quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

RIO DE JANEIRO - RÁDIOS COMUNITÁRIAS

Rio lembra dez anos de lei das comunitárias com protestos

Há dez anos era aprovada a lei 9.612, que regulamentou as rádios comunitárias no país, mas as rádios não vêem motivo de festa, e assim marcaram a data com protestos no centro do Rio.

Em manifestações, elas reclamaram do excesso de burocracia e do poder das rádios comerciais, que com seu poderoso lobby sobre o governo, bloqueia mudanças.

"As rádios são prejudicadas pelo excesso de burocracia da lei e também pelos interesses dos meios de comunicação comerciais. No Rio, cerca de um terço da população que ouve rádio ouve programas de rádios comunitárias. Isso incomoda muita gente", disse à Agência Brasil o ccordenador da Rede Viva Rio de Radiodifusão Comunitária, Sebastião Santos.

Os requisitos burocráticos da lei são tantos que, em dez anos, 17 mil entidades pediram ao Ministério das Comunicações para ter rádios comunitárias legalizadasm mas só 3.150 conseguiram.

Os protestos também reclamaram da violenta repressão feita pelo governo às rádios comunitárias que não têm a autorização que poucas têm, devido à burocracia do próprio governo.

Também ontem (19/2), porém, a Polícia Federal foi ao bairro da Ilha do Governador, no Rio, para fechar uma rádio comunitária, mas não havia transmissões no momento.

Agência Pulsar - 20/02/08

http://www.brasil.agenciapulsar.org

CUBA

“Jornalista do NYT contribuiu para revolução cubana”, diz Fernando Morais

Carla Soares Martin

Se estivesse vivo, certamente o jornalista norte-americano Herbert L. Matthews teria muita história para contar nesta quarta-feira (20/02), data da repercussão mundial da renúncia de Fidel Castro. Editorialista do jornal The New York Times no período pré-revolução, Matthews fez uma entrevista que entraria para a história: desbravou Sierra Maestra, região montanhosa ao sul de Cuba, para se encontrar com um “jovem rebelde”, Fidel Castro. Com sua série de reportagens favoráveis a Castro e contra o então ditador cubano Fulgêncio Batista, o governo norte-americano se tranqüilizou – e deu-se a revolução. O que não se previa era que Fidel comandasse, por 49 anos, uma nação de total resistência ao american way of life. “Matthews contribuiu muito para que não houvesse represália à guerrilha”, analisa o jornalista Fernando Morais.

Primeiro repórter brasileiro a entrevistar Fidel no poder, o escritor brasileiro enumera os motivos da “ajuda significativa” de Matthews: o jornalista norte-americano tinha credibilidade por ser de “mais de direita que de esquerda” e tinha reputação garantida. “A cobertura de Matthews mostra o papel que o jornalismo pode ter no curso da história”, afirma.

A história do encontro está descrita no livro do jornalista do Times Anthony DePalma, a ser lançado em breve no Brasil.

Morais com Fidel
O jornalista Fernando Morais foi o primeiro brasileiro a se encontrar com o presidente cubano depois da revolução. “Estava em Lisboa, na Revolução dos Cravos, quando a embaixada de Cuba disse: ‘a embaixada quer falar com você’.” Dava-se aí, depois de quatro anos, a concessão para um visto ao brasileiro. Mesmo com a inscrição do passaporte brasileiro excluindo-se da responsabilidade de ir a Cuba - “não é válido para Cuba” -, dizia o passaporte, Morais não se abalou: “Apesar disso, fui.” Ficou três meses e escreveu “A Ilha”. Vendeu 700 mil cópias. “Sucesso menos por virtude minha e mais porque a imprensa só falava mal do regime. Na hora que saiu um trabalho isento, todo mundo quis ler”, argumenta Morais.

Cuba sem Fidel
“Não há perigo nenhum que Cuba se renda ao capitalismo”, diz Morais. O escritor argumenta que as realidades de países que adotaram recentemente o capitalismo, como a China, são completamente diferentes da de Cuba, o que impossibilita qualquer comparação.

Morais não esconde a simpatia por Cuba. Mas adverte: “Não tenho uma visão romântica.” Tem fuzilamento? “Tem”, admite. O jornalista, contudo, contrapõe a repressão. “Coloca aí”, afirma à reportagem do Comunique-se, “tenho solidariedade a Cuba por uma simples razão: quando descemos no aeroporto, encontramos uma placa colocada na ocasião da visita do Papa ao país, em 1999: ‘Esta noite 200 milhões de crianças vão dormir na rua. Nenhuma delas é cubana’. E é verdade. Já morei nos Estados Unidos, na França e no Japão. Todos eles têm famílias e famílias em baixo dos viadutos. Em Cuba, não.”

http://www.comunique-se.com.br/conteudo/newsshow.asp?menu=JI&idnot=42453&editoria=8

QUÊNIA

Classes e parentescos nos campos da morte do Quênia

Oduor Ong’wen* - Jornalista, membro do Fórum Social Africano
Publicado em 15 de fevereiro de 2008.
Tradução: Patrick Wuillaume


É fácil – e até mesmo tentador – rotular a violência que tomou conta do Quênia durante os últimos meses como um ressurgimento lamentável, mas não totalmente inesperado, das disposições atávicas ontológicas africanas. Muitos analistas, particularmente no Ocidente, alegaram que embora a ruptura do estado de paz e convivência mútua tenha sido desencadeada pelas fraudes do atual presidente nas últimas eleições, o que se seguiu nada tinha a ver com isso em particular nem com a política em geral. Teria a ver com uma oportunidade para que vizinhos – fundados sobre um nacionalismo estreito e que haviam vivido até então em harmonia artificial, embora guardando um desprezo patológico mútuo pudessem acertar contas uns com os outros. Isso pode ser verdade, mas apenas em parte. A crua realidade é que a crise do Quênia pôs à mostra as tensões de classe que vinham aflorando de modo esparso há mais de cem anos.

(...)
Virtualmente afastada dos benefícios da prosperidade e da modernidade de que desfruta o Norte, a África sobrevive e existe na periferia da economia global. Não surpreende que, enquanto os observadores da União Européia, do Commonwealth, e a equipe de observadores locais reconheciam o fato de que as eleições presidenciais tinham sido fraudadas, o Ocidente insistia que, por se tratar da África, a subversão deveria ser ignorada "para o bem da unidade e da estabilidade do país". Esse eufemismo pode ser traduzido, na verdade, pela frase "nossos interesses estratégicos, nossos investimentos, nossas férias e safáris são mais importantes do que seus direitos democráticos; portanto, calem-se, acreditem e obedeçam".

(...)
Enquanto grande parte da população dos países industrializados é abastada, a maior parte do povo africano está empobrecida, desnutrida, é analfabeta e não dispõe de moradia nem de alimentação decentes. Enquanto as economias dos países industrializados são fortes e resistentes – oferecendo esperança e segurança ao seu povo –, os países da África são majoritariamente fracos e vulneráveis e nada têm a oferecer ao povo africano, a não ser o desespero e a carência. Enquanto os países do Norte controlam seus recursos e destinos, os do Sul, principalmente os da África, são vulneráveis a fatores externos e lhes faltam independência funcional e soberania. Este é o contexto no qual devemos procurar entender o amor e a vinculação à terra existentes em muitos países da África como o Quênia e o Zimbábue. A propriedade de um pedaço de terra, mesmo que pequeno, confere uma sensação de segurança e independência.

Não se deve contextualizar a desordem no Quênia sem avaliar primeiro a questão nacional queniana. Os quenianos não estão polarizados porque pertencem a diferentes subnacionalidades. Isso ocorre porque se relacionam de modo diferente com os recursos e forças produtivas do país. E o cerne da questão nacional é a terra.

