deitado em seu quarto à espera de auxílio", acusou, em declarações feitas à agência portuguesa Lusa, João Carrascalão, líder da União Democrática Timorense (UDT) e um dos políticos mais influentes do país.

"O que é realmente grave, é que a Unpol (Polícia da ONU) chegou até o lugar do atentando e parou a 300 metros, não oferecendo nenhuma assistência para Ramos Horta e foi, então, a GNR que prestou socorro a ele", denunciou Carrascalão.

A ONU, segundo as notas jornalísticas lusas, limitou-se até agora, meio-dia hora GMT desta segunda-feira, a pedir que a população timorense restrinja seus movimentos e que as famílias permaneçam em casa, colocando suas forças em "alerta máximo"

Ao coro de críticas contra a ONU juntou-se o ex-primeiro-ministro Alkatiri, que, apesar de suas divergências com Ramos Horta e Xanana Gusmão, pediu oficialmente, em sua condição de líder do opositor Fretilin, que sejam apuradas as responsabilidades da missão da ONU no Timor Leste pelos atentados sofridos pelo presidente e pelo primeiro-ministro.

Na efêmera existência do primeiro novo país do século XXI e o segundo mais novo depois do ex-iugoslavo Montenegro, os pratos da balança política no Timor Leste continuam cheios de sinais contraditórios.

Tradução: Naila Freitas / Verso Tradutores

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

ANDI - Agência de Notícias dos Direitos da Infância


Adolescentes com deficiência não se consideram retratados na Mídia de três países latino-americanos

11/02/2008

• Pesquisa realizada pela ANDI aponta que adolescentes com deficiência pouco se identificam no conteúdo dos meios de comunicação brasileiros, argentinos e paraguaios
• No Brasil, as ações de merchandising social apresentam impacto positivo sobre os jovens


Garotas e garotos com deficiência pouco se reconhecem na programação de tevê, nos jornais e nas revistas. É o que revela o estudo Mais Janela que Espelho: a percepção dos adolescentes com deficiência sobre os meios de comunicação na Argentina, no Brasil e no Paraguai, lançado hoje (11/02) pela ANDI, Rede ANDI América Latina e Save the Children Suécia.

A pesquisa ouviu 67 adolescentes, a maioria na faixa dos 11 a 13 anos, com deficiência, de diferentes classes sociais, em três países latino-americanos – Brasil, Argentina e Paraguai – divididos em oito grupos focais nas cidades de São Paulo, Salvador, Buenos Aires e Assunção. A maioria esmagadora deles não se recordou de nenhuma notícia ou personagem televisivo que abordavam essa condição. “Apenas depois de diretamente questionados eles lembravam de algo e falavam no assunto”, conta Guilherme Canela, coordenador de Relações Acadêmicas da ANDI e do estudo.

Quando estimulados, os adolescentes brasileiros se lembraram de mais personagens do que os argentinos e os paraguaios. Isso se deve, especialmente, a ações de merchandising social que incluem pessoas com deficiência nas telenovelas (especialmente as da Rede Globo), em histórias em quadrinhos e programas infantis. Personagens como os cegos Flor e Jatobá, da novela América (rede Globo), Clarinha, que tinha Síndrome de Down na novela Páginas da Vida (também da rede Globo) ou o cadeirante Luca, da Turma da Mônica criada por Maurício de Souza, foram mencionados pelos meninos e meninas.

Além de lembrar personagens criados para abordar a questão, o grupo brasileiro se identificou com o que era mostrado na telinha ou no papel. E não foi uma identificação negativa. “Os adolescentes não demonstraram autopiedade. Essas ações têm um impacto muito interessante”, explica Canela. Clara por exemplo, foi considerada ‘legal’, ‘bonita’, ‘mais desenvolvida’. A identificação com a personagem foi tanta que uma participante da pesquisa chegou a dizer que “Clara era igual a mim”.

Uma janela para outros mundos

Embora o merchandising social tenha demonstrado certo impacto, o fato de os participantes da pesquisa não se recordarem espontaneamente de personagens e notícias sobre essa parcela da população é preocupante. “Por se reconhecerem pouco na programação da tevê, os adolescentes com deficiência não têm na televisão um espelho, mas uma janela”, conclui a pesquisa. Isso significa que a realidade que esses garotos e garotas apreendem por meio dos veículos de comunicação não reflete, ainda que minimamente, seu mundo e suas experiências. Nesse sentido, os meios de comunicação funcionariam como uma vitrine, uma janela para outros mundos.

