quarta-feira, 19 de março de 2008

Iraque: Cinco anos de matança e desespero

Milhares de pessoas morrem ou ficam mutiladas, e comunidades que antes viviam em relativa harmonia são lançadas a um conflito declarado. A população civil é a que suporta a maior parte da carga.

Cinco anos depois das forças encabeçadas pelos Estados Unidos derrubarem Saddam Hussein, o Iraque permanece um dos países mais perigosos do mundo no que se refere a direitos humanos, disse Amnesty International hoje, 17 de março.

Em novo informe intitulado “Matanças e desespero – Iraque cinco anos depois” [Carnage and despair: Iraq five years on], a organização descreve o devastador impacto – com mais de quatro milhões de pessoas desabrigadas de seus lares – dos ataques e homicídios sectários perpetrados por grupos armados, tortura e maus-tratos infligidos pelas forças governamentais iraquianas e a prolongada detenção de milhares de suspeitos nas mãos das forças norte-americanas e iraquianas.

Muitos detidos permanecem encarcerados sem acusação nem julgamento, sendo que alguns deles durante anos.


Leia no Blog do jornalista Georges Bourdoukan:

http://blogdobourdoukan.blogspot.com/

O mapa das ações afirmativas na Educação Superior

Há cinco anos, algumas universidades públicas começaram, ou tiveram que começar, a adotar políticas de democratização do acesso às suas vagas. Segundo dados do Ministério da Educação, o Brasil possui 224 instituições públicas de ensino superior. Dessas, 87 são federais, 75 estaduais e 62 municipais.

O mapa das ações afirmativas na Educação Superior², pesquisa recente realizada pelo Laboratório de Políticas Públicas da Uerj, constatou que 72 instituições (32 % do total de universidades públicas) promovem algum tipo de ação afirmativa. O estudo demonstrou também, que existem variações significativas nesse processo de inclusão.

(...)

É importante ressaltar que a pesquisa também demonstra um pequeno avanço de políticas de inclusão adotadas, sobretudo por universidades federais no uso de sua autonomia, somente para estudantes de escola pública, deixando de contemplar outros grupos de minorias e, conseqüentemente, as lutas sociais que deram suporte ao início do processo de democratização do acesso ao ensino superior.

Trata-se de uma espécie do que chamamos de neojeitinho, no qual, pelo subterfúgio vazio da adoção de uma política pública sem corte étnico-racial, por exemplo, se pretende promover a cidadania dos mais excluídos. O que se quer com isso, na verdade, é evitar um verdadeiro enfrentamento da questão. A promoção do debate, ainda que pelo enfrentamento, é salutar e é a principal forma para o limiar da superação do nosso racismo. Enquanto não houver debate, o racismo estrutural brasileiro continuará vencendo.

(...)

Observamos que o desenvolvimento da instituição de políticas afirmativas no ensino superior remete para a necessidade de promover uma ampla reflexão sobre as relações raciais e as práticas institucionais associadas à implementação dessas políticas de inclusão. Devemos ampliar o debate sobre a diversidade de modelos e das estratégias da academia para a implementação de ações afirmativas e, com isso, permitir uma abordagem crítica sobre as dificuldades e entraves (jurídicos, políticos e institucionais), bem como as conquistas, derivadas da implementação dessas políticas.


Leia mais:
http://www.ibase.br/modules.php?name=Conteudo&pid=2252


Descaminhos da TV pública

Alvaro Neiva*

Em 26 de fevereiro, o Congresso Nacional aprovou a Medida Provisória 398, que cria a Empresa Brasil de Comunicação (EBC). A EBC tem como principal elemento a TV Brasil, ou seja, a TV Pública lançada pelo governo federal em dezembro passado, que tanta polêmica vem provocando.

