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domingo, 9 de março de 2008
Superar clichês para abordar a mulher na mídia
08/03/2008
Ana Rita Marini*
FNDC
A passagem do Dia Internacional da Mulher (8 de março), além das comemorações alusivas, reforça a sempre necessária reflexão sobre as questões de gênero, no sentido de equalização dos direitos sociais. Do ponto de vista dos meios de comunicação, uma das tarefas mais complexas talvez seja apresentar a mulher livre dos estigmas de beleza e sensualidade, dos clichês. Para as mulheres profissionais do setor, os desafios são grandes, assim como a responsabilidade.
A forma como a mulher é tratada nos meios de comunicação, de maneira geral, reproduz a imagem que a sociedade elabora do sexo feminino. Dessa forma, o compromisso da própria profissional de comunicação na “construção” da figura feminina veiculada é fundamental.
“Embora não seja pauta no dia-a-dia das redações e algumas colegas até neguem, creio que cabe às mulheres jornalistas esse papel, fundamental, de colocar os elementos que compõem as preocupações das organizações, pesquisadoras e teóricas das questões de gênero na sociedade”, reflete a jornalista Beth Costa, editora do Jornal Nacional (TV Globo) e membro da direção da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).
Os desafios ainda são muito grandes, destaca Beth. O primeiro deles, aponta, é a sensibilização para que, cada vez mais, as mulheres nas redações assumam esse papel – desgastante, muitas vezes estereotipado e ironizado pelos próprios companheiros de trabalho. “Mas, acredito firmemente que o olhar feminino sobre as questões de gênero (como discriminações, assédios e sexual, salário menor do que o dos colegas, limitações na ascensão profissional, direitos da maternidade, violência contra a mulher, etc. etc) é fundamental e imprescindível”, reforça Beth.
Mulheres são maioria na audiência
As mulheres brasileiras compõem uma fatia majoritária das audiências da televisão (53%), do rádio (53%) e das revistas (55%), e representam 49% dos leitores de jornais, segundo dados divulgados pelo Instituto Patrícia Galvão, que fazem parte de um relatório preparado por solicitação do Comitê da Participação Brasileira na Sessão Especial da Assembléia das Nações Unidas (Pequim + 5), no ano de 2000.
Essa incidência coloca as mulheres como preocupação estratégica na formulação de conteúdos para esses meios. Contudo, a imagem que se faz do feminino, na maioria das vezes, segue o estereotipo: magra, alta, bonita, se distanciando da realidade que é diversa. “A mídia nos contempla de uma maneira muito seletiva e sempre focando o aspecto mercadológico, o emocional, as questões um pouco mais individuais, e nunca levando em conta qualquer consideração enquanto necessidade social, enquanto movimento”, analisa a psicóloga Rachel Moreno, presidente do Observatório da Mulher (entidade feminista que trabalha por políticas públicas relacionadas às questões do gênero).
...“Nem toda feiticeira é corcunda, nem toda brasileira é bunda,
meu peito não é de silicone. Não sou atriz, modelo, dançarina”...
Os versos são da música Pagu, de Rita Lee, e servem como exemplo de um modelo (imagem) não contemplado pelos grandes meios de comunicação, numa analogia que corrobora com uma realidade apontada por Rachel, quando ela diz que a mídia acaba por não considerar as diversidades femininas. “Não são debatidos os problemas que a vida contemporânea nos coloca, nem consideram que somos diversas. Somos brancas, negras, velhas, jovens, gordas, magras; e temos opiniões variadas a respeito da vida”, comenta, lamentando o modelo autoritário que resulta desta abordagem.
Mudar o imaginário
Comemorar o Dia Internacional da Mulher é um paradoxo, na opinião da jornalista Christiane Finger, editora regional do SBT no Rio Grande do Sul, âncora de um telejornal regional na emissora e coordenadora do curso de Jornalismo da PUC-RS. “Ao mesmo tempo em que a gente tem que reforçar direitos, abrir alguns espaços, parece que essa comemoração, por si só, é meio machista. Tenho sempre dúvidas de como pautar esse tema”, revela, destacando que, às vezes, as lutas se confundem. “Além de uma luta de classes, também é uma luta de gênero”, afirma Christiane. Ela destaca o perigo de o profissional embarcar em clichês como o papel da mulher, o papel da mãe, “coisas que ficam no imaginário e que acabamos reproduzindo se não estivermos atentos”, relata, lembrando do necessário cuidado para não cair para o outro lado, da “discriminação ao contrário”. Christiane revela que em sua redação, na emissora, só tem mulheres. “Eu sempre digo que é porque as mulheres conseguem cuidar de várias coisas ao mesmo tempo”, lembra.
Beth Costa reflete ainda que as profissionais da comunicação parecem desconhecer as mudanças em andamento e as conquistas das mulheres nos dias de hoje. Segundo ela, se fizermos uma pesquisa nos assuntos que são tratados diariamente pela televisão, não veremos nada do que as pesquisas já indicam: que as mulheres são maioria nas universidades, que as mulheres assumiram o papel de chefe de família em 74% dos lares, que as mulheres inclusive são maioria nas redações.
O impacto disso na construção de uma imagem diferenciada, de um olhar compreensivo e acolhedor em direção às mudanças concretas por que passam e já passaram as mulheres? “Como eu disse antes, muitas de nós temos medo ainda de sermos chamadas de feministas, quando defendemos essa visão mais apurada. Eu, por exemplo, adoro ser chamada de feminista. Isso pra mim é um elogio muito grande”, revela Beth.
É possível intervir na mudança de uma concepção de gênero estereotipada tipo: mulher magra, mulher bonita, mulher meiga, mulher alta, mulher jovem, mulher esposa, mulher gostosa... retratada na maioria das vezes pela mídia?
Para a jornalista Beth Costa, não se trata de uma tarefa fácil. Ela argumenta que mudanças de cultura levam anos para acontecer, e que, por isso, depende de cada mulher na redação estar consciente desse papel. “Podem crer, essa é uma tarefa diária e incessante, pois a todo momento a discriminação contra a mulher aparece. De uma forma mais amena ou mais violenta, sempre aparece. E cabe a nós, mulheres jornalistas, termos o olhar atento e os argumentos na ponta da língua, para disputar as mentes e os corações, primeiro dos nossos chefes e colegas, depois da sociedade”, justifica.
Uma TV comercial deve ter um comprometimento diferenciado de uma TV pública com essa questão da imagem da mulher? Beth garante que essa é uma tarefa de todas as emissoras de TV. ”Quanto a isso, sou radical. A TV pública talvez tenha mais independência e tempo pra tratar dessas questões, mas, as comerciais, por terem uma fatia maior da audiência, têm a obrigação de tratar desses assuntos, com um olhar diferenciado, feminino, sem dúvida alguma”.
Na TV Brasil, recém inaugurada, a mulher terá mais espaço, por meio da divulgação de suas produções, de suas obras, como cineastas, escritoras, diretoras de cinema, cientistas, produtoras, artistas. Fará parte da programação trabalhar a imagem da mulher valorizando-a em seus papéis múltiplos na sociedade, como profissional, como mãe. A afirmação é da presidente da nova emissora de TV pública brasileira, Tereza Cruvinel, que, garante, irá “sair um tanto dessa coisa da aparência, da valorização estética feminina, e voltar para sua produção, seu trabalho, sua energia”. Uma programação especial da TV Brasil, no mês de março, apresenta a obra de diversas mulheres brasileiras. (confira a programação).
*com a colaboração de Fabiana Reinholz
Portugal dá aval à reforma ortográfica
Proposta, aprovada pelo conselho de ministros, ainda depende da aprovação do Parlamento; implantação levará seis anos
Com a entrada de Portugal, acordo firmado em 1991 unificará a língua escrita na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ANGELA PINHODA SUCURSAL DE BRASÍLIAO fim do trema em todo o vocabulário e de acentos em palavras como "vôo", "idéia" e "lêem" ficou mais próximo ontem, com a decisão do conselho de ministros de Portugal de aderir ao acordo ortográfico entre os países de língua portuguesa firmado em 1991.
A ratificação do texto pelo país depende ainda da aprovação pelo Parlamento da proposta elaborada pelos ministros. Se passar pelo Legislativo, o texto será submetido ainda ao presidente da República. Mas, segundo declarou à agência Lusa o ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, "com a decisão agora tomada, o governo português está a exprimir a sua vontade política de se juntar aos outros Estados da CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa]".