Uma das conseqüências disso, segundo Guilherme Canela, pode ser uma dificuldade extrema de reflexão sobre sua condição – um dos componentes essenciais para a luta pela garantia dos seus direitos. “A mídia deveria mostrar, de forma menos desigual, a sociedade tal qual é com pessoas de diferentes gêneros, etnias, classes sociais, condições físicas e psíquicas – independentemente de ações de merchandising social”. O estudo apontou, por exemplo, que os meninos e meninas estão mais preocupados com a situação de crianças pobres ou de idosos do que com os seus próprios entraves para a plena efetivação de seus direitos.

Leia mais

http://www.andi.org.br/

http://www.andi.org.br/_pdfs/mais_janela_que_espelho.pdf

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Qualidade na TV?

01/02/2008 |
Redação
Observatório do Direito à Comunicação

Esther Hamburger - Publicado originalmente na Revista SescTV

A qualidade da programação é determinada pela audiência? Ou a audiência determina a qualidade da programação?

Na entrevista deste mês, Esther Hamburger, antropóloga e professora do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), mostra como esse falso “dilema do ovo e da galinha” é construído e distorce a relação entre emissoras de televisão, público e pesquisas de audiência। Fala também sobre mecanismos de regulamentação e o que seria uma programação de qualidade, que foge ao estereótipo do que é estabelecido como o “gosto da audiência”.

*

As emissoras, quando questionadas pelos críticos de TV a respeito da má qualidade da programação, rebatem dizendo que veiculam aquilo que o público quer assistir, medido pela audiência।Como você vê essa questão?

Na resposta das emissoras a essas críticas está embutida a idéia de que uma programação de qualidade não segura audiência. Acho isso um grande preconceito. A televisão brasileira já teve uma qualidade reconhecida dentro e fora do Brasil. Quem tem memória da televisão nos anos de 1980 e 1990, por exemplo, lembra que a TV aberta era tida como um veículo de aprendizagem, porque trazia muita informação. E as pesquisas de audiência são uma medida nesse jogo da interlocução entre as emissoras e o público. Acontece que esse padrão de medida, no caso brasileiro, era muito distorcido, e ainda é. Por exemplo, até o final dos anos de 1990, essas pesquisas, inclusive o Ibope, excluíam as populações de baixa renda por não serem consideradas consumidoras. O anunciante só estava interessado no público a partir de um determinado poder aquisitivo, daí essas populações ficarem de fora do sistema. E como no Brasil tudo é paradoxal, isso significou que a televisão nivelou sua programação por cima ou pela média em vez de nivelar por baixo, como é o caso da TV americana, que até recentemente era uma coisa de muito pouco interesse. O paradoxo está no fato de que a TV comercial em geral é pensada como “nivelada por baixo” – porque essencialmente não é para ser provocativa, ela visa à reprodução de consensos –, mas a TV brasileira, até o fim dos anos 90, nivelou pelo meio ou por cima, resultando em uma qualidade de programação melhor, que hoje se perdeu. E se perdeu por esse preconceito dos programadores. Hoje, se a grande maioria é reconhecida como consumidora, a audiência é nivelada por baixo.

Quem é essa audiência?

Tudo isso [a relação entre programador, público e as pesquisas de audiência] é, na verdade, um jogo imaginário, porque não existe audiência concretamente. Você não junta no Estádio do Morumbi a audiência da novela das oito. Audiência é uma categoria simbólica, não existe de fato. Você não toca nela, você não distribui um questionário para ela. Você faz um questionário para poucas pessoas que compõem um coletivo que você está inventando. Audiência é um conceito construído de acordo com algumas noções sobre quem é essa audiência. O Rubem Fonseca [escritor brasileiro] tem um conto muito interessante que se chama “Mulher”, e conta a estória de uma revista feita para um público chamado de “mulheres de classe C”. A redação é toda de homens e quem narra o conto é um jornalista demitido de uma seção policial de um jornal diário e que só consegue emprego naquela revista. Ele é contratado para cuidar de uma seção de cartas do leitor. Começa a inventar a personagem que ia responder às cartas e inventa também cartas que essa personagem recebe. Depois de um tempo, ele começa a receber cartas de verdade, com consultas de verdade. No fim da narrativa, vem um técnico de pesquisa de audiência e revela para aquela redação que o público deles não era de “mulheres de classe C”, como eles imaginavam e construíam. Eles atingiam, na verdade, “homens de classe B”. A última revelação do conto é que uma das pessoas que se correspondia com o jornalista era o próprio editor da revista, que era gay, tinha uma vida secreta e revelava isso nas cartas. Então, é legal pensar justamente esses desentendimentos que surgem a partir das distorções das pesquisas de audiência. O que se faz na TV aberta, muitas vezes, é imaginar um outro que você solenemente despreza.

Então, a suposta escolha da audiência não determina muita coisa...