(...)
A fraude presidencial

Voltemos agora a abordar a questão que desencadeou a série de eventos violentos – ou seja, a fraude nas eleições presidenciais. Segundo o boletim emitido pela Comissão Eleitoral do Quênia (ECK) às 4:07 horas do dia 20 de dezembro de 2007, o Presidente no poder, Mway Kibaki, perdia de Raila Odinga por mais de 1 milhão de votos: Odinga tinha 3.734.972 votos, enquanto o presidente Mway Kibaki tinha 2.269.612 votos. Foi nesse momento que a comissão e o Partido de Unidade Nacional (PNU), de Kibaki, estimaram o número de votos necessários a serem acrescentados ao total de Kibaki e o número de votos a serem retirados de Odinga para que Kibaki alcançasse e ultrapassasse seu rival.

Naquele dia, resultados aparentemente recebidos no dia anterior – mas que não tinham sido divulgados aguardando o momento "oportuno"– foram alterados (às vezes, mais de uma vez) para eliminar a diferença. A ECK havia anunciado os resultados de 176 das 210 seções eleitorais, que davam a Odinga 4.046.010 votos e a Kibaki, 3.760.233. Duas horas depois, entretanto, o presidente da Comissão Eleitoral surpreendeu a nação com o anúncio de que, após apurados os resultados de 189 postos eleitorais, Odinga só tinha 3.880,053 votos contra 3.842.051 de Kibaki. Era a arte de contar para trás!

Tanto o partido de Odinga, o Orange Democratic Movement (ODM), quanto as diversas equipes de observadores detalharam a forma pela qual a fraude se deu. O que não foi dito foi a razão pela qual Odinga tinha de ser impedido, a qualquer custo, de assumir a Presidência da República do Quênia.

(...)
A campanha de Odinga propunha cinco metas básicas: tratamento da questão das desigualdades econômicas e sociais; devolução do poder e dos recursos do centro para as regiões, em um contexto de complementaridade; erradicação da corrupção e da injustiça administrativa; provimento, pelo Estado, dos serviços sociais básicos; e busca de uma política externa e pan-africanista progressista.

(...)
O primeiro ataque a sua campanha foi a denúncia de que Odinga estava tentando introduzir o comunismo pela porta de trás. Foram espalhados boatos assustadores de que o fornecimento dos serviços básicos acarretaria em um aumento de impostos. Finalmente, os seguidores de Kibaki abordaram a questão crucial; a terra, demonizando a devolução dos poderes, considerando-a como um instrumento para desapossar o povo Kikuiu estabelecido no Vale da Fenda e em outras áreas.

(...)
Herança Complicada

Observar os acontecimentos no Quênia apenas sob a ótica da etnia nos dá uma visão apenas nebulosa da situação. Isto não significa que a etnia não constitua um fator importante. No entanto, ela é usada como uma espécie de droga que os governantes continuam a administrar às suas vítimas para toldar sua visão. É uma visão escapista. Não vi nenhum residente Kikuiu de Karen, elegante subúrbio de Nairóbi, matar a machadadas seus vizinhos de Luo e Kalenjin, ou pior, atirarem uns nos outros, embora a maioria deles possua revólveres.

(...)
Com a independência, o Quênia, como todo o resto da África, herdou uma estrutura que veio acompanhada de um cenário de forte dependência e corrupção, tanto do ponto de vista econômico como político.

No setor econômico, o país herdou uma economia altamente atrasada, baseada no regime de subsistência agrícola dominada pelo campesinato e pela produção e exportação de suas safras agrícolas girando em torno de três produtos (café, chá e piretro), cuja produção estava concentrada quase que totalmente nas mãos de fazendeiros estrangeiros.

A produção de commodities era feita em pequena escala, e dominada por agricultores retrógrados, extremamente supersticiosos, que surgiram após um pesadelo de décadas de opressão e desumanização – esta era a situação predominante das atividades rurais no Quênia. A maioria da população vivia em situação de subdesenvolvimento econômico sem perspectivas de melhora; a agricultura estava fragmentada em minúsculos lotes de terra, cada um deles quase insuficiente para sustentar uma única família.

Para que houvesse um desenvolvimento realmente significativo, era necessário e urgente tratar esse problema como questão prioritária. Contudo, as lideranças recentemente instaladas passaram a depender dos “especialistas” do Ocidente, cujas experiências eram unicamente com as metrópoles e cujos antecedentes eram empresariais.

(...)
O Quênia – e todo o continente africano – encontra-se em posição desfavorável e, portanto, irremediável dentro do sistema econômico global. O país está economicamente ligado, principalmente, às economias capitalistas da Europa industrializada – legado tanto do tráfico de escravos como do passado colonial sustentados pelo poder econômico relativo da Europa, e conseqüência das estratégias desenvolvimentistas adotadas pelas lideranças pós-colonialistas.

http://www.ibase.br/modules.php?name=Conteudo&pid=2203

Brasil de Fato

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Mídia vai fazer campanha de desinformação

por jpereira , Jorge Pereira FilhoÚltima modificação 19/02/2008 21:02

Em entrevista, o jornalista Miguel Urbano afirma, no entanto, que as mudanças com a saída de Fidel Castro vão preservar o regime socialista

A renúncia de Fidel vai desencadear uma campanha midiática de desinformação de proporções mundiais. Essa é a previsão do jornalista e escritor português Miguel Urbano Rodrigues, integrante do Partido Comunista Português. Segundo ele, a mídia mente ao afirmar que há uma oposição organizada ao regime em Cuba. “As personalidades e grupos contra-revolucionários carecem de expressão social. São quase folclóricos”, afirma Miguel Urbano, que viveu oito anos em Cuba.

Para o jornalista português, o regime socialista cubano seguirá seu próprio caminho, aperfeiçoando-se dentro de sua lógica. Com relação a uma eventual intervenção externa, como já chegou a cogitar o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, Miguel Urbano afirma que considera a hipótese improvável. “Mas estou certo que, no caso de uma agressão desse tipo, o povo cubano lhe daria a resposta de Abril de 61 quando derrotou em Playa Giron o desembarque mercenário idealizado e financiado pelos EUA.

Brasil de Fato – Qual o significado prático para o povo cubano da renúncia do presidente Fidel Castro? O que pode mudar em Cuba?

Miguel Urbano Rodrigues – São os povos o sujeito da História. Mas o fator subjetivo em determinadas situações pode pesar muito. Fidel Castro marcou decisivamente o rumo da história do seu país e da América Latina na segunda metade do século XX. Que pode mudar agora? Nada daquilo que o sistema de poder estadounidense desejaria. Fidel já havia transferido o poder executivo para Raul . A sociedade cubana não é estática. Mas as mudanças vão se inserir na continuidade do regime socialista. Não haverá ruptura com as grandes metas fixadas. Somente mudança de estilo como aliás já vinha ocorrendo.

E, do ponto de vista simbólico, a saída de Fidel Castro pode significar o fortalecimento de movimentos contra-revolucionários?

A mídia, sobretudo nos EUA e na Europa, tem difundido a idéia de que em Cuba existe uma oposição organizada com base popular. É uma inverdade. Residi oito anos em Cuba até 2004, e adquiri a certeza de que as personalidades e grupos contra-revolucionários carecem de expressão social. São quase folclóricos. Fazem muito barulho graças à mídia internacional.

(...)

Qual o legado que o governo de Fidel Castro deixa para a América Latina e para os povos?

A Revolução Cubana resiste vitoriosamente há quase meio século a uma guerra não declarada. Dez presidentes dos EUA comprometram-se a destruir o socialismo em Cuba. Foram sucessivamente desmentidos pela história. Essa resistência de Cuba não configura apenas a epopéia coletiva do seu povo. Funcionou como estímulo para os povos da América Latina e do Terceiro Mundo. Confirmou que o poder do imperialismo tem limites. Sem a resistência de Cuba, a Revolução Bolivariana na Venezuela não teria sido possível, e processos como aqueles que estão em curso no Equador e na Bolívia seriam inviáveis.

http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/internacional/midia-vai-fazer-campanha-de-desinformacao

http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia

Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação

O futuro da TV pública é agora

19/02/2008 |
Alberto Dines
Observatório da Imprensa

A Rede Pública de Televisão está avançando. E não apenas através do funcionamento regular da TV Brasil. A aparente disposição da TV Cultura de participar de parcerias e co-produções com outras emissoras (inclusive a TV Brasil) vai criar as condições para uma network alternativa, plural, diversificada e livre de sujeições aos interesses partidários.