No Brasil, o acordo ortográfico já foi aprovado pelo Congresso e, em tese, está em vigor, uma vez que, para isso, basta a assinatura de três países da CPLP. Além do Brasil, já ratificaram o texto Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.A implantação, porém, era adiada devido à não-adesão de Portugal. "Os países todos esperam Portugal, até porque se trata do país matriz do português", disse à Folha Luís Fonseca, secretário-executivo da CPLP. "Senão, estaríamos em uma situação bizarra de o acordo nos levar a três ortografias."Os ministros portugueses estimam um prazo de seis anos para a implementação das mudanças. No Brasil, pode estar presente nos livros didáticos já daqui a dois anos.
O MEC disse ontem que o ministro Fernando Haddad se reunirá com representantes do Ministério da Educação português para definir um cronograma de implantação gradual.Ainda não há um cronograma para a alteração das regras em outros escritos, como dicionários e obras literárias, afirma Nazaré Pedrosa, assessora internacional do Ministério da Cultura. "A adoção de uma nova ortografia tem de se dar de uma forma normal, não impositiva nem dramática."Professores terão de ser treinados para ensinar as alterações, e todos terão de reaprender a ortografia, mas, para ela, não é preciso criar "alarme", já que, argumenta, todos se adaptaram à reforma de 1971. A reforma também será vantajosa, diz, para a adoção do português como língua de trabalho em organismos internacionais.
Revista denunciou envolvimento de Uribe com o narcotráfico
COLÔMBIA
Artigo publicado pela revista Newsweek, em agosto de 2004, revelou informações de um relatório dos serviços de inteligência dos EUA, apontando o envolvimento do presidente colombiano, Álvaro Uribe, com narcotraficantes e com o Cartel de Medellín.
Redação - Carta Maior
Em agosto de 2004, a revista Newsweek publicou um artigo apontando o envolvimento do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, com integrantes do narcotráfico. Assinado pelos jornalistas Joseph Contreras e Steven Ambrus, o artigo citou informações de um relatório do serviço de inteligência dos Estados Unidos para sustentar a afirmação sobre o envolvimento de Uribe com narcotraficantes e grupos para-militares colombianos.
Entre outras informações, o relatório a que os jornalistas da Newsweek tiveram acesso fala do envolvimento de Uribe com o Cartel de Medellín, com atividades com narcóticos nos EUA e com o líder do narcotráfico Pablo Escobar Gaviria, morto pela polícia em 1993.
Na época, a assessoria de Uribe divulgou uma nota negando a ligação de Uribe com negócios nos EUA, mas silenciando em relação às outras acusações. A íntegra da matéria da Newsweek é a seguinte:“Um relatório liberado pelos serviços de inteligência do Departamento de Defesa (dos EUA), datado de setembro de 1991, pode ser visto como uma espécie de ‘Quem é Quem’ no tráfico de cocaína na Colômbia.
A lista inclui o cabeça do cartel de Medellín, Pablo Escobar, e mais de 100 outros escroques, assassinos, traficantes e obscuros advogados supostamente a seu serviço. Lá se encontra o número 82 da lista: ‘Álvaro Uribe Velez - político e senador colombiano dedicado à colaboração com o Cartel de Medellín a partir dos altos escalões governamentais. Uribe esteve envolvido em atividades com narcóticos nos EUA.... Uribe trabalhou para o Cartel de Medellín e é amigo íntimo de Pablo Escobar Gaviria’. Escobar morreu em 1993, em meio a uma blitz policial. Há dois anos, Uribe tornou-se presidente da Colômbia.
Washington o ama. Numa declaração impressa de duas páginas, a assessoria do presidente colombiano negou que Uribe tenha tido ligações de qualquer tipo com negócios nos EUA, conforme consta do relatório de 1991 (a lista foi obtida pelo Arquivo de Segurança Nacional - NSA - um grupo independente de pesquisa nos EUA). Entretanto, a declaração não tratou das alegações de que Uribe tenha trabalhado para o Cartel de Medellín e que tenha sido amigo íntimo de Escobar. Isto se deve, talvez, ao fato de Uribe acreditar que seus atos mais recentes falem mais alto do que seus desmentidos: nos últimos dois anos, a Colômbia extraditou 140 acusados de tráfico para os EUA - uma cifra jamais igualada por qualquer presidente anterior. ‘Este é provavelmente um dos presidentes mais pró-americanos em toda a história da América Latina’, afirmou Adam Isacson, no Centro para a Política Internacional, em Washington.
Ainda assim, algumas questões permanecem. Uribe tem falado de paz com os grupos fora-da-lei de paramilitares de direita. Esses grupos começaram a agir em auto-defesa, frente ao movimento de guerrilha marxista fora de controle, embora eles mesmos (os paramilitares) tenham apoio do comércio de drogas. Após obter permissão legal para combater a guerrilha de esquerda, Uribe passou a oferecer perdão aos paramilitares que renunciarem ao tráfico e se desarmarem. ‘Algumas dessas pessoas nem mesmo têm credenciais que indiquem sua atuação anti-guerrilha’, comenta Isacson. ‘São simplesmente traficantes de drogas que compraram seu ingresso no movimento paramilitar como uma forma de obter status político, legitimar suas fortunas e poder caminhar livres’. Muitos colombianos parecem despreocupados. Com os níveis de aprovação do presidente beirando os 70%, provavelmente ele conseguirá aprovar uma emenda constitucional, ainda este ano, que permitirá que ele concorra novamente ao cargo em 2006 - e vença”.
Exposição comemora bicentenário da chegada da família real no Rio de Janeiro
Objetos e documentos expostos no Museu Histórico Nacional revelam aspectos econômicos, políticos e culturais do período
O Museu Histórico Nacional inaugurou em 7 de março a exposição internacional "Um Novo Mundo, Um Novo Império: A Corte Portuguesa no Brasil”, como parte das comemorações dos 200 anos da chegada da família real portuguesa ao Brasil.
Na presença de autoridades do Brasil e de Portugal, foi lançada pelo Clube da Medalha/Casa da Moeda do Brasil a Medalha Comemorativa dos 200 anos da chegada de D. João ao Brasil. A exposição enfatiza os aspectos econômicos, políticos e culturais da vinda da família real portuguesa, apresentando o contexto histórico que cercou D. João VI, o primeiro monarca europeu a atravessar o oceano Atlântico e responsável pelo estabelecimento da sede do maior império das Américas. Através dos objetos, o público conhecerá desde a situação na Europa com as guerras napoleônicas, que motivaram a vinda da Corte para o Brasil, até os fatores que levaram o Imperador D. Pedro I a proclamar a Independência do país. Dividida em núcleos temáticos, a exposição conta com objetos e documentos de importantes instituições públicas e particulares brasileiras e portuguesas.
O núcleo inicial aborda as conquistas de Napoleão na Europa, em especial na Península Ibérica, seguidas de biografias dos personagens envolvidos no conflito – Napoleão, Carlos IV, D. Maria I e Jorge III. Através de acervo iconográfico cedido por instituições portuguesas, serão mostrados aspectos da cidade de Lisboa por ocasião do embarque, bem como retratos das infantas portuguesas que vieram para o Brasil. O núcleo seguinte aborda o embarque em Lisboa e as dificuldades enfrentadas ao longo de 54 dias de travessia do Atlântico.
A chegada à Bahia, em 22 de janeiro de 1808, está representada pela monumental tela de Candido Portinari, “Chegada de D. João VI a Salvador”, pela primeira vez apresentada no Rio de Janeiro. Um importante conjunto documental, que reúne documentos existentes no Arquivo Nacional e na Biblioteca Nacional, revela o processo da “Abertura dos Portos às Nações Amigas”, uma das primeiras providências tomadas por D. João ao chegar à Bahia, marco inicial do desenvolvimento do comércio.
O Rio de Janeiro encontrado pela família real e as transformações ocorridas na cidade a partir da chegada da corte são abordados em outro núcleo. Instituições portuguesas, como o Arquivo Real, a Real Biblioteca e o Erário, foram recriadas no Brasil para permitir o funcionamento do Estado português em solo americano. O livre comércio, o estabelecimento de indústrias, a introdução de novos hábitos culturais e a criação de importantes instituições, tais como a Imprensa Régia, a Real Junta do Comércio e as Academias científicas, modificaram definitivamente o perfil colonial do país e introduzirem no cenário nacional novas forças sociais que produziram imagens simbólicas e definiram o poder monárquico no Novo Mundo.