Não. Acho que a programação é basicamente determinada pela produção, por quem controla a programação. O público tem capacidade para optar entre aquilo que vai ao ar na TV aberta. Mas essa capacidade de escolha do telespectador é muito limitada; há um menu bastante limitado de programas a serem escolhidos. E eles são muito parecidos entre si. Para falar em qualidade da programação, temos que pensar fundamentalmente em quem está produzindo. Sem dúvida isso é mais importante do que pensar no público, em um primeiro momento. Quem está produzindo é quem tem efetivamente a possibilidade de fazer algo interessante ou não.

Discutir qualidade na programação passa por determinar mecanismos de regulamentação para as emissoras e produtores?

Isso não tem a menor dúvida. E acho que a demanda do público não é só por medidas como a classificação indicativa, que gerou tanto debate. Acho bom de fato ter lá uma classificação indicativa, mas não acho que seja a principal questão, porque as pessoas são capazes de olhar e ver se querem que seus filhos assistam aquilo ou não. Acho que a demanda do público é por respeito e por uma programação que não subestime a inteligência das pessoas. É qualidade nesse sentido: uma programação estimulante, desafiadora, que faça crescer. É muito mais barato fazer um programa de auditório – não que não existam bons programas de auditório, mas é uma das coisas mais baratas que tem. E aí você coloca a culpa na audiência pela falta de investimento em programas de qualidade maior, mais elaborados. Agora, as melhores coisas na TV brasileira foram feitas com risco, já que não se enquadravam no que é veiculado normalmente. Mas acho que é isso que o público espera: coragem de quem detém a capacidade de produzir de inventar coisas novas.

O que seria uma programação de qualidade?

Não sei se qualidade é um termo bom. Não existe algo objetivo que a defina. O que pode ser bom para mim não é bom para o outro, por exemplo. Qualidade pode ser apenas a qualidade técnica, ou só qualidade ideológica – um bom programa que ninguém assiste por ser tecnicamente ruim, por exemplo. Então o que é uma coisa que escapa do estereótipo? Acho que é algo inteligente, como as séries Hoje é dia de Maria e Cidade dos Homens, o programa infantil Castelo Rá Tim Bum, só para citar algumas das muitas iniciativas que vemos por aí e que tiveram muita audiência. De certa forma, esses programas são “independentes” e representam a desproporcionalidade entre o que se tem de energia e capacidade de realização e aquilo que efetivamente ganha espaço de difusão na TV aberta.


http://www.fndc.org.br/internas.php?p=noticias&cont_key=226896

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Agência Lusa - CARNAVAL 2008

Chegada da família real inspira escolas de samba do Rio

31-01-2008 10:29:14

Rio de Janeiro, Brasil, 30 jan (Lusa) - A chegada da família real portuguesa ao Brasil será o tema de inspiração para o desfile de quatro escolas de samba do Rio de Janeiro.

As cores verde e branca da Casa de Bragança foram escolhidas como símbolo do carnaval deste ano, por iniciativa do prefeito do Rio de Janeiro, César Maia.

A apresentação de duas escolas que iniciam os desfiles de domingo e segunda-feira de Carnaval - São Clemente e Mocidade Independente de Padre Miguel, respectivamente - será dedicada aos 200 anos da chegada da corte portuguesa.

As duas escolas receberam da prefeitura um patrocínio de R$ 2 milhões cada, recursos que vão ajudar a uma verdadeira revisão da história na passarela do samba.

A São Clemente, com 4.000 componentes, promete uma "entrada régia" neste Carnaval 2008, cantando os feitos joaninos sob o enredo "O clemente João VI no Rio: A redescoberta do Brasil".

As alegorias da escola vão retratar os ganhos do Rio de Janeiro sob a regência de D. João, como a criação do Jardim Botânico, da Biblioteca Nacional e da Casa da Moeda.

A escola Mocidade Independente de Padre Miguel, com 4.300 integrantes, tem como tema "O Quinto Império: De Portugal ao Brasil, uma Utopia na História", uma forma diferenciada de homenagear a vinda da família real para o Brasil.

A crença de que o rei D. Sebastião, desaparecido na batalha de Alcácer-Quibir, no norte de África (1578), iria voltar para estabelecer um império em Portugal, dominado pela Espanha entre 1580-1640, sobreviveu no imaginário português até ao século XVII.

O texto faz também alusão à lenda brasileira de que D. Sebastião, vencido pelos mouros, teria sido encantado na Praia dos Lençóis, no Estado do Maranhão, onde teria um palácio de ouro, cristal, esmeraldas e outras pedras preciosas.

A escola Imperatriz Leopoldinense apresentará a história de "João e Maria", que retrata a importância de D. João VI e das Marias que o ajudaram a construir parte da história do Brasil.

O Salgueiro, outra das 12 escolas que integram o grupo das principais agremiações do Carnaval do Rio de Janeiro, também fará alusão aos 200 anos da chegada da corte portuguesa ao Brasil.