(...)

Os setores mais radicais da oposição aliados aos fundamentalistas da livre iniciativa não perceberam que vão perder o bonde. Tal como o governador do Paraná, Roberto Requião, que deseja uma TV Educativa para exercitar o seu mandonismo, certos grupos de petistas, tucanos e democratas esquecem que quando chegarem ao poder em seus estados necessitarão do apoio de uma rede pública de televisão com credibilidade e, sobretudo, com o suporte de uma audiência nacional de qualidade apta a neutralizar o poder do baronato e do tubaronato da mídia regional.

Dias contados

Uma rede pública criada por um determinado governo não é necessariamente propriedade deste governo. Todos se beneficiam. O processo de autonomização é inevitável e irreversível e a participação do relator Walter Pinheiro é prova disso. A rede pública de TV que deve resultar da sua relatoria será com toda a certeza muito mais avançada e muito mais participava do que a versão original. Ao contrário do que diz o ditado, as emendas são sempre melhores do que os sonetos [ver aqui o parecer apresentado pelo deputado].

(...)

As novas tecnologias da informação estão liquidando as reservas de mercado, é bom ter isso em conta, porque são naturalmente públicas, necessariamente compartilháveis. E, se por um lado a digitalização da TV está sendo usada parcialmente em nosso país, a TV Pública via internet oferece um potencial de expansão ilimitado, a um custo infinitamente menor.

O voluntarismo televisivo tem os seus dias contados. A socialização da televisão tem o futuro pela frente.

http://www.fndc.org.br/internas.php?p=noticias&cont_key=229958

Sandra Kogut

Revista Moviola

Ela começou sua carreira fazendo experimentações com vídeo, montou uma rede videocabines e fez uma Parabolic People. Inspirada pelo exílio francês, estourou com o obrigatório documentário Um Passaporte Húngaro. Em novembro de 2007 ela estreou no circuito com o singelíssimo Mutum, seu primeiro longa-metragem de ficção. A adaptação da obra Campo Geral, de Guimarães Rosa, levou o prêmio de melhor filme no Festival do Rio. Na entrevista a seguir, Sandra Kogut fala de seu processo criativo, dos percalços ao filmar no sertão mineiro e do seu olhar de nômade.

Assista a entrevista pelo link:

http://www.revistamoviola.com/2007/12/20/sandra-kogut/

http://www.revistamoviola.com/

Agencia Rio de Notícias

20/2/2008 - 12h57

Gestão em Finanças para empresas de comunicação
Fabíola Ortiz

O encontro de Gestão em Finanças e Contabilidade para Assessores de Imprensa, realizado no auditório da Vídeo Clipping, nesta quarta-feira (20) na Glória, teve como iniciativa debater assuntos que não costumam fazer parte da rotina dos jornalistas, mas são fundamentais para a gestão das Assessorias de Imprensa. Jornalistas, assessores e profissionais de contabilidade puderam refletir e discutir soluções práticas para a gestão correta e econômica de seus negócios.

"O maior entrave na gestão da Assessoria de Imprensa é o Estado com a síndrome de Robin Hood", afirmou Nilson Mello ao explicar que o modelo de estruturação do Estado é o de conquista do bem estar social e a distribuição de renda. "Mas no Brasil, o resultado é inverso e gerou uma legislação protecionista que inibe a iniciativa empresarial".

Nilson Mello é jornalista e advogado, com especialização em Direito Tributário e Análise Conjuntural. É também diretor da Meta Consultoria e Comunicação e sócio do escritório Braz, Mello, Baptista Martins Advogados.

Leia mais:

http://www.agenciario.com.br/


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Repórter Brasil

14/02/2008

Globalização contribui no aumento do tráfico para o trabalho forçado

O modelo de desenvolvimento adotado internacionalmente que força uma diminuição dos direitos trabalhistas para aumentar a competitividade deve ser repensado, discutem especialistas no Fórum de Viena contra o tráfico de seres humanos

Por Leonardo Sakamoto

Viena - O trabalho forçado é alimentado pelo modelo de globalização adotado no mundo, em que a competitividade incentiva uma constante redução nos custos do trabalho. Com isso, leva para baixo as condições de emprego, culminando na imposição do trabalho forçado - e de um sistema para suprir esse tipo de mão-de-obra. O que acontece em países pobre ou ricos. Esse foi um dos temas discutidos no painel "Demanda por trabalho forçado e exploração sexual - como e por que isso alimenta o tráfico de seres humanos" na manhã desta quinta (14).

O evento foi parte do "Fórum de Viena", organizado pela Iniciativa Global das Nações Unidas para o Combate ao Tráfico de Seres Humanos (UN.Gift), que está sendo realizado entre os dias 13 e 15 na capital austríaca. Estão presentes especialistas, entidades internacionais, governos, sociedade civil, mídia e o setor empresarial para discutir como combater o problema.

Nicola Phillips, professora de economia política da Universidade de Manchester, defendeu que o tráfico de pessoas para exploração econômica e sexual está relacionado ao modelo de globalização e de capitalismo que o mundo adota.

De acordo com ela, esse modelo é baseado em um entendimento de competitividade nos negócios que pressiona por uma redução constante nos custos do trabalho. Empregadores tentam flexibilizar ao máximo as leis e relações trabalhistas para lucrar com isso e, ao mesmo tempo, atender uma procura por produtos cada vez mais baratos por parte dos consumidores.

A pobreza, que torna populações vulneráveis socialmente, garante oferta de mão-de-obra para o tráfico - ao passo que a demanda por essa força de trabalho legitima esse tráfico de pessoas, atraindo intermediários (como os "gatos" no Brasil). Em resumo, de acordo com Phillips, "a sistemática desregulação do mercado de trabalho facilita o surgimento de trabalho forçado". Para atuar no problema, deve-se atuar tanto na oferta desse tipo de mão-de-obra quanto na demanda. No combate à pobreza e no modelo de desenvolvimento que queremos.

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http://www.reporterbrasil.com.br/exibe.php?id=1289

Notícias relacionadas:
Nações Unidas fazem convocação contra tráfico humano
Terceirização ditada por grandes empresas ultrapassa fronteiras

Leonardo Sakamoto viajou a convite das agências das Nações Unidas organizadores do evento, como a Unodc e a OIT.

Portal Imprensa

Publicado em: 11/02/2008 17:33

"O Brasil é o país em que mais se processa jornalistas no mundo", afirma o jornalista Márcio Chaer

Por Ana Luiza Moulatlet/Redação Portal IMPRENSA

Sinal dos tempos, o Brasil é o país em que mais se processa jornalistas no mundo. E esse viés da democracia tupiniquim é fruto de três fatores: a descoberta de que o Judiciário pode ser um escudo eficiente para impedir a divulgação "picaretagens"; a constatação, da imprensa que fabrica notícias de encomenda, que uma eventual indenização será menor que o pagamento do interessado; e o erro puro e simples do jornalista, cometido sem intenção de prejudicar ninguém, ocasionado pelas eventualidades da profissão.

A opinião é de Márcio Chaer, publisher do maior site de Direito da América Latina, o Consultor Jurídico (www.conjur.com.br), veterano que já marcha para os 34 anos de jornalismo, com passagem por Gazeta Esportiva, Veja, Folha de S.Paulo, Estado de São Paulo, Jornal da Tarde, e American Chamber of Commerce. O Conjur coletou, em parceria com a ONG inglesa Article 19, dados surpreendentes: até o mês de abril de 2007, registravam-se 3.133 processos contra 3.237 jornalistas dos cinco maiores grupos de comunicação (Globo, Abril, Estado, Folha e Editora Três). Entre 2001 e 2007, o número de processos contra a imprensa cresceu 159%. A faixa média das indenizações passou de R$ 20 mil, em 2003, para R$ 80 mil em 2007.