E foi a cidade do Rio de Janeiro que mais rapidamente sentiu essas modificações, com a redefinição do panorama urbano, a introdução de novos estilos arquitetônicos – sobretudo a partir da vinda da missão artística francesa de 1816 – e a mudança do comportamento da sociedade, que passa a viver de maneira cosmopolita: entre saraus, festas e apresentações teatrais, efervescia a vida política, social e cultural. Integram esse núcleo instrumentos científicos contemporâneos a D. João VI; o trono acústico criado na Inglaterra especialmente para o monarca; pintura a óleo contemporânea que reproduz com fidelidade a cena da chegada da frota real à baía da Guanabara e objetos de época – mobiliário, porcelanas, condecorações, etc – além de extensa iconografia do período.
O penúltimo núcleo aborda os conflitos que se instalaram no Brasil e em Portugal a partir de 1817, até a decisão das Cortes portuguesas de exigirem o retorno de D. João VI em 1820, o que efetivamente ocorreu em 1821, após treze anos em terras brasileiras. Se, ao chegar ao Rio de Janeiro em 1808, D. João VI desembarcou numa provinciana cidade colonial, ao partir em 1821 deixou um Brasil bem diferente daquele encontrado, que se transformaria na sede do maior Império das Américas.
Como conseqüência natural da vinda da corte portuguesa para sua colônia nos trópicos, a alusão à Proclamação da Independência do Brasil pelo Imperador D. Pedro I encerra exposição, que fica no MNH até 8 de junho de 2008 e é patrocinada pela Fundação Calouste Gulbenkian e com o apoio da TAP. Conjunto arquitetônico do MHN é anterior a D. João VI O conjunto arquitetônico no qual está abrigado o Museu Histórico Nacional já existia quando a Corte se estabeleceu na cidade do Rio de Janeiro e fez parte dos acontecimentos de então. Composto de três edificações - a Fortaleza de Santiago (1602), a Casa do Trem (1762) e o Arsenal de Guerra (1764) – esse conjunto de origem militar tinha funções restritas no Brasil colônia, uma vez em que a fabricação de armas era proibida até 1808.
No Arsenal chegavam as partes dos equipamentos militares chamados de ¨os trens de artilharia¨. O termo acabou por denominar o arsenal de Casa do Trem, local onde os ¨trens¨ eram fundidos. Com a chegada de D. João ao Brasil, o Arsenal passou a ter uma organização semelhante ao de Lisboa, sendo então denominado de Arsenal Real do Exército. Transformado em local de produção de equipamento, passou a atender às necessidades do Reino, ou seja, produzir munições, uma vez que a Metrópole estava sem condições de suprir as tropas, em decorrência da guerra Napoleônica. Ainda na “Casa do Trem” foi instalada em 1811 a Academia Militar, a primeira instituição brasileira de ensino superior, origem da primeira escola de engenharia do país.
sexta-feira, 7 de março de 2008
Comunidades do Rio recebem obras do PAC com apoio e apreensão
| 7 de Março de 2008 - 05h44 - Última modificação em 7 de Março de 2008 - 05h46 |
Moradores de favelas que não receberam obras do PAC se dizem discriminados
7 de Março de 2008 - 06h01 - Última modificação em 7 de Março de 2008 - 06h01 |
Veja a repercussão da crise entre Colômbia, Equador e Venezuela na imprensa internacional
da Folha Online
A crise entre Equador, Colômbia e Venezuela, desencadeada pela morte de Raúl Reyes, um dos principais líderes das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), no último sábado (1º), em ataque colombiano em território do Equador, provocou repercussão mundial com a possibilidade de um conflito armado na região.
Veja a repercussão da crise na imprensa internacional.
"New York Times"
Tropas se agrupam nas fronteiras colombianas
A Venezuela e o Equador mobilizaram tropas para suas fronteiras com a Colômbia no domingo, intensificando uma crise diplomática que começou após as Forças Colombianas matarem um líder sênior da guerrilha em um acampamento na floresta no Equador.
| Reprodução |
Além do mais, a Colômbia disse na noite de domingo que documentos apreendidos em um computador do guerrilheiro Raúl Reyes apontam para colaboração entre o governo do Equador e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, ou Farc, maior grupo insurgente da América Latina.
Os documentos revelam comunicações entre Reyes, o número dois no comando das Farc, e um emissário do presidente Rafael Correa, no qual o Equador questiona a inteligência das Farc sobre comandantes da polícia no leste do Equador a fim de transferi-los para fora da região.
O documento, tornado público pelo diretor da polícia colombiana Óscar Naranjo, também sugere que Correa estava aberto para formalizar relações com as Farc. Um porta-voz do Equador em Quito chamou as alegações colombianas de mentira, segundo a Associated Press.
"El País"
A polícia colombiana diz ter provas de que Chávez financiou as Farc
O general Oscar Naranjo, diretor da Polícia Colombiana, assegurou contar com documentos de Raúl Reyes, o porta-voz das Farc mortos neste fim de semana em uma operação do Exército, que provam que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, entregou US$ 300 milhões à guerrilha. A crise desencadeada pela morte de Reyes, número dois da guerrilha, em um ataque colombiano em solo equatoriano no sábado passado, ameaça desatar um conflito armado na América do Sul.
| Reprodução |
Por um lado, os presidentes da Venezuela e do Equador, os aliados Hugo Chávez e Rafael Correa, retiraram seus diplomatas da Colômbia e concentraram tropas em suas respectivas fronteiras com este país. Equador enviou 3.200 soldados. Enquanto isso, Bogotá assegurou possuir documentos que provam a relação entre o governo de Correa e de Chávez com as Farc e pediu explicações, ainda que tenha descartado enviar tropas para as fronteiras. O ministro da Defesa do Equador, Wellington Sandoval, não demorou em negar qualquer contato de seu país com as Farc.
O governo colombiano tenta não contribuir com a escalada diplomática desatada com o ataque que matou Reyes e outros 16 companheiros em um acampamento na selva dentro do território do Equador próximo à fronteira com a Colômbia.
"Guardian"
Chávez envia dez batalhões à fronteira colombiana após morte de comandante das Farc
O presidente venezuelano, Hugo Chávez, criou ontem o espectro de uma guerra na América do Sul ao enviar tropas à fronteira do seu país com a Colômbia e ao encurtar os laços diplomáticos para protestar contra o assassinato de um líder guerrilheiro por parte da Colômbia.
| Reprodução |
Chávez dramaticamente ordenou o envio de dez batalhões à fronteira e o fechamento da Embaixada da Venezuela em Bogotá, com a retirada de todo o corpo diplomático, mergulhando a região em uma crise repentina.
O revolucionário socialista de estilo próprio chamou a Colômbia de Estado terrorista e classificou o presidente, Álvaro Uribe, de criminoso e marionete dos EUA. O país vizinho precisa ser "libertado" da dominação americana, disse Chávez em seu programa de TV semanal, "Aló Presidente": "Sr. ministro da Defesa, movimente dez batalhões para a fronteira com a Colômbia imediatamente, batalhões de tanques. A Força Aérea deve ser mobilizada. Não queremos guerra."
"The Independent"
Chávez ameaça Colômbia após morte de líder rebelde
| Reprodução |
O presidente Hugo Chávez ordenou ontem o fechamento da Embaixada da Venezuela na Colômbia e mandou milhares de militares à fronteira dos países após o Exército da Colômbia matar um líder rebelde de alto escalão.
Ele alertou que o "assassinato covarde" do comandante rebelde e "bom revolucionário" Raul Reyes e outros 15 no sábado poderia desencadear uma guerra na América do Sul.
Ao falar em seu programa semanal de TV e rádio, Chávez ordenou seu ministro da Defesa: "Mova dez batalhões para a fronteira com a Colômbia para mim, imediatamente". Ele também chamou a Colômbia de "Estado terrorista" e qualificou seu presidente, Alvaro Uribe, de "criminoso".
"Al Jazeera"
Equador nega ligações com as Farc
| Reprodução |
O Equador negou as acusações colombianas de que seu governo fortaleceu os laços com as Farc, após um ataque colombiano a uma base rebelde no Equador ameaçar dar início a uma crise regional.
Tanto o Equador quanto a Venezuela enviaram tropas para suas fronteiras com a Colômbia após o ataque, no qual Raul Reyes, um líder das Farc, foi morto.