A família real também inspirou a decoração neste Carnaval das ruas do Rio de Janeiro, que serão enfeitadas com personagens da corte portuguesa.

O desfile de abertura do carnaval de rua aconteceu terça-feira, com atores a representar a corte portuguesa, num desfile com trajes da época, pelas ruas do centro da cidade.

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BRASIL DE FATO

ONU quer aumentar efetivo policial no Haiti

22/01/2008

Vinicius Mansur, de São Paulo (da Radioagência NP)

Um dos objetivos da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah) para os próximos cinco anos é aumentar o efetivo policial de 8 mil para 14 mil homens no país. Este foi o anúncio feito pelo representante especial do Secretário-Geral das Nações Unidas (ONU) no Haiti, o tunisiano Hédi Annabi, em sua primeira visita oficial ao Brasil. Annabi afirmou que “uma vez melhorada a situação de segurança, é hora de reconfigurar a Minustah”.

O conselheiro efetivo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Rio de Janeiro, Aderson Bussinger, enviado pela entidade ao Haiti em julho do ano passado, não vê sentido na medida. “Se você dissesse que eles estão mudando o contingente das forças para assistentes sociais, para médicos, para dentistas, para engenheiros, é uma outra natureza. Mas essa natureza que está lá continua sendo uma presença estritamente militar. Essa mudança com caráter mais policial para mim não muda o caráter militarista, beligerante, contra o povo”.

Após sua passagem pelo Haiti, Bussinger preparou um relatório crítico à ação militar no país, defendendo que a intervenção brasileira deveria assumir um caráter humanitário. O conselheiro da OAB também criticou a previsão de manutenção das tropas por mais cinco anos. O término da missão já havia sido adiado para o dia 15 de outubro de 2008. Mas, de acordo com Annabi, o Conselho de Segurança da ONU deverá prorrogar mais vezes a missão.

Além de aumentar o efetivo policial, o representante da ONU também destacou o envio de contingentes militares às fronteiras do país. De acordo com Annabi, o Haiti perde entre US$ 150 milhões e US$ 250 milhões por ano pela falta de controle nas fronteiras.

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FÓRUM ECONÔMICO MUNDIAL

Direitos humanos não têm lugar no Fórum

Ravi Kanth Devarakonda

Davos, Suíça, 28/01/2008(IPS) - Os líderes políticos e empresariais no Fórum Econômico Mundial, na Suíça, se concentraram no terrorismo como uma das maiores ameaças à paz, mas não abordaram o risco que seu combate representa para os direitos humanos.

O presidente do FEM, Klaus Schwab, disse que, além da luta contra o terrorismo internacional, os debates da edição deste ano passavam pela mudança climática, como colocar em marcha um processo de paz factível para o Oriente Médio e a maneira como a tecnologia pode marcar o início de uma nova era de redes sociais para além das fronteiras.

Mas, em nenhuma instância deste encontro de governantes do Norte industrializado, executivos de multinacionais e especialistas em finanças, que começou na quarta-feira e terminou ontem no centro turístico suíço de Davos, se tratou da ameaça aos direitos humanos que implica o modo como os Estados Unidos e seus aliados encararam sua luta contra o terrorismo.

“Estudou-se o assunto com um painel de destacados especialistas legais de 30 países e é um problema grave que leva ao desgaste das instituições responsáveis por garantir o direito”, disse à IPS a Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Mary Robindon. “Não fomos efetivos na hora de garantir que as medidas antiterroristas salvaguardassem os direitos humanos básicos em vários países”, admitiu. Em Davos não houve um debate específico a respeito.


(IPS/Envolverde) (FIN/2008)

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FÓRUM SOCIAL MUNDIAL

Diversidades ainda não reconhecidas

Mario Osava

Campo Grande, 28/01/2008 (IPS) - Para muitos, o Fórum Social Mundial perdeu repercussão e eficácia, talvez por adiantar-se muito à opinião pública e a procedimentos políticos ainda dominantes, mas não à realidade deste tempo, que exige soluções complexas e urgentes.

Manter-se como um “espaço aberto” de debates e articulação para o fortalecimento da sociedade civil, de forma horizontal e sem adotar resoluções, rejeitando tentações de se converter em um movimento para influir diretamente no poder marca diferenças com a cultura política vigente e causa tensões internas no FSM. A organização em redes, não hierárquica, com o reconhecimento e o respeito à diversidade em todas as dimensões, são parte da democracia futura que teóricos do fórum pretendem construir a partir de seus próprios processos internos, e que é pouco compreendida pelo publico e mesmo por muitos participantes do próprio FSM.