Para entrar neste debate, contudo, consideramos necessário fazer um breve retrospecto histórico. A televisão chega ao Brasil na década de 1950 pelas mãos do então maior grupo de comunicação do país, os Diários Associados. Embora tenha havido mudanças no setor, como a substituição dos Diários Associados como grupo hegemônico pelas Organizações Globo, uma característica permanece ao longo destas décadas: as emissoras de televisão são dominadas por empresas privadas, em um mercado altamente concentrado. A radiodifusão pública sempre ocupou um espaço muito pequeno, e sempre de caráter marcadamente estatal.

Após décadas de ditadura em que este modelo se consolidou, as discussões sobre a regulação da comunicação de massa estiveram entre as mais polêmicas da Assembléia Constituinte. Depois de muitos embates entre os setores que lutavam pela democratização da comunicação e os representantes dos interesses privados – liderados pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, a Abert –, o capítulo da comunicação social na Constituição Federal de 1988 previa muitos avanços, entre os quais a complementaridade dos sistemas privado, público e estatal de radiodifusão. Contudo, por pressão da mesma Abert, este dispositivo nunca foi regulamentado, e o país permaneceu com um amplo predomínio do sistema privado, com uma tímida participação do sistema estatal (cujas diferenças com o sistema público nunca foram devidamente explicitadas).

A Lei da TV a Cabo, de 1995, abriu um precedente interessante no que diz respeito ao surgimento de um sistema público, ao determinar a criação de emissoras universitárias e comunitárias. Contudo, além do problema do alcance restrito, em um país onde a maioria da população não tem acesso à TV por assinatura, a nova legislação não garantiu nenhum mecanismo de financiamento, o que praticamente inviabilizou os novos canais.

Estatal ou pública?

O governo Lula retomou, com força, a idéia da criação de um sistema público de radiodifusão. Embora tenha iniciado este processo com um amplo debate com o conjunto da sociedade – por meio de seminários e audiências e do Fórum de TVs Públicas –, o governo optou por concentrar excessivamente as decisões acerca da nascente Empresa Brasil de Comunicação.

Exemplo claro disto é que a EBC foi criada por medida provisória, sem debate com o Poder Legislativo. Além disso, a participação popular foi utilizada como forma de legitimar o novo sistema público, mas este não refletiu o processo de construção coletiva. De certa forma limitada a uma fusão entre o que era considerado o sistema público anterior (Radiobrás, TVE/RJ e TVE/MA), a TV Brasil foi lançada de forma apressada, sem ter sequer uma grade de programação definida.

Porém, mais do que os métodos no processo de implantação, o conteúdo da legislação que cria a EBC serve para caracterizá-la como uma empresa muito mais estatal do que pública. A TV Brasil nasce vinculada quase que apenas ao governo federal. Prerrogativas fundamentais de um sistema público, como gestão democrática e financiamento independente do governo, não estão presentes no texto da medida provisória.

O relator da MP na Câmara, deputado Walter Pinheiro (PT/BA), ainda tentou incluir dispositivos neste sentido, mas ainda tímidos. Foi criada uma Contribuição para o Fomento da Radiodifusão Pública, a partir da realocação de recursos do Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel), mas ela é insuficiente para financiar a EBC, que permanecerá dependente do orçamento aprovado pelo governo da vez.

Ao tentar, apressadamente, conferir um caráter público, o governo divulgou a criação de um Conselho Curador da EBC, supostamente com representantes da sociedade. Contudo, a emenda saiu pior do que o soneto: o próprio governo indicou os 15 integrantes do Conselho, basicamente figuras públicas isoladas e representantes do mercado, sem a representação de importantes entidades da sociedade civil e de movimentos sociais.

Este equívoco também foi corrigido pelo deputado, que, no novo texto, determina uma consulta pública para a indicação dos futuros membros do Conselho Curador, a partir de indicações de entidades da sociedade civil sem fins lucrativos. Contudo, ainda não fica clara a metodologia de escolha dos novos integrantes – por exemplo, se as indicações serão submetidas ao atual Conselho ou ao próprio Poder Executivo. O novo texto também inclui representantes da Câmara e do Senado no Conselho. Cabe destacar que o texto aprovado na Câmara seguiu para apreciação no Senado e estes avanços, principalmente na questão do financiamento, ainda não estão garantidos.