Francisco Suescum, embaixador do Equador retirado de Bogotá, disse: "É uma mentira. Nem o governo do Equador nem o presidente Correa jamais tiveram tal atitude.
"Press TV" (Irã)
Colômbia diz que vizinhos abrigam rebeldes
O vice-presidente colombiano, Francisco Santos Calderon, criticou os países vizinhos por darem refúgio a grupos rebeldes e terroristas.
| Reprodução |
Em reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra nesta segunda-feira, Calderon mencionou a resolução do Conselho de Segurança da ONU 1373 que proíbe Estados-membros de abrigar grupos que "financiam, planejam ou cometem atos de terrorismo".
"No nosso continente, há governos que deliberadamente violam esta obrigação solene", disse o vice-presidente, segundo a France Presse.
Calderon não citou os nomes dos países envolvidos, mas seus comentários serão vistos como uma referência ao Equador e à Venezuela, que a Colômbia acusa de ajudar as guerrilhas das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).
quarta-feira, 5 de março de 2008
Programa de qualificação para o mercado da construção civil vai capacitar mulheres de baixa renda no Rio de Janeiro.
O projeto “Mão na Massa” vai preparar mulheres de baixa renda entre 18 e 45 anos para o mercado da construção civil no Rio de Janeiro.
O curso é realizado pelo Abrigo Maria Imaculada e pela Federação de Instituições Beneficentes do Estado do Rio de Janeiro (FIB) e tem a duração de seis meses. Ele pretende aumentar a presença feminina no mercado de trabalho e gerar renda.
Segundo a coordenadora do projeto, Norma Sá, o programa de qualificação profissional de mulheres para trabalharem na construção civil vai contar com aulas de informática, cidadania, técnicas de edificações, empreendedorismo, segurança do trabalho, e também um estágio prático em canteiros de obras.
“O projeto é voltado para a qualificação de mulheres no setor da construção civil para encarar o mercado pela primeira vez. Elas passam por uma entrevista que a gente vê o critério da vulnerabilidade da mulher e da família, o desejo de ingressar numa área e que tenha uma disposição física grande. Todas essa mulheres já tinham alguma experiência direta, algumas inclusive já construíram a própria casa”, disse Norma.
Os cursos serão realizados e certificados pelo SENAI, entre as ocupações estão as de pedreira, pintora, encanadora e carpinteira.
Através desse projeto, Norma acredita que é possível inserir a mão de obra feminina no mercado e diminuir a discriminação.
“A idéia é tanto valorizar como transformar essa mulher em empreendedora no lar. A construção civil tem um mercado aberto, principalmente na região metropolitana do Rio com grandes obras. O que a gente menos encontra são funções básicas com qualificação. O objetivo é levá-las para o mercado mas qualificadas para a função”, ressaltou.
Norma Sá explicou também que o projeto "Mão Na Massa – Mulheres na construção civil" foi criado a partir de uma pesquisa, em 2007, com mais de 200 mulheres mães de crianças atendidas pelo Abrigo Maria Imaculada no bairro do Rocha, na zona norte do Rio de Janeiro.
A maioria delas mora na favela do Jacarezinho e muitas falaram do interesse em aprender técnicas básicas de construção. A primeira turma já capacitou 50 alunas que começaram em novembro do ano passado, algumas já se inscreveram para trabalhar nas obras do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, que começa agora em março. A segunda turma começa agora no mês de março.
terça-feira, 4 de março de 2008
Ataque às Farc impediu libertação de Betancourt, diz Correa
| Claudia Jardim De Caracas para a BBC Brasil |
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| Correa diz que gestionava libertação de 12 reféns das Farc |
“Lamento comunicar-lhes que as conversas estavam bastante avançadas para libertar 12 reféns, entre eles Ingrid Betancourt. Tudo foi frustrado pelas mãos belicistas e autoritárias”, afirmou Correa, na noite desta segunda-feira, no Palácio de Governo, em Quito.
Correa, que rompeu relações diplomáticas com a Colômbia, afirmou que a libertação de Betancourt e de outros 11 reféns poderia ter motivado os ataques que resultaram na morte de Raúl Reyes, o número 2 das Farc e responsável pelas negociações de libertação dos seqüestrados.
“Não podemos descartar que essa foi uma das motivações para o ataque por parte dos inimigos da paz”, disse o presidente equatoriano, em referência ao governo da Colômbia.
Classificando de "mentira" a explicação de seu colega colombiano Álvaro Uribe, que apresentou a operação realizada no sábado como de auto-defesa "em um suposto combate que não houve", Correa acusou neste domingo os militares colombianos de "assassinato".
Na operação realizada dentro do território equatoriano, 19 guerrilheiros foram mortos.
"Motivos humanitários"
Imediatamente após a incursão militar, o governo da Colômbia passou a acusar o governo equatoriano, em especial o ministro de Segurança, Gustavo Larrea, de manter vínculos com a guerrilha.
Correa contestou, afirmando que o contato com a guerrilha foi realizado por motivos humanitários.
“Cabe perguntar o que buscava o governo Uribe eliminando a Raúl Reyes em território equatoriano e logo inventando fatos para vincular-nos com as Farc. Por acaso o objetivo é desestabilizar o governo que se negou a participar do Plano Colômbia?”, questionou Correa.
O Plano Colômbia é um projeto financiado pelo governo dos Estados Unidos, oficialmente para combater as guerrilhas colombianas e o narcotráfico no país.
Traição
Correa questionou a posição do governo colombiano ao optar por “regionalizar” o conflito armado colombiano, empurrando o conflito para o Equador e a Venezuela, e pediu solidariedade aos países latino-americanos para frear o que classificou de “precendente nefasto”.
“Nenhum governo antes havia se atrevido a regionalizar seu conflito. Isso é inédito e inadmissível”, disse.
“Os governos da América Latina saberão unir-se e deter este nefasto precedente que tentou impor o governo da Colômbia e que não pode ser justificado sob nenhum argumento.”
O presidente do Equador também acusou Uribe de traição. “À Colômbia, sempre declaramos a paz, oferecemos a mão solidária, mas fomos traídos. Sabemos que não é a traição de um povo e sim de um homem e de um governo. Saberemos defender a pátria”, afirmou.
Correa começa nesta terça-feira um giro por cinco países, incluindo o Brasil, para explicar a crise diplomática com a Colômbia. A viagem começa no Peru e passa por Brasil, Venezuela, Panamá e República Dominicana.
sábado, 1 de março de 2008
No RJ, presidente luso vai inaugurar exposição sobre a Corte
Rio de Janeiro, 28 fev (Lusa) - O presidente de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, participa da inauguração de uma exposição, em 7 de março, sobre os 200 anos da chegada da família real ao Brasil, informou a organização do evento nesta quinta-feira.
A diretora do Museu Histórico Nacional (MHN), Vera Tostes, disse à Agência Lusa que a exposição "Um Novo Mundo, Um Novo Império: A Corte Portuguesa no Brasil" vai assinalar o início oficial das comemorações do evento em todo o país."Será uma felicidade grande porque a abertura da exposição acontecerá no dia e na mesma hora em que, há 200 anos, o vice-rei e a população davam as boas-vindas à chegada da esquadra com a família real ao Rio de Janeiro", disse.
A visita de Cavaco Silva ao MHN insere-se na deslocação do presidente da República ao Brasil, entre 6 e 9 de março, por ocasião das comemorações dos 200 anos da chegada da Corte portuguesa.
Durante a visita, o Presidente português reúne-se com o seu homólogo brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e participa em vários eventos comemorativos.
No domingo, dia 9, Cavaco Silva oferece uma recepção aos representantes das Comunidades Portuguesas e Luso-Brasileiras, no Consulado-geral de Portugal no Rio de Janeiro.
Vera Tostes destacou que a exposição, com 320 peças espalhadas por 1.200 metros quadrados, será a única realizada no Brasil sobre a chegada da família real em toda a sua abrangência.
A exposição será uma oportunidade para conhecer melhor o contexto histórico que cercou D. João 6°, o primeiro monarca europeu a atravessar o oceano Atlântico.
Dividida em núcleos temáticos, a exposição apresentará objetos e documentos de importantes instituições brasileiras e portuguesas, muitos dos quais expostos pela primeira vez ao público.
Uma das curiosidades será a cadeira acústica utilizada por D. João 6°, durante as suas audiências, atualmente de um colecionador português, e que comprova a deficiência auditiva do soberano.