A crise do clima revitaliza o lema do Fórum, “outro mundo é possível”, acentuando o “necessário” que lhe agregam muitos ativistas. O nível de conhecimento atual do fenômeno indica que a transformação será inevitável, com um sentido positivo se assim decidir a humanidade, ou catastrófico, se predominar a inércia. Isto abre melhores possibilidades de desnudar os valores e as estruturas que conduzem o mundo a um desastre e da necessidade de mudá-los, observou um dos fundadores do FSM, o brasileiro Francisco Whitaker, em recente artigo escrito em defesa de um fórum aberto, diante de propostas de convertê-lo em instrumento de ação.

A questão climática e ambiental estará no centro da conferência mundial que o FSM retomará em 2009, após substituí-la este ano por manifestações descentralizadas do Dia de Ação Global, que aconteceram no sábado. Não por casualidade a Amazônia foi eleita sede do próximo encontro, mais especificamente a cidade de Belém, no Pará. Mas as dificuldades do Fórum derivam, em última instância, da enormidade do desafio de articular e mobilizar a sociedade civil global por “outro mundo”, mais seguro e mais justo.

O planeta se tornou mais complexo com a diversidade de interesses e culturas que já não aceitam a submissão. Mulheres, negros, indígenas, “loucos”, gente com “deficiências”, jovens, homossexuais, todos reclamam protagonismo e inclusão. Para as populações aborígines, os Estados nacionais “não servem, porque seguem um modelo não-indígena, incapaz de entender a diversidade”, afirmou Lisio Lili, membro do povo terena e do Comitê Intertribal, acrescentando uma nova complicação, ainda pouco considerada, ao mundo que os ativistas do FSM querem transformar.

(IPS/Envolverde) (FIN/2008)

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terça-feira, 29 de janeiro de 2008

CAFÉ HISTÓRIA

O Café História é uma rede social voltada para estudantes, professores, pesquisadores e amantes de História. Sua interface se baseia no conceito de Web 2.0, onde cada internauta é potencialmente um produtor de conteúdo.

Publique textos, fique informado, acompanhe pesquisas e troque idéias com os demais membros. O espaço é todo seu!


http://cafehistoria.ning.com/



Visite Cafe Historia

Credibilidade na imprensa

Elite brasileira confia mais na imprensa

O Brasil é o terceiro país com maior credibilidade na imprensa, ficando atrás somente do México (66%) e da Índia (65%), revela o Estudo Anual de Confiança, promovido pela Edelman, empresa norte-americana de relações públicas.

O estudo abrangeu a população com maior renda familiar em 18 países. No Brasil, 25% dos entrevistados têm mais confiança na mídia (64%) do que em empresas (61%), ONGs (51%), instituições religiosas (48%) ou no governo (11%).

Para se informar, os brasileiros recorrem mais aos jornais impressos (87%) e à TV (82%), depois às informações na Internet (52%), mas a maioria (41%) lê a versão impressa e a versão on-line dos jornais.

Artigos sobre negócios em revistas são preferidos pelos brasileiros (81%), depois em jornais (79%) e noticiários na TV (77%). Na Internet, 93% procuram notícias, 85% fazem pesquisa e o percentual de quem busca mensagens instantâneas é o mesmo de quem se interessa pelo comércio virtual: (79%).

Chega a 46% o número de brasileiros que lêem blogs, cuja credibilidade teve destaque. A Rússia foi quem demonstrou mais credibilidade (34%), seguida pela China (33%), Índia (29%) e Brasil (21%).

Para o estudo, foram entrevistadas 3.100 pessoas, com idades entre 35 e 64 anos, consideradas “líderes de opinião" em 18 países: Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, França, Itália, Espanha, Países Baixos, Suécia, Polônia, Irlanda, Rússia, China, Canadá, Japão, Índia, México, Brasil e Coréia do Sul.


Fonte: Sindicato do Jornalitstas Profissionais do Município do Rio de Janeiro
www.jornalistas.org.br


28 de janeiro de 2008

29 de janeiro: Dia do Jornalista

Por Marcello Pepe

De tão comum e cotidiano, fica difícil prestar devida atenção em como somos bombardeados por informação. São noticiários no rádio, telejornais, revistas, jornais diários e até, claro, os atuais Web sites sempre abarrotados de novidades, conhecimentos, cultura, fatos e fotos. É... nem sempre paramos para pensar no profissional que está por trás daquele texto bem escrito, que sintetiza várias horas ou dias em alguns parágrafos, que nos dão a perfeita localização no tempo e no espaço, nos transferindo conhecimento suficiente para podermos compreender, opinar e debater os assuntos do nosso interesse.