Em entrevista ao Portal IMPRENSA, Chaer discorreu sobre as maneiras do jornalista se defender contra esses processos: "O jornalista tem que enxergar a lógica dos direitos: o do leitor, o das partes e o da imprensa. Em vez de afirmar que o alvo é criminoso, deve-se descrever a conduta criminosa. Evitar o 'falso outro lado', aquele truque de ouvir o acusado pra dizer que ouviu". Também falou, com autoridade, sobre temas polêmicos, como a liberdade de expressão, o segredo de justiça e o lobby das empresas de telefonia.


Leia a seguir a entrevista:

IMPRENSA - A revista Consultor Jurídico fez um levantamento inédito, dado pela ONG inglesa Article 19, indicando que o Brasil é o país em que mais se processa jornalistas no mundo. Quais são os números e por que essa fúria?

Márcio Chaer -
Começamos esse levantamento de forma organizada em 2001. Mas desde 1997 colecionamos todas as brigas judiciais que envolvam a imprensa. A estatística tem diversos complicadores. Todos os dias surgem processos novos, enquanto outros se encerram. A pesquisa mais recente pode ser lida em nosso site. O resumo da ópera é que houve uma explosão no volume de processos contra jornais e jornalistas. Há três motivos principais. O mais pitoresco e recente é o tipo de malandro que descobriu que o Judiciário pode ser um escudo eficiente para impedir que suas picaretagens sejam divulgadas. Outra turbina importante é a picaretagem do pessoal da imprensa que fabrica notícias de encomenda e avança o sinal, considerando que uma eventual indenização será menor que o pagamento do interessado. E o mais tradicional: o erro puro e simples, cometido sem dolo, sem intenção de prejudicar ninguém (mas prejudica), motivado pelas vicissitudes da profissão (pressa, descuido, ignorância, fonte mal informada ou mal intencionada). Esse lote é o maior de todos.


Leia mais:


http://portalimprensa.uol.com.br/portal/entrevista_da_semana/2008/02/11/imprensa17042.shtml

Direto da Redação

Publicada em: 17/02/2008
Leila Cordeiro

CAPITÃO NASCIMENTO, BUSCA-PÉ E O URSO DE OURO

Desde que estreou nas telas brasileiras, “Tropa de Elite” desencadeou uma série de discussões em torno da crueldade policial mostrada no filme. Críticos e defensores dos direitos humanos reclamaram da apologia da violência na maioria das cenas, alegando que policiais foram transformados em super-heróis no combate ao crime e aos criminosos.

Mas a maioria da população brasileira, segundo a mídia, aplaudiu de pé as cenas em que a polícia tortura os bandidos obrigando-os a se humilharem de joelhos, com sacos plásticos na cabeça à beira da asfixia. Para quem já foi vítima de algum tipo de crime ou tem alguém na família que passou por situação semelhante, o filme pode ter funcionado como uma espécie de válvula de escape, uma vingança, uma lavada na alma de quem não pôde reagir diante do poder de fogo dos marginais.

Tropa de Elite acabou levando o Urso de Ouro no festival de Berlim, apesar de torpedeado pela crítica internacional chegando a ser rotulado de fascista. Em entrevista à imprensa alemã, o diretor José Padilha discorda da afirmação de que o brasileiro tenha transformado o comandante do Bope no filme, Capitão Nascimento, em herói, porque, segundo ele, as pessoas são inteligentes no Brasil e sabem distingüir a ficção da realidade.

Para Padilha, o filme não é violento de graça. Ele mostra o que realmente acontece nos morros e favelas do Rio. A verdadeira guerra de guerrilha, entre traficantes e a polícia. Para ele, quando a crítica e a classe média se viram, frente à frente, com essa dura realidade sentiram-se um pouco culpadas por, de certa forma, serem coniventes com a injustiça social no Brasil.

O fato é que, cada vez mais, diretores brasileiros estão lançando no mercado nacional e internacional a cara feia do país para que o mundo e o próprio brasileiro não fique anestesiado pelo samba, suor e cerveja onde tudo acaba em pizza. A crise da violência é seríssima e precisa ser encarada de frente, com todas as suas cores.

Leia Mais:
http://www.diretodaredacao.com/

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

"Ajuda" de 60 bilhões à África é apenas promessa e deixa dúvidas
segunda-feira 11 de junho de 2007
Gustavo Barreto, Fazendo Media


Os países do G-8 anunciaram na semana passada, na Alemanha, a ajuda de 60 bilhões de dólares para combater a Aids e outras doenças na África - como a malária e a tuberculose - em frase repetida continuamente por toda a mídia brasileira. Em todo o noticiário da grande imprensa, com o tradicional oficialismo governamental predominando, foram notáveis as falhas provocadas pela ausência da crítica ao discurso das potências mundiais.
Apesar das promessas, organizações da sociedade civil nos países desenvolvidos fazem notar que o grupo ofereceu poucos fundos verdadeiramente novos para as populações mais pobres, e mesmo os novos ainda são promessas. Para se ter uma idéia, os países ricos descumpriram a promessa de duplicar a ajuda ao desenvolvimento, feita na cúpula do G-8 de 2005, em Gleneagles, na Escócia.
Além disso, a declaração do G-8 não estipula um cronograma. Apenas afirma que o dinheiro "será enviado ao longo dos próximos anos". Também não identifica os países individualmente ou quanto desta quantia já havia sido prometido. "Estou indignado. Acho que essa é uma linguagem deliberada de ofuscamento. Isso é algo feito intencionalmente para nos enganar", resume o roqueiro Bono Vox, que acompanha de perto o problema e freqüentemente alerta para a demagogia promovida pelos países do G-8.
(...)

Formato da ajuda não está claro Outra questão central é que algumas das mais importantes decisões relacionadas ao combate à Aids no mundo são tomadas em eventos como Assembléia Mundial da Organização Mundial da Saúde (OMS). Por coincidência, a 60ª edição da Assembléia ocorreu de 14 a 23 de maio, em Genebra, e os generosos diplomatas norte-americanos rejeitaram proposta dos países menos desenvolvidos, liderados pelo Brasil, para que a OMS preste assistência técnica e normativa às nações que desejem recorrer a medidas que amplie o acesso a medicamentos, como o licenciamento compulsório. A resolução, que teve forte rejeição dos países do G-8, também abre espaço para a criação de um sistema de pesquisa e desenvolvimento na saúde que diferencie o preço das invenções do preço dos produtos.
(...)

Em Mali, lições sobre a "ajuda humanitária" Outra questão que é pouco comentada na imprensa mundial é a "contribuição" dos países ricos por meio dos organismos financeiros internacionais, em grande parte formados por integrantes dos governos das super potências ou indicados por estas. Mali é um dos países onde a ajuda prometida (porém não cumprida) dos países ricos é alocada. Procurando fiscalizar a destinação do dinheiro prometido na Escócia, em 2005, membros da Oxfam e jornalistas do The Guardian visitaram a cidade de Intadeyni e conheceram uma das escolas que poderiam ser beneficiadas pela efetivação das promessas.
Mali, localizado no lado oeste do continente africano e que faz fronteira com a Argélia, sofre tanto com a pobreza quanto com a ingerência do Fundo Monetário Internacional (FMI). É um dos últimos colocados no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), medido pela ONU. Os funcionários do FMI em Mali defendem o interesse dos investidores nas jazidas de ouro descobertas no final dos anos 90, no sul do País, entre outros recursos, além de promoverem o ajuste fiscal - nada condizente com as imensas necessidades da população.
(...)


Leia mais: http://www.ciranda.net/spip/article1394.html

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Anabolizantes

Polícia civil do Rio de Janeiro desarticula quadrilha que comercializava anabolizantes e remédios falsificados para academias de ginástica e farmácias

Do Rio de Janeiro
Fabíola Ortiz

Doze pessoas foram presas hoje de manhã (14) no Rio de Janeiro em operação da polícia civil para reprimir o comércio ilegal de anabolizantes e remédios de emagrecimento proibidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).