"Essa cadeira levará a alguma reflexão no sentido de rever a tese de que D. João permanecia alheio aos acontecimentos, mas o que é até compreensível para um deficiente auditivo", salientou Tostes.
A parte inicial abordará as conquistas napoleônicas na Europa, em especial na Península Ibérica, seguidas de biografias dos personagens envolvidos no conflito, como o próprio Napoleão, Carlos 6°, D. Maria 1ª e Jorge 3°.
Através de um acervo iconográfico cedido por instituições portuguesas, serão mostrados aspectos da cidade de Lisboa por ocasião do embarque da família real, no fim de 1807.
O núcleo seguinte abordará o embarque em Lisboa e as dificuldades enfrentadas ao longo de 54 dias de travessia do Atlântico.
A chegada ao Estado da Bahia, em 22 de janeiro de 1808, estará representada pela tela do pintor Candido Portinari, "Chegada de D. João 6° a Salvador".
Em uma outra parte, a exposição apresentará as modificações urbanas, com a introdução de novos estilos arquitetônicos, após a chegada da família real à cidade do Rio de Janeiro.
O penúltimo núcleo abordará os conflitos no Brasil e em Portugal a partir de 1817, até a exigência de regresso de D. João 6° em 1820, o que acabou por acontecer em 1821, após 13 anos no Brasil.
Como conseqüência da chegada da Corte portuguesa para a colônia portuguesa da América do Sul, a alusão à proclamação da independência do Brasil por D. Pedro 1°, em 1822, encerrará a exposição.
O MHN ocupa três edificações históricas, às margens da Baía de Guanabara, responsáveis pela defesa militar do Rio de Janeiro, construídas nos séculos XVII e XVIII.
Antes da abertura da exposição, no dia 6 de março, o MHN promove um debate com a participação de historiadores sobre o significado da transferência da Corte portuguesa para o Brasil.
Entre os participantes estarão Vera Tostes, Jorge Couto, diretor da Biblioteca Nacional de Portugal, e Arno Wehling, presidente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.
Patrocinada pela Fundação Calouste Gulbenkian e com o apoio da TAP, a exposição "Um Novo Mundo, Um Novo Império: A Corte Portuguesa no Brasil" estará disponível ao público até 8 de junho.
Inventário quer valorizar diversidade lingüística no Brasil
Por Carla Mendes, da Agência Lusa
Brasília, 1º mar (Lusa) - O Brasil começa a ter consciência de sua diversidade lingüística e a reconhecer que o português não é único idioma falado no país, onde existem cerca de 200 línguas, 180 das quais autóctones, ou seja, de nações indígenas. Um grupo de trabalho sobre a diversidade lingüística brasileira, criado em 2006, pretende fazer agora um inventário sistemático e detalhado a partir de projetos-piloto sobre três línguas indígenas, uma língua de imigração e uma afro-brasileira.
O mapeamento visa a criação de políticas públicas que assegurem a continuidade das 200 línguas existentes no Brasil e o respeito pelos seus falantes. "É o resgate da nossa diversidade, que é a nossa maior riqueza. O Brasil é uma convergência de culturas e todos têm o direito de se expressar na língua que aprenderam com seus antepassados", disse à Agência Lusa a técnica de registro do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Jane de Alencar.
Segundo a especialista, o governo brasileiro vai se debruçar, pela primeira vez, sobre esta diversidade com um olhar de valorização e reconhecimento das línguas faladas em seu território."O povo que perde a sua língua perde a sua alma", afirmou o representante dos Guarani Kayowá, Anastácio Peralta. De acordo com Peralta, há cerca de 60 mil falantes do guarani no Brasil, 40 mil deles no Estado do Mato Grosso do Sul.
"Nós perdemos a nossa terra, as matas, mas a nossa língua, as nossas danças, os nossos cantos continuam com a gente. O que faz uma nação viva é a língua, a sua forma de expressar", disse.
Eliminação de línguas
O guarani foi umas das línguas que sobreviveram à imposição do português no Brasil como único idioma legítimo. A estimativa dos especialistas é de que havia 1.078 línguas indígenas quando os portugueses chegaram ao Brasil.
A política dos portugueses e, depois, do próprio Estado brasileiro de impor a todos a língua "companheira do império", como disse Fernão de Oliveira na primeira gramática da língua portuguesa (1536), levou a um processo de glotocídio, isto é, eliminação de línguas.
"Na década de 80,ainda éramos proibidos de falar nossas línguas maternas nas escolas-internato dos missionários. Quem não cumpria as ordens era severamente punido", disse Gersem dos Santos Luciano, falante de nheengatu, língua geral da Amazônia.
As punições eram ficar sem comer um dia, ficar horas sob o sol quente, até trabalhos forçados ou castigos com efeitos psicológicos. "Uma das modalidades de que fui várias vezes vítima era um pedaço de pau pesado e grande que eles amarravam nas nossas costas com a frase: 'Eu não sei falar português'. A placa provocava pavor e extremo constrangimento", lembrou Luciano.
Os imigrantes e seus descendentes também passaram por violenta repressão, especialmente no estado novo (1937-1945), regime instaurado por Getúlio Vargas.
Naquele período, houve a chamada "nacionalização do ensino", que tentou pôr fim às línguas de imigração no Brasil, como o hunsrückisch, dialeto alemão, e o talian, variante da língua italiana, que resistiram, todavia."É triste a gente constatar que houve uma política de eliminação de línguas e que ainda hoje há no Brasil muitos preconceitos lingüísticos e impedimentos de uso de línguas, por exemplo, nos meios de comunicação", afirmou à Lusa o lingüista Pedro Garcez. Na avaliação do professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, é muito importante reconhecer a diversidade lingüística "como um recurso e não como problema".
Diversidade lingüística
"Esta é uma luta árdua. Finalmente o governo está olhando para os invisíveis", disse o presidente da Associação Cultural de Preservação do Patrimônio Bantu, Raimundo Konmannanjy.
Unico professor no Brasil de uma das línguas do povo bantu, originário da África Subsariana, Konmannanjy afirmou que é difícil até fazer um pequeno diálogo em kikongo, que, como as outras línguas africanas, desapareceu no país.
O curso introdutório à língua kikongo proposto pela Associação está paralisado há dois anos por falta de recursos e Konmannanjy procura agora a ajuda de angolanos para tentar ressuscitar o projeto.
"Nzaambi wutusaambulwa", disse ele. Em português, "Deus nos abençoe".
ONU espera que libertação de quatro reféns leve a entrega de outros
Bogotá, 29 fev (EFE)- As Nações Unidas na Colômbia afirmaram hoje que esperam que a recente libertação de quatro ex-congressistas seqüestrados pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) leve à "rápida libertação" dos demais reféns do grupo guerrilheiro.
"Fazemos um pedido para que não se desista destas ações unilaterais e se acelere a libertação humanitária dos que se encontram em sérias condições de saúde", expressou a ONU em comunicado divulgado em Bogotá.
O organismo fez menção especial aos casos da ex-candidata presidencial franco-colombiana Ingrid Betancourt e o coronel da Polícia Luis Medieta, reféns desde fevereiro de 2002 e novembro de 1998, respectivamente, ambos com um estado de saúde precário.
Na nota, a ONU ratificou "sua total disposição a acompanhar os esforços em favor de todas as vítimas na Colômbia e estimule a encontrar caminhos que facilitem a libertação de todos e todas os seqüestrados, o respeito de todas as vítimas e a conquista da reconciliação no país".
Neste sentido, a organização lembrou que sua condenação ao seqüestro é permanente, por se constituir uma flagrante violação do direito internacional humanitário e dos direitos humanos.
A ONU também se solidarizou com todas as vítimas da violência neste país e compartilhou a felicidade pela libertação de Gloria Polanco de Lozada, Luis Eladio Pérez, Orlando Beltrán Cuéllar e Jorge Eduardo Gechem Turbay.
Os quatro, com mais de seis anos em cativeiro, foram entregues na quarta-feira a uma missão humanitária formada pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e delegados do Governo do presidente venezuelano, Hugo Chávez, além da congressista opositora colombiana Piedad Córdoba.Esta libertação é a segunda unilateral de reféns realizada pelas Farc, que retêm outras 40 pessoas com fins de troca por 500 presos.
Em 10 de janeiro, os rebeldes entregaram a ex-candidata a vice-presidente Clara Rojas e a ex-legisladora Consuelo González de Perdomo.