Portanto, podemos concluir que, até o momento, a criação da EBC e, mais especificamente da TV Brasil, representa um avanço muito tímido em relação ao surgimento de um sistema efetivamente público de radiodifusão e à possibilidade de avançar na democratização da comunicação. Se sua criação serve como contraposição ao predomínio do sistema marcadamente comercial das emissoras privadas, não garante a real representação do interesse público.
Permanece aberta a necessidade de buscar construir um sistema efetivamente público, que agregue emissoras de rádio e TV comunitárias e universitárias, que tenha uma gestão representativa e democrática e mecanismos de financiamento que garantam a autonomia necessária diante de futuras mudanças de governo.

*Alvaro Neiva é jornalista e mestrando em Políticas Públicas e Formação Humana na Uerj.


Publicado em 14/3/2009.


http://www.ibase.br/modules.php?name=Conteudo&pid=2250

Forum Nacional Pela Democratização da Comunicação

Pesquisa revela que internet não mudou jornalismo da maneira esperada

17/03/2008 |
Redação
Portal Imprensa

Um estudo do Project for Excellence in Journalism, nos Estados Unidos, divulgado no último domingo (16), concluiu que a internet mudou profundamente o jornalismo, mas não da maneira que se esperava. Acreditava-se que a internet iria democratizar as notícias, mas com o jornalismo online os sites continuam oferecendo primordialmente as mesmas informações.

A crescente habilidade do leitor em encontrar o que busca sem ser distraído por propagandas está obrigando a mídia a agir com cautela em algumas ocasiões. Tom Rosenstiel, diretor do projeto, afirmou que 'apesar da audiência das notícias tradicionais se manter sozinha, as redações tendem a encolher'. Ele deu como exemplo o fato da NBC ter nomeado David Gregory como âncora de um noticiário noturno, mas mantê-lo como correspondente na Casa Branca.

Duas histórias - a guerra do Iraque e a eleição presidencial americana de 2008 - representam mais de um quarto de tudo que foi veiculado nos jornais, televisão e internet em 2007, estima o estudo. Desconsiderando Iraque, Irã e Paquistão, notícias relativas à todos outros países somadas representam 6% do conteúdo da mídia americana.

Na semana passada, o site do jornal The New York Times publicou pela manhã a primeira notícia ligando o governador de Nova York, Eliot Spitzer, ao esquema de prostituição que mais tarde levaria a sua renúncia. Rapidamente, o assunto se tornou a história dominante do dia.

De acordo com Rosenstiel, há alguns anos acreditava-se que os sites de notícias seriam considerados apenas reproduções dos jornais diários. 'Na verdade, o jornal impresso pela manhã renasce no jornalismo online', acrescenta.

Uma outra pesquisa concluiu que a maior parte jornalistas estão aderindo às mudanças na área. Muitos profissionais da imprensa afirmaram ter blogs e apreciar os comentários dos leitores em seus sites.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Um jeito feminino de combater a violência

Karla MenezesNum encontro recente entre oficiais da Polícia Militar e pesquisadores da área de segurança pública no Rio de Janeiro, uma diferença ficou evidente: da polícia, havia seis homens; do meio acadêmico, seis mulheres. O fato reflete a histórica divisão sócio-cultural do trabalho na qual homens cuidam das questões que envolvem força enquanto mulheres dedicam-se à educação.

Entretanto, as recentes mudanças de paradigmas na segurança pública que, embasadas em estudos acadêmicos, sugerem mais ações integradas de prevenção à violência e menos uso da força, favorecem a participação feminina na gestão da segurança e no comando policial.

Para a secretária de Direitos Humanos e Segurança Cidadã de Recife, Karla Menezes, novos paradigmas institucionais abrem espaço para a ação feminina.

“As mulheres ainda são minoria nos cargos de liderança como um todo. Elas estão no operacional, mas não no estratégico. Esse recorte de gênero também ocorre na segurança, que sempre foi tratada como uma área de repressão e uso da força, atividades atribuídas a homens pela cultura do patriarcado. Os homens é que vão para a guerra", afirma.