Poetas do cotidiano. Ah, sim. Assim deviam ser chamados estes ‘profissionais’ que nos poupam nosso precioso tempo, ofertando seus textos bem redigidos em forma de boa literatura para nossa degustação. Impressionante como conseguem resumir num título ou num ‘olho’ de matéria tudo aquilo que vamos digerir dalí pra frente.

É bonito quando terminamos a leitura de uma notícia, artigo, press-release, ou entrevista, e pensamos por um instante que estávamos mesmo ao lado deste ‘contador de estórias’, ouvindo até suas pausas para respiração, suas expressões faciais e corporais. Às vezes, me pego literalmente aplaudindo quando um comentarista como Arnaldo Jabor conclui seu raciocínio se utilizando tão somente das nossas usuais e corriqueiras palavras.

Arquiteto da ortografia, o bom jornalista é aquele que, assim como se faz na construção civil, emprega, da língua Portuguesa, os materiais básicos que 99% das pessoas comuns podem compreender, não fazendo disso um trabalho medíocre, mas, sim, emprestando sua arte para fazer com que tijolos, vergalhões, areia, pedra e cimento lingüísticos, nas medidas e proporções corretas, tomem a forma elegante e edificada que encontramos nas informações jornalísticas.

Como em todo ramo de atividade, nossa língua também é regida por leis. Hildebrando, Aurélio, Bechara. Estes são os juristas que me vêm à mente quando penso nas leis gramaticais e ortográficas do nosso bom Português. Mas, como toda norma perde seu valor onde há impunidade, não haveria de ser diferente quando do descumprimento das regras de comunicação em nossa língua. Não há multas, prisão, pontos na carteira, nada. Quem quiser sair por aí, redigindo numa língua que inventou, esqueceu ou não aprendeu, dizendo que sabe ler e escrever em Português, nada de ruim vai lhe acontecer. Até mesmo pelo fato que outros tão ou mais ignorantes estarão lá para ler e aceitar a distorção lingüística sem nem perceber a mácula que esta displicência causa ao nosso idioma.

Fiquei muito satisfeito ao saber que, apesar da grande maioria das universidades particulares ter abolido o exame vestibular para o ingresso de seu corpo discente, as faculdades ainda mantém uma prova de redação básica, onde, supõe-se, o candidato será avaliado pela sua capacidade de traduzir em textos seus pensamentos, sentimentos e idéias.

Das últimas décadas para cá, o homem veio deixando de buscar informações e conhecimentos através da língua escrita para se nutrir de sons e imagens hipnóticas através da televisão. É a geração MTV, que, num compreensível círculo vicioso, se tornou cada vez mais ignorante. Nos últimos anos, empresários, funcionários, estudantes e até donas de casa voltaram compulsoriamente ao hábito da leitura e da escrita.

A popularização da comunicação por email fez com que executivos, que usavam suas secretárias para redigir uma simples minuta de reunião ou um comunicado interno, passassem a fazê-lo com suas próprias capacidades. O resultado é um misto de sadismo ortográfico com exposição pública das suas particulares deficiências. E o pior: na maioria dos casos, o “redator” nem sabe que é motivo de escárnio. Isto, sem falar dos famigerados Blogs (contração ou corruptela de WebLog) que revelam grandes talentos na arte de crucificar nossa gramática. Jovens que não aprenderam para quê servem os acentos, símbolos gráficos, vírgulas, pontos, parêntesis, letras maíusculas em nomes próprios e no início das sentenças, publicam suas experiências e se expõem publicamente.

Puxa! Fiquei um pouco amargo nestes últimos parágrafos, mas a minha intenção é fazer lembrar do valor que tem um profissional que faz do seu dia-a-dia, uma jornada de resgate e reanimação do sistema de comunicação verbal, mesmo enfrentando a crescente depalperação de sua platéia. Lembre-se sempre que, se não puder vencê-los, jamais (mesmo) junte-se a eles. Senhor jornalista, meus parabéns pelo dia 29 de janeiro.

29/01/2004

Arteiras na Ação Global

Na oitava edição do Fórum Social Mundial (FSM) 2008, o diferencial foi a descentralização dos eventos. Cerca de dez mil cariocas circularam pelas sete tendas temáticas espalhadas no parque do Flamengo. Mais de 100 organizações, fóruns e redes estiveram presentes na tenda das idéias e da economia solidária que tinham como objetivo reunir e compartilhar projetos, campanhas e debates.

(...)

Arteiras é uma cooperativa que reúne 14 mulheres donas de casa da comunidade Casa Branca na Tijuca, na zona norte do Rio, que trabalham como artesãs e produzem cadernos e agendas com papel reciclado.

(...)

Segundo informações do Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher, no Brasil, 21% das mulheres negras são empregadas domésticas e apenas 23% delas têm Carteira de Trabalho assinada - contra 12,5% das mulheres brancas que são empregadas domésticas, sendo 30% com registro em Carteira de Trabalho. A inserção das mulheres no mercado de trabalho tem sido caracterizada pela precariedade, que atinge uma importante parcela de trabalhadoras.