EFE jgh/dgr
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
O Dia “D” do Consumo
28/02/2008 - 12h02
Por Redação Akatu
A cada ano que passa, o consumo da humanidade supera mais rapidamente a capacidade de regeneração do planeta.
Em 2007, no dia 6 de outubro, faltando quase três meses para o Reveillon, a humanidade já havia consumido todos os recursos naturais que o planeta seria capaz de repor naquele ano. Como estamos gastando cada vez mais rápido os recursos naturais, esse dia “D” acontece cada vez mais cedo. Em 1987, o ano do primeiro Ecological Debt Day, como é chamado o dia em que a humanidade passa a estar em débito em relação ao meio ambiente, ocorreu no meio de dezembro. Em 1995, ele pulou para o dia 21 de novembro. E no ano passado, chegou à marca histórica de 6 de outubro.
Essa diferença entre o que o planeta é capaz de regenerar e o consumo efetivo das populações humanas provoca um saldo ecológico negativo que vem se acumulando ano após ano, desde a década de 80, e compromete, no longo prazo, a capacidade de sobrevivência da humanidade e de manutenção da vida no planeta como a conhecemos hoje.
O cálculo é feito pela Ong internacional Global Footprint Network, que tem entre seus integrantes o ambientalista e conselheiro do Instituto Akatu, Fábio Feldman e o pesquisador William Rees, da universidade canadense de British Columbia. Ress é co-autor da ferramenta conhecida como Pegada Ecológica, que serve de base para a análise de impacto do consumo apresentada ao mundo pela Ong.
A pegada ecológica permite calcular qual é a área (em hectares) necessária para produzir tudo aquilo que consumimos e, ainda, absorver os resíduos desses processos, em um ano. A conta é feita considerando toda a quantidade de água e de espaço físico necessários para o plantio, pastagem, pesca etc.. Todo esse conjunto é chamado de “biocapacidade” do planeta, ou seja, a habilidade dos sistemas ecológicos de gerar recursos e absorver resíduos em um determinado período.*
Ao calcular o dia em a Pegada Ecológica total da Humanidade é igual à biocapacidade da Terra (ambos medidos em hectares por ano), os pesquisadores identificam em qual data a população da Terra atinge o seu limite de consumo para o período. De modo simples, esse é o dia em que começamos a usar mais recursos ambientais do que a Terra é capaz de renovar, em um ano. A partir desta data, o planeta funciona no vermelho.
Os “juros” cobrados pela natureza devido ao excesso de consumo já são conhecidos. Eles podem ser percebidos na forma de perda de bens e serviços ambientais - como a manutenção do equilíbrio climático. Modificar o padrão de exploração dos recursos e passar a usar apenas o que a natureza é capaz de produzir é a resposta para saldar a dívida e resolver um problema que se agrava continuamente.
“A humanidade tem várias saídas para mudar esse quadro, mas se permanecermos na inércia a e não fizermos nada, já sabemos que as conseqüências serão gravíssimas”, analisa o Prof. Genebaldo Freire Dias, Doutor em Ecologia e autor de diversos livros sobre a Pegada Ecológica. Infelizmente, os dados indicam que as mudanças adotadas até hoje são tímidas para alterar o rumo dessa história. Pelo contrário, os impactos parecem ser cada vez maiores.
Em 1961, quando os cálculos da Pegada Ecológica começaram a ser realizados pela Global Footprint Network, a população humana já usava 70% da capacidade produtiva da Terra. Mas foi em 19 de dezembro de 1987, a primeira vez que consumimos mais recursos do que o planeta era capaz de renovar, em um ano.
Segundo os cálculos da pegada ecológica, feitos pela Global Footprint Network e publicados pelo WWF (World WildLife Fund) no relatório “Living Planet Report 2006”, em 2003 a população da Terra já consumia 25% a mais do que os sistemas biológicos poderiam renovar. Hoje, dados da mesma organização apontam um saldo negativo de 30%. Esse excedente de consumo (conhecido como “overshoot” pelos pesquisadores) significa que seriam necessários 1 ano e 110 dias - 475 dias - para que a Terra pudesse ser capaz de produzir novamente o que a população mundial consumiu no período de um ano, ou seja, em 365 dias. E, segundo a Global Footprint Network, o acúmulo desse consumo excedente ao longo dos anos acaba gerando um “déficit ecológico”, que compromete a integridade dos sistemas naturais.
Para entender a situação, na prática, imagine uma floresta, onde as árvores são cortadas mais rápido do que as novas mudas podem nascer e se desenvolver. Em algum tempo, o número total de árvores na floresta irá diminuir. Frutos, sombra, raízes etc. que ajudam a manter a qualidade do solo, a temperatura e a disponibilidade da água e alimentos também passarão a existir em menor quantidade, comprometendo a possibilidade da flora e fauna sobreviverem naquele ambiente. O mesmo pode acontecer com outros recursos, como as espécies de peixe comercialmente pescadas, as áreas agriculturáveis etc.
Se um processo semelhante ocorre em diversos locais da Terra continuamente, o que acontece é a diminuição dos recursos existentes no planeta assim como da capacidade da natureza de responder aos impactos e se recompor. Desse modo, é como se alguém gastasse muito mais dinheiro em um ano do que é capaz de ganhar. Com o passar do tempo, sua dívida ficaria tão grande que mesmo que trabalhasse muito e ganhasse mais dinheiro, seria difícil saldar o déficit. O risco é a exaustão da capacidade do sistema de gerar recursos, assim como das forças do trabalhador.
Em termos globais, hoje, precisaríamos de 1,3 planetas Terra para manter os atuais padrões de consumo, sem comprometer a capacidade de renovação da natureza. Naturalmente, o grande problema é que vamos continuar a ter apenas um, enquanto as demandas de consumo e a própria população não param de crescer.
No ano 2000, por exemplo, gastou-se no nosso planeta em compras de produtos ou serviços domésticos, mais de 20 trilhões de dólares, quatro vezes mais do que em 1960, quarenta anos antes. Porém, nesse mesmo período a população da Terra dobrou, o que significa que cada pessoa, em média, passou a consumir duas vezes mais.
Não é possível prever até que ponto a Terra será capaz de resistir aos avanços consumistas da humanidade, diz Brooking Gatewood, gerente da Global Footprint Network, responsável pelos cálculos da Pegada Ecológica da Humanidade. “Nós não temos uma estimativa de quanto tempo levará até um ‘colapso ecológico’ ou a exaustão da capacidade da Terra de regenerar os recursos. Isso é impossível dizer, mas nós podemos afirmar que nossas analises mostram que, se a humanidade continuar adotando o modelo de desenvolvimento e consumo atuais, nós precisaremos de 2 planetas Terra em 2050, para prover os recursos que demandaremos”, afirma Gatewood.
Na realidade, os cenários futuros traçados com base nos números da pegada ecológica mostram que há que se buscar, sem demora, um modo de consumir diferente, que inclua a consciência dos impactos que causamos ao nosso redor, sob pena de transformar a crise ecológica num processo irreversível. “É necessário buscar uma mudança profunda de paradigma para efetivamente solucionar os problemas que estamos vivendo no momento. A compreensão pode vir pelo bolso, pela educação ou pelo sofrimento. Resta saber qual maneira a nossa sociedade vai escolher”, analisa o Prof. Freire.
Agindo para solucionar - Mas o que cada um de nós pode fazer individualmente para diminuir a pegada ecológica da humanidade? Em primeiro lugar tomar consciência do problema e procurar saber quais são os impactos do seu estilo de vida - na sociedade, na natureza e sobre si mesmo. Há muita coisa que se pode fazer, partindo do princípio de reavaliar o consumo, seja de bens materiais ou de recursos naturais, ao tomar consciência de que dependemos destes para sobreviver. “As pessoas hoje esquecem que existe uma base biológica de sustentação da vida. Principalmente nas grandes cidades, onde o consumo é maior e a distância da natureza é grande. Sem essa base (biológica), não tem carro novo, nem shopping center, nem viagem para o Caribe”, desabafa o professor Freire.
O Brasil tem uma pegada ecológica média de 2,1 hectares por habitante por ano, número superior à média mundial sugerida para que atingíssemos um padrão de consumo sustentável hoje, que seria de 1,8 (hectares/hab./ano), mas bastante próxima da média mundial per capta de 2,2.