Participaram da operação cerca de 50 policiais de delegacias especializadas e da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE) para cumprir 13 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão. Segundo informações da polícia, uma pessoa foi presa em flagrante e outras duas ainda estão foragidas.

Um dos focos da ação policial foi na Baixada Fluminense, onde duas farmácias que participavam do esquema e revendiam medicamentos foram fechadas.

Entre os presos, dois são professores de academias e personal trainers que foram surpreendidos em suas residências na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro. O principal distribuidor de medicamentos também foi preso em casa na Ilha do Governador, na zona norte da cidade. O ponto de distribuição dos anabolizantes ficava localizado no morro do Dendê. Quando os policiais chegaram no local foram recebidos a tiros por traficantes. O dono de uma farmácia também foi preso na Ilha do Governador, ele trabalhava no estabelecimento que distribuía os medicamentos.

Segundo o titular da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Saúde Pública, Marcos Cipriano de Oliveira Mello, foram apreendidos medicamentos contrabandeados, falsificados, comprimidos, drogas injetáveis e até remédios para cavalo.

“Nós conseguimos identificar uma quadrilha que vem repassando anabolizantes, remédios controlados para emagrecimento e proibidos, contrabandeados, além de Viagra falsificado e Citotec”, afirmou Cipriano.

O delegado ainda afirmou que a quadrilha tinha uma relação direta com as academias. “A partir da prisão desse grupo, eu tenho certeza que um grande braço que traz esse material proibido hoje foi desmantelado e preso”, disse.

A orientação, segundo Marcos Cipriano, é nunca utilizar esses tipos de medicamentos, apenas com prescrição médica. “Além do uso indevido, as pessoas ainda usavam medicamentos falsificados que agravam ainda mais a saúde”.

As investigações começaram há cerca de seis meses. Os presos vão ser indiciados por formação de quadrilha e crime contra a saúde pública que prevê pena de 10 a 15 anos de prisão.

Leia no Consciencia.net:

http://cafe-da-manha.blogspot.com/2008/02/polcia-civil-do-rio-de-janeiro.html

TV digital

Potencialidades para uma nova TV brasileira

12/02/2008 |
Tadao Takahashi | Revista SescTV
Observatório do Direito à Comunicação

A migração da TV analógica para a digital, bem como o interesse do Governo Federal em promover a televisão pública como motor de uma cidadania mais informada e participante, têm trazido inúmeras discussões sobre o potencial da TV para além do entretenimento. Em tempos de mudanças e expectativas, Tadao Takahashi, diretor geral do Instituto Sociedade da Informação (ISI) e Presidente do Conselho de Administração da Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto ACERP/TVE Brasil), fala ao SESCTV sobre novos rumos, desafios e possibilidades de uma televisão interativa, de qualidade e democrática.

*

Quais as implicações sociais, econômicas e culturais mais significativas trazidas pela mudança do sistema de TV analógico para o digital?

Do ponto de vista tecnológico, a televisão digital terrestre não é muito novidadeira, pois boa parte das funções que ela embute ou você tem na internet, ou na TV por assinatura de sinal fechado. O interessante da TV digital terrestre é a possibilidade de juntar essas funções em uma coisa só e ser de sinal aberto. Assim, 90% da população brasileira teriam acesso a um meio tecnológico bidirecional (o espectador recebe informações, mas pode também interagir com elas), tanto para entretenimento quanto como para serviços públicos e assim por diante. Então, há um potencial de democratização do acesso à informação, da possibilidade de buscar informação e não apenas ficar sentado recebendo. A combinação de interatividade com recepção de som e imagem em alta qualidade dá para a pessoa, ou para a residência, a possibilidade de ser uma espécie de passageiro inicial do mundo globalizado, da internet, sem o custo que a internet atualmente acarreta.

Quais as perspectivas da TV digital se tornar uma ferramenta de amplo alcance para combate à exclusão digital?

A função de comunicação da internet tende a ser cada vez mais forte. Acredito que, em 2015 ou 2020, todo mundo vai ter acesso à rede. Se não diretamente, via celular. Então, creio que o grande veículo de inclusão digital dos próximos cinco ou dez anos em países como o Brasil tende a ser o celular evoluído, e não a televisão com Internet ou a internet com a televisão. Por outro lado, mesmo o celular evoluído continuará tendo algumas limitações em função de sua característica primeira, que é facilidade de carregar. A tela continuará pequena, a capacidade de memória tende a ser menor do que um computador, dentre outros detalhes que vão acabar incentivando a televisão como meio de combinar transmissão de informação e interatividade. Em um horizonte de dez anos, vai ter atividades que remetem à inclusão digital do ponto de vista de televisão digital com interação, computador e Internet com banda larga, e certamente o celular também. Teremos uma combinação dessas três coisas.

Leia mais:

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TIMOR LESTE

A violência contra-ataca

A violência no Timor Leste atingiu seu presidente, Ramos Horta, Nobel da Paz de 1996, e o o mítico líder da resistência armada contra Jacarta, José Alexandre "Xanana" Gusmão, atual primeiro-ministro. Forças da ONU são criticadas por sua atuação no atentado.

LISBOA, (IPS) - O Timor Leste viveu momentos de júbilo e esperança em maio de 2002, quando alcançou sua sofrida independência após 450 anos de colonialismo português e um quarto de século de ocupação da Indonésia, que deixou como saldo o genocídio de um terço da sua população. Mas a violência continua e nesta segunda-feira atingiu seu presidente, José Ramos Horta.

Além de Ramos Horta, ganhador do prêmio Nobel da Paz de 1996, também sofreu um atentado, do qual saiu ileso, o mítico líder da resistência armada contra Jacarta, José Alexandre "Xanana" Gusmão, atual primeiro-ministro deste jovem país que ocupa a parte oriental da ilha de Timor, no sudeste do arquipélago indonésio e no norte da Austrália.

O ex-major Alfredo Reinado e um grupo de seus soldados fiéis foram os autores do ataque contra a residência de Ramos Horta, o político de maior consenso entre a classe política e de maior popularidade, que já foi transportado para um hospital australiano onde se debate entre a vida e a morte. Entre os abatidos neste enfrentamento armado está o líder rebelde.

Enquanto isto acontecia em Dili, capital do Timor Leste, em uma ação sincronizada o tenente Gastão Salsinha, segundo no comando do major Reinado quando ele dirigia o regimento da Polícia Militar, praticava uma emboscada contra Gusmão em uma estrada rural, a qual não teve conseqüências para o primeiro-ministro.

O prestígio de Gusmão provém de sua atuação como líder de um grupo guerrilheiro que nunca passou de 200 homens, mas que apresentou uma luta sem quartel aos 22.000 soldados indonésios que ocuparam a ilha em 1975, um ano após o golpe de Estado que pôs fim à ditadura corporativista lusitana (1926-1974), quando Portugal dissolveu seu vasto império colonial.

A impiedosa ocupação concluiu em 1999, quando uma força internacional da Organização das Nações Unidas (ONU), encabeçada pela vizinha Austrália e secundada por Portugal, obrigou o exército de Jacarta a empreender a retirada, deixando, durante os 24 anos de ocupação, um saldo trágico de 210.000 mortos, de uma população que, em 1975, era de 660.000 pessoas.

O lendário "comandante Xanana", que ao longo das quase três últimas décadas do século passado foi conhecido como "o Che Guevara de Ásia", em referência ao revolucionário argentino-cubano Ernesto Guevara de la Serna, contou sempre com a incansável ação de Ramos Horta no plano internacional. Uma dupla insubstituível para a conquista da independência.

Durante uma passagem recente por Lisboa, Ramos Horta comentou que este genocídio, o maior em termos proporcionais à população de um país que foi registrado no século XX, junto com enfrentamentos posteriores entre grupos timorenses, deixou "feridas antigas, que são profundas, e que foram reabertas no último conflito (de 2006)".