Por Fabíola Ortiz

Leia na íntegra:

http://www.ciranda.net/spip/article2103.html


segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

FORUM SOCIAL MUNDIAL - Rio com Vida

Rio discute política, cidadania e justiça social

“O Brasil é uma peça-chave no Fórum Social Mundial, o Brasil é expressão da nova cidadania, da nova sociedade civil”, afirmou Cândido Grzyboswki, diretor-geral do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) e também integrante do Conselho Internacional do FSM.

Cândido acredita que o diálogo e a troca de idéias são as bases do Fórum, mas ainda há novos desafios a enfrentar pela frente, “o fórum vai evoluir mais, a gente vai começar a formular alternativas de políticas públicas”.

No Dia de Mobilização e Ação Global com mais de 800 eventos em 72 países, no Brasil o Fórum Social Mundial (FSM) 2008 mobilizou neste sábado (26 de janeiro) cerca de 60 eventos espalhados por diversos cantos do país. E no Rio de Janeiro, o Rio Com Vida no Aterro do Flamengo, na zona sul da cidade, reuniu diversos movimentos sociais, artistas, redes e fóruns para discutir política, cultura, direitos humanos, educação, meio ambiente, entre outros temas.

(...)

O teatrólogo Augusto Boal, fundador do Teatro do Oprimido, esteve no Aterro do Flamengo como um dos convidados especiais no evento para falar sobre cidadania. “O primeiro dever do cidadão não é viver em sociedade, é transformar a sociedade, eu não sou cidadão se eu não faço nada para transformar a sociedade. No mundo existem ricos e pobres, opressores e oprimidos, os que mandam e os que obedecem, existem preconceitos de todos os tipos”, disse Boal para um grande público reunido na Tenda das Idéias.

O Circo Baixada, uma das iniciativas presentes no Rio Com Vida, trabalha desde 2002 com crianças e jovens de 7 a 24 anos de oito municípios da Baixada Fluminense. O coordenador geral do projeto, José Candido de Oliveira Boff, o Zeca, explica que o circo social visa integrar adolescentes que vivem nas ruas às suas famílias e desenvolver oficinas de arte circense.

Por Fabíola Ortiz

Leia na íntegra:

http://www.ciranda.net/spip/article2099.html

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Operação Uniforme Fantasma

24 de Janeiro de 2008 - 19h08

Operação do Ministério Público e da Polícia Civil do Rio prende 19 suspeitos de fraude

Fabíola Ortiz
Da Agência Brasil

Rio de Janeiro - Quatro grupos que supostamente fraudavam licitações e desviavam verbas públicas em 17 municípios no estado do Rio de Janeiro foram desarticulados em operação deflagrada hoje (24) pelo Ministério Público do estado com o apoio da Secretaria de Segurança Pública.

A operação Uniforme Fantasma envolveu 170 policiais da Delegacia de Repressão às Ações do Crime Organizado (Draco), além de agentes da Coordenadoria de Combate à Sonegação Fiscal e da Coordenadoria de Segurança e Inteligência do MP.

Estima-se que o prejuízo aos cofres públicos supere R$ 100 milhões. Dos 28 mandados de prisão contra políticos, servidores públicos e empresários, expedidos pela Vara Criminal de Magé, no norte fluminense, 19 já foram cumpridos hoje (24).

Constam na lista um ex-prefeito de Magé que se encontra foragido e seis secretários municipais de outros municípios, entre eles, a ex-secretária de Ação Social de Magé Renata Tuller e a atual secretária de Fazenda também de Magé, Núcia Cozzolino, irmã da prefeita do município, Núbia Cozzolino.

Policiais da Draco também cumpriram 60 mandados de busca e apreensão. Durante toda a manhã, os materiais apreendidos na operação chegaram em carros da Polícia Civil no prédio da Polinter, na região portuária no centro do Rio. Entre o material, sacolas de dinheiro com uma quantia de R$ 200 mil, encontradas com uma empresária que estaria envolvida no esquema, além de documentos e computadores. Foram apreendidos também uma moto avaliada em R$ 50 mil e um Audi 2.8 avaliado em R$ 70 mil, esses veículos seriam do assessor da prefeitura de Magé que também está detido.

Segundo o procurador-geral de Justiça do Rio, Marfan Vieira, as investigações começaram, há dez meses, a partir de uma denúncia do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) do Ministério da Fazenda acerca de uma movimentação financeira que envolvia grande quantidade de dinheiro repassado a pequenas empresas.