Você pode descobrir qual é a sua pegada ecológica no endereço www.earthday.net/Footprint/index.asp. Vale a pena fazer uma visita, descobrir como anda o seu ritmo de consumo dos recursos naturais e ver se não está na hora de repensar os hábitos. Para ajudá-lo nessa missão, o Akatu confeccionou os 12 Princípios do Consumidor Consciente que estão disponíveis na home-page do Akatu (http://www.akatu.org.br) na seção de Publicações/Manuais Práticos de Consumo Consciente.
Saiba mais sobre a Pegada Ecológica e mobilize-se:
A Global Footprint Network e seus 85 parceiros internacionais realizam todos os anos uma campanha internacional de mídia para divulgar o Ecological Debt Day e a Earth Day Network organiza em abril a comemoração do Dia da Terra, em todo mundo.
Quem quiser participar das campanhas internacionais pode acessar o http://www.footprintnetwork.org ou www.earthdaynetwork.net.
O relatório do WWF “Living Planet Report 2006”, que reúne informações gerais sobre a Pegada ecológica e os dados citados nessa reportagem pode ser encontrado no link http://www.footprintnetwork.org/download.php?id=303.
* O conceito foi desenvolvido pelos pesquisadores Mathis Wackernagel e Willian Hees e pode ser aplicado tanto para medir o impacto de um indivíduo de uma nação, ou até mesmo de toda a população humana sobre o planeta.
(Envolverde/Akatu)
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
FNDC
- 26/02/2008 |
- Redação
- Instituto Humanitas Unisinos
“As mudanças e o desejo de ampliar setores da população para favorecer a inclusão social encontram uma barreira nos meios, que seguem olhando para trás”, é o que acredita o professor venezuelano Orlando Villalobos. Na entrevista que segue, realizada através do Windows Live Messenger, Villalobos falou sobre a comunicação e sua influência na sociedade latino-americana. “Sabemos que em muitos países da América Latina é um risco o exercício do jornalismo, porque os fatores do governo são muito sensíveis à crítica e à denúncia. Isso faz parte de uma tradição não afortunada. Está relacionada com esse nosso passado de ditaduras e proibições. Agora é necessário ser diferente”, afirmou.
Orlando Villalobos é professor da Universidad Del Zulía, da Venezuela, e atua, também, como jornalista. Em março será lançado o livro Comunicação e governabilidade na América Latina (São Leopoldo: Ed. Unisinos, 2008), baseado nas discussões realizadas no VIII Congresso Latino-Americano de Pesquisadores em Comunicação de 2006, no qual Orlando publicou o artigo Comunicación, democracía y gobernalidad en Venezuela.
Confira a entrevista.
IHU On-Line – Qual é o impacto da comunicação no tecido social que constitui a América Latina, em sua opinião?
Orlando Villalobos – A comunicação representa um campo útil e imprescindível para gerar um tecido social equilibrado, que se traduz em paz, justiça social, democracia, pluralidade e liberdade. Isso se pode fazer sempre que a comunicação signifique: a) disposição para dialogar com distintas correntes de pensamento e de pontos de vista; b) compromisso com a busca pela verdade, onde quer que se encontre; c) vontade de superar o sentido comum, que se refugia na explicação simples e que desconhece que os problemas contemporâneos têm explicações complexas. Além disso, deve traduzir um jornalismo que propicie o exercício democrático da comunicação. Mas, com freqüência, encontramos distorções e práticas perversas, alheias à ética e a um desempenho profissional que se corresponda com um propósito democrático. Esse fenômeno tem sido descrito por alguns autores como mediocracia (predomínio social da classe média; sistema político ou social em que a administração e a autoridade são exercidos pela classe média). Consiste em que se outorga um poder exagerado ao exercício e se utiliza essa tribuna para impor interesses particulares, de elites políticas e econômicas.
IHU On-Line – Para o senhor, como os meios de comunicação comunitários podem ajudar para a democratização do espaço comunicacional na América Latina?
Orlando Villalobos – Os meios massivos favorecem o desenvolvimento e aprofundamento da corrente democratizadora na América Latina. Ainda que lamentavelmente nem sempre aconteça. Com freqüência, os meios defendem posturas abertamente conservadoras e querem ocultar as manifestações de mudança social e político. Isso se observa em países como Venezuela, Equador e Bolívia, onde tem acontecido uma mudança na correlação de forças políticas, demonstrada em diferentes processos eleitorais.
Paradoxalmente, as mudanças e o desejo de ampliar setores da população para favorecer a inclusão social encontram uma barreira nos meios, que seguem olhando para trás. Trago uma comentário. Na América Latina, presenciamos a confluência de três campos da comunicação massiva: a) os meios privados, que dominam amplamente. Ali estão as grandes cadeias de televisão e os meios com mais cobertura; b) no entanto, agora surgem meios estáveis, que antes haviam sido quase apagados. Na década de 1990, o neoliberalismo diminuiu o poder dos meios públicos que quase desapareceram. Agora estão ressurgindo; c) há uma novidade, o surgimento de um amplo movimento de comunicação comunitária. São televisões, estações de rádio e meios impressos, que expõem um ponto de vista diferente, vindo da comunidade, o que reflete um mundo midiático diferente.
IHU On-Line – Que reflexão o senhor faz sobre as possibilidades contra a hegemonia das grandes empresas de comunicação?
Orlando Villalobos – Justamente, trata-se disso: de favorecer o desenvolvimento de uma corrente contra-hegemônica ou contracultural a partir do Estado, mas nem sempre a partir dele. O contra-hegemônico poderá expressar-se e desenvolver-se se vem do mundo comunitário, se expressa o sentimento e a forma de ser de amplas camadas da população que têm sido excluídas dos centros de decisão e que inclusive estão colocadas à margem dos níveis mínimos necessários para que as condições da vida sejam adequadas. A América Latina tem dois problemas severos: a pobreza e a desigualdade social. Por isso, urge que haja comunicação que pensa e atue de outro modo. Desde a comunicação, precisamos favorecer que haja uma convivência diferente, para superar o paradigma que privilegia os macro-sujeitos e se concentre neles a possibilidade de decidir, em nome do Estado, do partido, da ideologia, da religião, da indústria, enfim, num pensamento que imponha uma determinada verdade e no qual predomina a imposição, não o acordo.
IHU On-Line – Os meios de comunicação podem ser utilizados como um controlador social?
Orlando Villalobos – De muitas maneiras, os meios atuam para gerar controle social. Mas o ponto é sim favorecer as formas democráticas e plurais. Os meios atuam para manter um controle hegemônico que impõe formas de consumo que não beneficiam a maioria e terminam propiciando mais conflitos e menos um tecido social virtuoso, que se traduz em equilíbrios sociais.
"os meios atuam para gerar controle social"
IHU On-Line – Em relação às complexidades do acesso e limitações da participação cidadã, como podemos democratizar as políticas de comunicação?
Orlando Villalobos – Para favorecer a participação cidadã, é recomendável que se atue em diferentes direções. Aponto as seguintes: a primeira é ajudando para que as organizações e correntes populares se manifestem no mundo do jornalismo e da comunicação, facilitando que haja meios e canais que mostrem esse mundo, suas demandas, suas expectativas; a segunda é estabelecendo regras, normas ou acordos que tragam um possível exercício midiático apegado à responsabilidade social. Neste momento, os meios criticam e avaliam, mas quem avalia os meios? O povo vota e elege os governantes, mas quem opina ou decide sobre a programação que se põe nas telas? É preciso estabelecer formas de regulação. É um direito da audiência. Isso significa que é necessário fazer explícitos os direitos comunicacionais. Em terceiro lugar, esta é a responsabilidade do Estado que necessita propiciar que haja uma comunicação de serviço público, o que na América Latina quase não existe, ou seja, não temos essa tradição. Os meios de propriedade do Estado servem ao governo de cada momento, incluindo os partidos do governo. Isso tem de mudar. É preciso haver uma distinção entre o governo e o Estado. Se os meios são do Estado, eles deveriam servir a todos os cidadãos, e não a grupos políticos que estão no governo.
IHU On-Line – E como o senhor analisa o controle público de comunicação?
Orlando Villalobos – Precisamos evitar as fórmulas autoritárias, vencer a tentação autoritária. Sabemos que em muitos países da América Latina é um risco o exercício do jornalismo, porque os fatores do governo são muito sensíveis à crítica e à denúncia. Isso faz parte de uma tradição não afortunada. Está relacionada a esse nosso passado de ditaduras e proibições. Agora precisaria ser diferente. Como fazer? Com regras claras. Implica em leis e acordos. Significa que os direitos comunicacionais precisam fazer isso explicitamente, claramente.