Ramos Horta, no seu último diálogo com IPS durante uma visita oficial, em janeiro, a Portugal, reconheceu que "as dificuldades são enormes e a pobreza no país é generalizada".

A estabilidade democrática "leva muitos anos para se desenvolver e, às vezes, as pessoas esquecem que só estamos vivendo nosso quinto ano de independência", concluiu Ramos Horta nessa ocasião.

Entre o final de abril e o começo de maio de 2006 estourou a crise iniciada com o abandono da cadeia de mando das Forças Armadas pelo major Reinado que, junto com 20 militares e policiais, entraram em combate contra efetivos leais ao então primeiro-ministro Mari Alkatiri, presidente da Frente Timorense de Libertação Nacional (Fretilin), que assumiu o governo após a independência.

Os violentos enfrentamentos chegaram ao auge em junho de 2006, parecendo indicar que a longa luta pela liberdade havia se transformado em uma surda disputa pelo poder, com temperos australianos e portugueses nos bastidores.

Nesses dias, os combates adquiriram vastas proporções, deixando como saldo 40 mortos. Então, o major Reinado, cercado por forças locais, australianas, portuguesas e malásias, entrincheirou-se na selva com Salsinha e uns 20 incondicionais, e foi daí que desceram nesta madrugada para atentar contra a vida dos dois principais "pais da nação".

A desculpa para o levante é a suposta discriminação étnica contra os loromunus, timorenses da parte ocidental, por parte dos lorosae, do setor oriental. Segundo os primeiros, eles são subjugados pela hierarquia controlada pelos segundos nas Forças Armadas e na Polícia Nacional.

Para aceder à chave dos atentados da madrugada de segunda-feira é preciso voltar ao dia 27 de abril de 2006, quando estourou a intensa crise político-militar, alimentada pela desintegração da Polícia Nacional e fortes divisões no seio das incipientes Forças Armadas, criadas sobre a base dos antigos guerrilheiros que combateram contra o exército indonésio.

Entre o final de abril e maio desse ano, o protesto traspassou as portas dos quartéis e ganhou as ruas de Dili e Baucau, a segunda maior cidade do país, causando um pânico generalizado.

A polícia sumiu e ninguém conseguiu deter os civis loromunus, que incendiaram casas de lorosaes, os quais abandonaram Dili em grande número e procuraram refúgio nas montanhas vizinhas.

Nesta segunda-feira, a tensão reina no Timor Leste, mas, apesar disso, todas as notas dos jornalistas portugueses destacados na ex-colônia coincidem em que tudo funciona com normalidade e que Ramos Horta está em estado grave, mas estável. Este foi "um ataque covarde contra o presidente da República, contra o primeiro-ministro e contra as instituições", disse Gusmão, no momento de declarar o estado de sítio por um período inicial de 48 horas. Por sua vez, o chanceler Zacarias da Costa indicou que Ramos Horta foi levado para a Austrália após ser operado em Dili, onde foi extraída uma das duas balas que perfuraram seu estômago. Ao mesmo tempo, o tenente Carlos Correia, da brigada "Bravo" da Guarda Nacional Republicana (GNR) portuguesa, confirmava a morte do major Reinado, mas sem conseguir especificar o número de vítimas deixado pelos enfrentamentos.

Ao mesmo tempo, começaram a surgir as críticas contra as forças da ONU estacionadas no Timor Leste para garantir a paz, acusadas de não agirem com a prontidão exigida para salvar a vida do primeiro-ministro.

"As forças da ONU colocaram barreiras nas estradas, mas não prestaram socorro imediato a Ramos Horta e ele ficou mais de uma hora deitado em seu quarto à espera de auxílio", acusou, em declarações feitas à agência portuguesa Lusa, João Carrascalão, líder da União Democrática Timorense (UDT) e um dos políticos mais influentes do país.

"O que é realmente grave, é que a Unpol (Polícia da ONU) chegou até o lugar do atentando e parou a 300 metros, não oferecendo nenhuma assistência para Ramos Horta e foi, então, a GNR que prestou socorro a ele", denunciou Carrascalão.

A ONU, segundo as notas jornalísticas lusas, limitou-se até agora, meio-dia hora GMT desta segunda-feira, a pedir que a população timorense restrinja seus movimentos e que as famílias permaneçam em casa, colocando suas forças em "alerta máximo"

Ao coro de críticas contra a ONU juntou-se o ex-primeiro-ministro Alkatiri, que, apesar de suas divergências com Ramos Horta e Xanana Gusmão, pediu oficialmente, em sua condição de líder do opositor Fretilin, que sejam apuradas as responsabilidades da missão da ONU no Timor Leste pelos atentados sofridos pelo presidente e pelo primeiro-ministro.

Na efêmera existência do primeiro novo país do século XXI e o segundo mais novo depois do ex-iugoslavo Montenegro, os pratos da balança política no Timor Leste continuam cheios de sinais contraditórios.

Tradução: Naila Freitas / Verso Tradutores

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

ANDI - Agência de Notícias dos Direitos da Infância


Adolescentes com deficiência não se consideram retratados na Mídia de três países latino-americanos

11/02/2008

• Pesquisa realizada pela ANDI aponta que adolescentes com deficiência pouco se identificam no conteúdo dos meios de comunicação brasileiros, argentinos e paraguaios
• No Brasil, as ações de merchandising social apresentam impacto positivo sobre os jovens


Garotas e garotos com deficiência pouco se reconhecem na programação de tevê, nos jornais e nas revistas. É o que revela o estudo Mais Janela que Espelho: a percepção dos adolescentes com deficiência sobre os meios de comunicação na Argentina, no Brasil e no Paraguai, lançado hoje (11/02) pela ANDI, Rede ANDI América Latina e Save the Children Suécia.

A pesquisa ouviu 67 adolescentes, a maioria na faixa dos 11 a 13 anos, com deficiência, de diferentes classes sociais, em três países latino-americanos – Brasil, Argentina e Paraguai – divididos em oito grupos focais nas cidades de São Paulo, Salvador, Buenos Aires e Assunção. A maioria esmagadora deles não se recordou de nenhuma notícia ou personagem televisivo que abordavam essa condição. “Apenas depois de diretamente questionados eles lembravam de algo e falavam no assunto”, conta Guilherme Canela, coordenador de Relações Acadêmicas da ANDI e do estudo.

Quando estimulados, os adolescentes brasileiros se lembraram de mais personagens do que os argentinos e os paraguaios. Isso se deve, especialmente, a ações de merchandising social que incluem pessoas com deficiência nas telenovelas (especialmente as da Rede Globo), em histórias em quadrinhos e programas infantis. Personagens como os cegos Flor e Jatobá, da novela América (rede Globo), Clarinha, que tinha Síndrome de Down na novela Páginas da Vida (também da rede Globo) ou o cadeirante Luca, da Turma da Mônica criada por Maurício de Souza, foram mencionados pelos meninos e meninas.

Além de lembrar personagens criados para abordar a questão, o grupo brasileiro se identificou com o que era mostrado na telinha ou no papel. E não foi uma identificação negativa. “Os adolescentes não demonstraram autopiedade. Essas ações têm um impacto muito interessante”, explica Canela. Clara por exemplo, foi considerada ‘legal’, ‘bonita’, ‘mais desenvolvida’. A identificação com a personagem foi tanta que uma participante da pesquisa chegou a dizer que “Clara era igual a mim”.

Uma janela para outros mundos

Embora o merchandising social tenha demonstrado certo impacto, o fato de os participantes da pesquisa não se recordarem espontaneamente de personagens e notícias sobre essa parcela da população é preocupante. “Por se reconhecerem pouco na programação da tevê, os adolescentes com deficiência não têm na televisão um espelho, mas uma janela”, conclui a pesquisa. Isso significa que a realidade que esses garotos e garotas apreendem por meio dos veículos de comunicação não reflete, ainda que minimamente, seu mundo e suas experiências. Nesse sentido, os meios de comunicação funcionariam como uma vitrine, uma janela para outros mundos.