"O Coaf noticiou a existência de valores muito elevados que consistiam na emissão de cheques da Prefeitura de Magé repassados a uma determinada empresa pequena que chegou a receber valores bastante elevados, quase R$ 1 milhão e estranhamente esses valores eram sacados e retirados em dinheiro".

O procurador ressaltou que "com o aprofundamento das investigações, descobrimos que havia outras ramificações, outras quatro quadrilhas que aparentemente não têm relação entre si também atuavam em outros municípios". Marfan Vieira não soube informar há quanto tempo as quadrilhas atuavam.

"A primeira fraude consiste em dirigir a licitação para um determinado vencedor que faz parte da quadrilha, num segundo momento a fraude consiste na não-entrega da mercadoria contratada, ou quando a mercadoria é entregue ou em quantidade ou em qualidade inferior àquela contratada. A investigação aponta que essa aproximação ocorre por iniciativa bilateral ora pela municipalidade ora do empresário que se organiza em quadrilha para operar essas fraudes", afirmou Marfan Vieira.

Marfan disse ainda que o esquema é confirmado a partir do depoimento de uma funcionária de uma das empresas envolvidas que colabora com a justiça. "Ela confirma o esquema apontando a figura de dois prefeitos municipais no interior do estado, e dizendo que esses prefeitos freqüentavam o escritório da empresa e recebiam importâncias em dinheiro que variavam entre R$ 50 e 100 mil com certa regularidade".

O secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, acredita que por meio de parcerias como essa do MP é possível combater a criminalidade. "Esse esquema envolve 'empresas laranjas', eu acredito que outras pessoas em outros municípios também estejam envolvidos".

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Farc proíbem Cruz Vermelha de visitar seqüestrados doentes

21/01/2008 - 03h11

Uol Notícias

Em Bogotá (Colômbia)

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) não permitirão que uma missão médica da Cruz Vermelha Internacional visite seqüestrados doentes, disse um porta-voz da guerrilha ao telejornal "Noticias Uno".

Segundo o telejornal, o porta-voz das Farc Luis Edgar Devia, conhecido como "Raúl Reyes", afirmou que essa proibição foi tomada para preservar "a segurança dos passíveis de troca".

Além disso, Reyes, um dos sete integrantes do comando central das Farc, assegurou que não existe atualmente qualquer contato da guerrilha com a Igreja Católica, a única autorizada pelo Governo colombiano a discutir uma "zona de encontro" na qual seria negociada a troca humanitária.

Com isso, o guerrilheiro negou as versões sobre essas conversas. Segundo ele, "alguém pretende gerar falsas expectativas com isso". Ele disse ainda que qualquer diálogo para a troca humanitária acontecerá nos municípios de Pradera e Florida, no departamento de Valle del Cauca (sudoeste).

No entanto, a guerrilha exige para isso a retirada das forças governamentais dessa região, o que é negado enfaticamente pelo governo colombiano.

Vários setores do exterior e do país, entre eles o presidente colombiano, Álvaro Uribe, haviam pedido às Farc que permitissem que os reféns doentes fossem atendidos por uma missão humanitária da Cruz Vermelha Internacional.

A guerrilha tem em seu poder 44 pessoas - entre elas a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, três norte-americanos, além de políticos e militares- que seriam consideradas passíveis de troca.

No último sábado, o exército colombiano resgatou dois reféns, sendo um auditor de empresas e um juiz, que teriam sido seqüestrados na sexta-feira. Um suposto guerrilheiro teria sido morto na operação.




Um dia antes de Davos, Fórum Social Mundial anuncia ações em todo o mundo

Agência Consciência.Net; clique aqui






Às vésperas da abertura do Fórum Econômico de Davos, na Suíça, o Fórum Social Mundial anuncia, simultaneamente, ações em diversas partes do mundo – no Rio o anúncio será feito durante entrevista coletiva na sede do Ibase (Av Rio Branco, 124, 8 andar), nesta terça-feira (22/1), às 10h. Na ocasião, além das informações internacionais, será apresentada também a agenda de manifestações para o Brasil. As manifestações no Brasil e no mundo serão concentradas no dia 26 (sábado), que é o Dia de Mobilização e Ação Global do Fórum Social Mundial.

No Rio haverá o evento político-cultural Rio Com Vida, no Aterro do Flamengo, a partir de 10 da manhã, com diversas tendas e palcos para apresentações (detalhes na coletiva), marcando a presença da cidade nas manifestações mundiais. Este ano não há um encontro central do Fórum Social Mundial (como vinha ocorrendo desde 2001), mas sim manifestações coordenadas por “outro mundo possível”.

Veja o vídeo com o lançamento do Rio Com Vida:

http://www.riocomvida.org.br/modules.php?name=News&file=article&sid=57

O site do evento é o www.riocomvida.org.br