Significa que se pode opinar e que isso nunca signifique um delito. Significa que ninguém pode ser discriminado por suas opiniões, que há direito a réplica e que se facilita o acesso ao diálogo público. Para conseguir isso, precisa vencer a situação de que a comunicação massiva é um privilégio de poucos canais e grandes cadeias de meios. Não sou pessimista, ou seja, em meio de grandes contradições, estamos avançando. Do meu ponto de vista, estamos melhor do que na década de 1990, embora não estejamos ainda no paraíso das comunicações.
IHU On-Line – Você acredita que a população latino-americana está preparada para receber as novas tecnologias digitais quando ainda vive situações políticas e sociais tão adversas?
Orlando Villalobos – Esse é o ponto. Para obtermos democracia comunicacional, a América Latina precisa dar um salto qualitativo, começando a aplicar políticas públicas que permitam superar a pobreza, vencer os níveis de desigualdade, democratizar as formas de propriedade sobre os meios massivos. Aí se concentra a utopia que precisamos perseguir. Neste momento, em matéria de tecnologias digitais, temos avançado. Há mais internautas, porém ainda falta muito. A brecha digital que existe torna tudo uma tremenda dificuldade. A diferença entre uma criança pobre e uma criança de um nível social com melhores condições de vida é que o primeiro não conhece, nem nunca tocou num computador.
Para construir cidadania, precisamos avançar na direção de que as escolas públicas, as únicas a que os pobres têm acesso, sejam dotadas com tecnologias atuais. Não convém a todos que essa brecha digital comece a ser superada, para que tenhamos equilíbrio e justiça, para estender laços do tecido social e termos uma democracia. Quando isso se interrompe, surgem as contradições e se faz combustível para a cadeia do conflito social. Sejamos claros: o analfabetismo, o desemprego e a carência dos serviços públicos geram criminalidade, conflito e problemas sociais. O contrário disso é favorecer que haja políticas públicas de comunicação que permitam construir cidadania, a partir do reconhecimento dos direitos comunicacionais do coletivo.
MORADIA – DÉFICIT
Quarta-feira 26 , fevereiro 2008
Um estudo da Fundação Getulio Vargas mostra que o déficit habitacional do país, que hoje é de 6 milhões de unidades, deverá chegar a 28 milhões em 2020.
Com dados do Instituto Nacional de Geografia e Estatística, os pesquisadores afirmam que 21 milhões de famílias vão se somar às atuais 6 milhões que vivem sem casa nos dias de hoje, isso até o referido ano de 2020.
A causa disso é que o déficit se acumula mais rapidamente do que são feitos os investimentos em novas moradias para famílias de baixa renda.
Ao mesmo tempo, segundo o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, Marco Fernandes, o déficit habitacional brasileiro hoje é idêntico à oferta de moradias abandonadas.
Se há 6 milhões de famílias precisando de casa, as cidades têm 6 milhões de unidades habitacionais sem uso.
“São as casas vazias, os prédios abandonados nos centros das grandes cidades. O que mostra a contradição do capitalismo brasileiro. De um lado um déficit de seis milhões, por outro lado seis milhões de unidades vazias”, diz ele. (pulsar/anp)
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
FNDC
22/02/2008
Marco Antônio Soalheiro
Agência Brasil
Brasília - A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Ayres Britto, que suspendeu a aplicação de artigos da Lei de Imprensa (Lei 5.250/67), praticamente não terá reflexo nos processos em curso contra os profissionais do setor, afirmou hoje (22) à Agência Brasil o diretor do departamento de mobilização, direito autoral e sindical da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), José Carlos Torves.
“Vimos como inócua a decisão. Ela não tem nenhum efeito na vida real, não muda absolutamente nada. A maioria dos processos, os de há um bom tempo e também os atuais, é baseada no Código Penal ou no Código Civil", acrescentou.
A liminar no STF exclui a aplicação dos artigos 20, 21 e 22 da Lei de Imprensa, que tratam dos crimes de injúria, calúnia e difamação contra jornalistas no exercício da profissão ou contra empresa de comunicação.
A ação que partiu do deputado federal Mirto Teixeira (PDT-RJ) teve, segundo a Fenaj, o mérito de recolocar o debate sobre a legislação dos jornalistas na agenda nacional, mas se mostrou “equivocada” ao propor a extinção da totalidade da Lei de Imprensa. “A extinção nos coloca no rol de crimes comuns e acreditamos que não podemos entrar nesse patamar”, destacou Torves.
A Fenaj defende a aprovação do Projeto de Lei nº 3.232/92, que estabelece uma nova Lei de Imprensa e está com tramitação paralisada no Senado Federal. Para a entidade, a proposta atende à conjuntura atual das relações dos veículos de comunicação e jornalistas com a sociedade.
“É uma lei de consenso entre jornalistas e proprietários de veículos. Não há motivo para estar engavetada. O projeto descriminaliza a relação dos jornalistas com a sociedade e nos remete a alguns critérios de penalidades que um jornalista ou veículo deve sofrer ”, acrescentou.
domingo, 24 de fevereiro de 2008
Forum Nacional Pela Democratização da Comunicação
Baixe aqui:
http://www.fndc.org.br/arquivos/Revista7.pdf
Monumento histórico que marcou a abertura dos portos às nações amigas é reinaugurado no Rio de Janeiro.
Fabíola Ortiz
23/02/08
Após sete meses de restauração, o monumento que comemora a abertura dos portos, localizado no Largo do Russel, na Glória, foi reinaugurado neste sábado (23).
Segundo o secretário municipal das Culturas do Rio de Janeiro, Ricardo Macieira, o monumento é um dos mais importantes do Brasil, ele foi construído no ano de 1908, na época para celebrar o centenário do decreto régio que abria os portos às nações amigas.
“O monumento é extremamente importante. No dia 28 de janeiro de 1808, se deu o decreto da abertura dos portos às nações amigas, é uma atitude com reflexos que são percebidos até o dia de hoje. Para nós, hoje é uma alegria ter esse monumento belíssimo que foi inaugurado em 1908 por conta do centenário da abertura dos portos, e nós hoje estamos aqui comemorando os 200 anos”, disse Macieira.
O monumento histórico foi projetado pelo escultor francês Eugene Benet, e é composto por duas escadarias que dão acesso à rua do Russel, com luminárias antigas e figuras femininas de três metros de altura, inspiradas nas estátuas da Praça da Concórdia em Paris, que simbolizam o comércio e a navegação.
Para o coordenador geral da Comissão Dom João VI, o embaixador Alberto da Costa e Silva, muitos cariocas passam pelo local mas não sabem da importância do monumento. “É, sobretudo, um monumento que marca o momento exato em que o Brasil deixa de ser uma Colônia isolada nos trópicos e se abre ao convívio internacional”.
A restauração que contou com um investimento de R$420 mil, recuperou o piso com a colocação de pedra portuguesa, os postes de iluminação, as estátuas, a estrutura da laje que suporta o monumento e limpou as escadarias.
André Zambelli, secretário do Patrimônio Cultural, relembrou que antes da restauração “o monumento estava pichado, as luminárias quebradas, o sistema elétrico não funcionava, e estátuas feitas em bronze precisavam de limpeza”. Além do piso que foi recuperado, a área verde no entorno também foi reconstituída.
O Rio de Janeiro investiu cerca de R$20 milhões para recuperar todas as obras que fazem parte do calendário de comemorações do bicentenário da chegada da Família Real ao Brasil – como o Outeiro da Glória, o palacete da Princesa Isabel em Santa Cruz que fez parte da fazenda dos Jesuítas, e o convento de Santa Tereza.
No próximo dia 8 de março, outra obra restaurada será entregue aos cariocas, a igreja Nossa Senhora do Carmo, a antiga Sé, no centro do Rio será reaberta ao público.
A banda de Fuzileiros Navais também esteve presente na reinaugauração. Em 1808, os Fuzileiros acompanharam a vinda da corte portuguesa ao Brasil.
O evento também marcou o lançamento do selo comemorativo do bicentenário.
Ao longo de 2008, museus e instituições criados a partir da chegada da corte portuguesa planejam vários eventos pela cidade, como exposições, seminários, concursos e premiações.