Uma das conseqüências disso, segundo Guilherme Canela, pode ser uma dificuldade extrema de reflexão sobre sua condição – um dos componentes essenciais para a luta pela garantia dos seus direitos. “A mídia deveria mostrar, de forma menos desigual, a sociedade tal qual é com pessoas de diferentes gêneros, etnias, classes sociais, condições físicas e psíquicas – independentemente de ações de merchandising social”. O estudo apontou, por exemplo, que os meninos e meninas estão mais preocupados com a situação de crianças pobres ou de idosos do que com os seus próprios entraves para a plena efetivação de seus direitos.

Leia mais

http://www.andi.org.br/

http://www.andi.org.br/_pdfs/mais_janela_que_espelho.pdf

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Qualidade na TV?

01/02/2008 |
Redação
Observatório do Direito à Comunicação

Esther Hamburger - Publicado originalmente na Revista SescTV

A qualidade da programação é determinada pela audiência? Ou a audiência determina a qualidade da programação?

Na entrevista deste mês, Esther Hamburger, antropóloga e professora do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), mostra como esse falso “dilema do ovo e da galinha” é construído e distorce a relação entre emissoras de televisão, público e pesquisas de audiência। Fala também sobre mecanismos de regulamentação e o que seria uma programação de qualidade, que foge ao estereótipo do que é estabelecido como o “gosto da audiência”.

*

As emissoras, quando questionadas pelos críticos de TV a respeito da má qualidade da programação, rebatem dizendo que veiculam aquilo que o público quer assistir, medido pela audiência।Como você vê essa questão?

Na resposta das emissoras a essas críticas está embutida a idéia de que uma programação de qualidade não segura audiência. Acho isso um grande preconceito. A televisão brasileira já teve uma qualidade reconhecida dentro e fora do Brasil. Quem tem memória da televisão nos anos de 1980 e 1990, por exemplo, lembra que a TV aberta era tida como um veículo de aprendizagem, porque trazia muita informação. E as pesquisas de audiência são uma medida nesse jogo da interlocução entre as emissoras e o público. Acontece que esse padrão de medida, no caso brasileiro, era muito distorcido, e ainda é. Por exemplo, até o final dos anos de 1990, essas pesquisas, inclusive o Ibope, excluíam as populações de baixa renda por não serem consideradas consumidoras. O anunciante só estava interessado no público a partir de um determinado poder aquisitivo, daí essas populações ficarem de fora do sistema. E como no Brasil tudo é paradoxal, isso significou que a televisão nivelou sua programação por cima ou pela média em vez de nivelar por baixo, como é o caso da TV americana, que até recentemente era uma coisa de muito pouco interesse. O paradoxo está no fato de que a TV comercial em geral é pensada como “nivelada por baixo” – porque essencialmente não é para ser provocativa, ela visa à reprodução de consensos –, mas a TV brasileira, até o fim dos anos 90, nivelou pelo meio ou por cima, resultando em uma qualidade de programação melhor, que hoje se perdeu. E se perdeu por esse preconceito dos programadores. Hoje, se a grande maioria é reconhecida como consumidora, a audiência é nivelada por baixo.

Quem é essa audiência?

Tudo isso [a relação entre programador, público e as pesquisas de audiência] é, na verdade, um jogo imaginário, porque não existe audiência concretamente. Você não junta no Estádio do Morumbi a audiência da novela das oito. Audiência é uma categoria simbólica, não existe de fato. Você não toca nela, você não distribui um questionário para ela. Você faz um questionário para poucas pessoas que compõem um coletivo que você está inventando. Audiência é um conceito construído de acordo com algumas noções sobre quem é essa audiência. O Rubem Fonseca [escritor brasileiro] tem um conto muito interessante que se chama “Mulher”, e conta a estória de uma revista feita para um público chamado de “mulheres de classe C”. A redação é toda de homens e quem narra o conto é um jornalista demitido de uma seção policial de um jornal diário e que só consegue emprego naquela revista. Ele é contratado para cuidar de uma seção de cartas do leitor. Começa a inventar a personagem que ia responder às cartas e inventa também cartas que essa personagem recebe. Depois de um tempo, ele começa a receber cartas de verdade, com consultas de verdade. No fim da narrativa, vem um técnico de pesquisa de audiência e revela para aquela redação que o público deles não era de “mulheres de classe C”, como eles imaginavam e construíam. Eles atingiam, na verdade, “homens de classe B”. A última revelação do conto é que uma das pessoas que se correspondia com o jornalista era o próprio editor da revista, que era gay, tinha uma vida secreta e revelava isso nas cartas. Então, é legal pensar justamente esses desentendimentos que surgem a partir das distorções das pesquisas de audiência. O que se faz na TV aberta, muitas vezes, é imaginar um outro que você solenemente despreza.

Então, a suposta escolha da audiência não determina muita coisa...

Não. Acho que a programação é basicamente determinada pela produção, por quem controla a programação. O público tem capacidade para optar entre aquilo que vai ao ar na TV aberta. Mas essa capacidade de escolha do telespectador é muito limitada; há um menu bastante limitado de programas a serem escolhidos. E eles são muito parecidos entre si. Para falar em qualidade da programação, temos que pensar fundamentalmente em quem está produzindo. Sem dúvida isso é mais importante do que pensar no público, em um primeiro momento. Quem está produzindo é quem tem efetivamente a possibilidade de fazer algo interessante ou não.

Discutir qualidade na programação passa por determinar mecanismos de regulamentação para as emissoras e produtores?

Isso não tem a menor dúvida. E acho que a demanda do público não é só por medidas como a classificação indicativa, que gerou tanto debate. Acho bom de fato ter lá uma classificação indicativa, mas não acho que seja a principal questão, porque as pessoas são capazes de olhar e ver se querem que seus filhos assistam aquilo ou não. Acho que a demanda do público é por respeito e por uma programação que não subestime a inteligência das pessoas. É qualidade nesse sentido: uma programação estimulante, desafiadora, que faça crescer. É muito mais barato fazer um programa de auditório – não que não existam bons programas de auditório, mas é uma das coisas mais baratas que tem. E aí você coloca a culpa na audiência pela falta de investimento em programas de qualidade maior, mais elaborados. Agora, as melhores coisas na TV brasileira foram feitas com risco, já que não se enquadravam no que é veiculado normalmente. Mas acho que é isso que o público espera: coragem de quem detém a capacidade de produzir de inventar coisas novas.

O que seria uma programação de qualidade?

Não sei se qualidade é um termo bom. Não existe algo objetivo que a defina. O que pode ser bom para mim não é bom para o outro, por exemplo. Qualidade pode ser apenas a qualidade técnica, ou só qualidade ideológica – um bom programa que ninguém assiste por ser tecnicamente ruim, por exemplo. Então o que é uma coisa que escapa do estereótipo? Acho que é algo inteligente, como as séries Hoje é dia de Maria e Cidade dos Homens, o programa infantil Castelo Rá Tim Bum, só para citar algumas das muitas iniciativas que vemos por aí e que tiveram muita audiência. De certa forma, esses programas são “independentes” e representam a desproporcionalidade entre o que se tem de energia e capacidade de realização e aquilo que efetivamente ganha espaço de difusão na TV aberta.


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quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Agência Lusa - CARNAVAL 2008

Chegada da família real inspira escolas de samba do Rio

31-01-2008 10:29:14

Rio de Janeiro, Brasil, 30 jan (Lusa) - A chegada da família real portuguesa ao Brasil será o tema de inspiração para o desfile de quatro escolas de samba do Rio de Janeiro.

As cores verde e branca da Casa de Bragança foram escolhidas como símbolo do carnaval deste ano, por iniciativa do prefeito do Rio de Janeiro, César Maia.

A apresentação de duas escolas que iniciam os desfiles de domingo e segunda-feira de Carnaval - São Clemente e Mocidade Independente de Padre Miguel, respectivamente - será dedicada aos 200 anos da chegada da corte portuguesa.

As duas escolas receberam da prefeitura um patrocínio de R$ 2 milhões cada, recursos que vão ajudar a uma verdadeira revisão da história na passarela do samba.

A São Clemente, com 4.000 componentes, promete uma "entrada régia" neste Carnaval 2008, cantando os feitos joaninos sob o enredo "O clemente João VI no Rio: A redescoberta do Brasil".

As alegorias da escola vão retratar os ganhos do Rio de Janeiro sob a regência de D. João, como a criação do Jardim Botânico, da Biblioteca Nacional e da Casa da Moeda.

A escola Mocidade Independente de Padre Miguel, com 4.300 integrantes, tem como tema "O Quinto Império: De Portugal ao Brasil, uma Utopia na História", uma forma diferenciada de homenagear a vinda da família real para o Brasil.

A crença de que o rei D. Sebastião, desaparecido na batalha de Alcácer-Quibir, no norte de África (1578), iria voltar para estabelecer um império em Portugal, dominado pela Espanha entre 1580-1640, sobreviveu no imaginário português até ao século XVII.

O texto faz também alusão à lenda brasileira de que D. Sebastião, vencido pelos mouros, teria sido encantado na Praia dos Lençóis, no Estado do Maranhão, onde teria um palácio de ouro, cristal, esmeraldas e outras pedras preciosas.

A escola Imperatriz Leopoldinense apresentará a história de "João e Maria", que retrata a importância de D. João VI e das Marias que o ajudaram a construir parte da história do Brasil.

O Salgueiro, outra das 12 escolas que integram o grupo das principais agremiações do Carnaval do Rio de Janeiro, também fará alusão aos 200 anos da chegada da corte portuguesa ao Brasil.

A família real também inspirou a decoração neste Carnaval das ruas do Rio de Janeiro, que serão enfeitadas com personagens da corte portuguesa.

O desfile de abertura do carnaval de rua aconteceu terça-feira, com atores a representar a corte portuguesa, num desfile com trajes da época, pelas ruas do centro da cidade.

http://www.agencialusa.com.br/index.php?iden=13587

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BRASIL DE FATO

ONU quer aumentar efetivo policial no Haiti

22/01/2008

Vinicius Mansur, de São Paulo (da Radioagência NP)

Um dos objetivos da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah) para os próximos cinco anos é aumentar o efetivo policial de 8 mil para 14 mil homens no país. Este foi o anúncio feito pelo representante especial do Secretário-Geral das Nações Unidas (ONU) no Haiti, o tunisiano Hédi Annabi, em sua primeira visita oficial ao Brasil. Annabi afirmou que “uma vez melhorada a situação de segurança, é hora de reconfigurar a Minustah”.

O conselheiro efetivo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Rio de Janeiro, Aderson Bussinger, enviado pela entidade ao Haiti em julho do ano passado, não vê sentido na medida. “Se você dissesse que eles estão mudando o contingente das forças para assistentes sociais, para médicos, para dentistas, para engenheiros, é uma outra natureza. Mas essa natureza que está lá continua sendo uma presença estritamente militar. Essa mudança com caráter mais policial para mim não muda o caráter militarista, beligerante, contra o povo”.

Após sua passagem pelo Haiti, Bussinger preparou um relatório crítico à ação militar no país, defendendo que a intervenção brasileira deveria assumir um caráter humanitário. O conselheiro da OAB também criticou a previsão de manutenção das tropas por mais cinco anos. O término da missão já havia sido adiado para o dia 15 de outubro de 2008. Mas, de acordo com Annabi, o Conselho de Segurança da ONU deverá prorrogar mais vezes a missão.

Além de aumentar o efetivo policial, o representante da ONU também destacou o envio de contingentes militares às fronteiras do país. De acordo com Annabi, o Haiti perde entre US$ 150 milhões e US$ 250 milhões por ano pela falta de controle nas fronteiras.

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FÓRUM ECONÔMICO MUNDIAL

Direitos humanos não têm lugar no Fórum

Ravi Kanth Devarakonda

Davos, Suíça, 28/01/2008(IPS) - Os líderes políticos e empresariais no Fórum Econômico Mundial, na Suíça, se concentraram no terrorismo como uma das maiores ameaças à paz, mas não abordaram o risco que seu combate representa para os direitos humanos.

O presidente do FEM, Klaus Schwab, disse que, além da luta contra o terrorismo internacional, os debates da edição deste ano passavam pela mudança climática, como colocar em marcha um processo de paz factível para o Oriente Médio e a maneira como a tecnologia pode marcar o início de uma nova era de redes sociais para além das fronteiras.

Mas, em nenhuma instância deste encontro de governantes do Norte industrializado, executivos de multinacionais e especialistas em finanças, que começou na quarta-feira e terminou ontem no centro turístico suíço de Davos, se tratou da ameaça aos direitos humanos que implica o modo como os Estados Unidos e seus aliados encararam sua luta contra o terrorismo.

“Estudou-se o assunto com um painel de destacados especialistas legais de 30 países e é um problema grave que leva ao desgaste das instituições responsáveis por garantir o direito”, disse à IPS a Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Mary Robindon. “Não fomos efetivos na hora de garantir que as medidas antiterroristas salvaguardassem os direitos humanos básicos em vários países”, admitiu. Em Davos não houve um debate específico a respeito.


(IPS/Envolverde) (FIN/2008)

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FÓRUM SOCIAL MUNDIAL

Diversidades ainda não reconhecidas

Mario Osava

Campo Grande, 28/01/2008 (IPS) - Para muitos, o Fórum Social Mundial perdeu repercussão e eficácia, talvez por adiantar-se muito à opinião pública e a procedimentos políticos ainda dominantes, mas não à realidade deste tempo, que exige soluções complexas e urgentes.

Manter-se como um “espaço aberto” de debates e articulação para o fortalecimento da sociedade civil, de forma horizontal e sem adotar resoluções, rejeitando tentações de se converter em um movimento para influir diretamente no poder marca diferenças com a cultura política vigente e causa tensões internas no FSM. A organização em redes, não hierárquica, com o reconhecimento e o respeito à diversidade em todas as dimensões, são parte da democracia futura que teóricos do fórum pretendem construir a partir de seus próprios processos internos, e que é pouco compreendida pelo publico e mesmo por muitos participantes do próprio FSM.

A crise do clima revitaliza o lema do Fórum, “outro mundo é possível”, acentuando o “necessário” que lhe agregam muitos ativistas. O nível de conhecimento atual do fenômeno indica que a transformação será inevitável, com um sentido positivo se assim decidir a humanidade, ou catastrófico, se predominar a inércia. Isto abre melhores possibilidades de desnudar os valores e as estruturas que conduzem o mundo a um desastre e da necessidade de mudá-los, observou um dos fundadores do FSM, o brasileiro Francisco Whitaker, em recente artigo escrito em defesa de um fórum aberto, diante de propostas de convertê-lo em instrumento de ação.

A questão climática e ambiental estará no centro da conferência mundial que o FSM retomará em 2009, após substituí-la este ano por manifestações descentralizadas do Dia de Ação Global, que aconteceram no sábado. Não por casualidade a Amazônia foi eleita sede do próximo encontro, mais especificamente a cidade de Belém, no Pará. Mas as dificuldades do Fórum derivam, em última instância, da enormidade do desafio de articular e mobilizar a sociedade civil global por “outro mundo”, mais seguro e mais justo.

O planeta se tornou mais complexo com a diversidade de interesses e culturas que já não aceitam a submissão. Mulheres, negros, indígenas, “loucos”, gente com “deficiências”, jovens, homossexuais, todos reclamam protagonismo e inclusão. Para as populações aborígines, os Estados nacionais “não servem, porque seguem um modelo não-indígena, incapaz de entender a diversidade”, afirmou Lisio Lili, membro do povo terena e do Comitê Intertribal, acrescentando uma nova complicação, ainda pouco considerada, ao mundo que os ativistas do FSM querem transformar.

(IPS/Envolverde) (FIN/2008)

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