E Karla vai mais longe. "É um reflexo da divisão sexual e sócio-familiar do trabalho: historicamente, as mulheres se ocupam de educação e assistência social. Mas o novo paradigma de prevenção da violência e cultura de paz se coaduna com o novo paradigma da participação das mulheres na segurança pública”, avalia.

Uma mulher no comando da tropa

Cel. LucienePrimeira mulher a comandar uma tropa masculina no Brasil, em 1992, a coronel Luciene Magalhães de Albuquerque - que há um ano ocupa o cargo de subchefe do Estado Maior da Polícia Militar de Minas Gerais, o terceiro na hierarquia da corporação – é uma prova de que há espaço para mulheres na nova concepção da segurança pública.

Para ela, a grande conquista do ingresso da mulher nas instituições policiais é a humanização nos relacionamentos. “Atitudes simples, como mudanças no tratamento entre as pessoas, trazem grandes transformações, como uma melhor relação da polícia com a comunidade, que passa a participar das medidas preventivas, comunicando casos à polícia e assim ajudando a evitar novas ocorrências”, explica a oficial.

O que ela diz é fato. Durante três anos, a coronel comandou os cerca de 800 homens do 34º Batalhão de Polícia Militar de Minas Gerais, responsável pelo policiamento da região Noroeste de Belo Horizonte. Localizada no meio da cidade, por onde passam muitas vias, e com aglomerados e favelas complexas, a região registrava os maiores índices de criminalidade violenta da capital mineira. Mudanças na gestão da segurança levaram a uma redução significativa desses crimes.

No bairro Castelo, por exemplo, o número de casos caiu de 34 para quatro em um mês. Ela explica que a estratégia adotada foi o policiamento comunitário e o empoderamento dos policiais. “Não aumentamos o número de PMs, só mudamos a gestão, trabalhando junto com a comunidade, na filosofia da polícia comunitária. Fomos de rua em rua, até fazermos o bairro todo participar”, conta. Criado em 2005, o projeto ganhou o nome de Rede de Vizinhos Protegidos.

Quebrando o gelo

Para quebrar o gelo com seus comandados, a oficial apostou na espontaneidade. Foi assim quando chegaram no batalhão os músicos do grupo carioca Afroreggae, "com aqueles cabelos doidos", conta. Eles dariam uma oficina de percussão no projeto Juventude e Polícia. Ao perceber que não havia policiais voluntários para a atividade, resolveu participar ela própria. “Eu tô indo, vocês não vêm não?”, perguntava aos policiais no caminho. O quórum foi tão alto que faltaram instrumentos. Luciene também participou da oficina de circo.

A Coronel diz que nunca foi desrespeitada pelo fato de ser mulher. “Minha percepção é de que o respeito é até maior, em função da preocupação do homem de não falhar perante uma mulher. Outra hipótese é o fato de o homem ter sido educado por uma mulher. Não temos problemas com liderança de mulheres”, conclui.

Sobre o seu poder, a subchefe do Estado Maior de Minas Gerais diz sentir muito mais responsabilidade do que orgulho. “No início, em 1981, o percentual de entrada de mulheres era de 5% do efetivo. Éramos 120 mulheres, todas praças. Cinco passaram no concurso para oficial. Por sermos sempre minoria, nos exigimos mais, buscamos a perfeição e a correção para provar que somos capazes”, afirma.

A Polícia Militar de Minas Gerais é a mais antiga do Brasil, com 234 anos, 26 deles com participação feminina. Hoje, o limite de entrada aumentou para 10% do efetivo. “É difícil quebrar paradigmas numa instituição tão antiga, mas lutamos para garantir o espaço das mulheres no futuro”, diz. E garante: “A polícia moderna tem características femininas, como parlamentação, comunicação e mediação de conflitos. Ela inspira confiança.”

Mulheres no campo das idéias

Silvia RamosHoje, na área acadêmica como um todo, a presença feminina é numericamente maior que masculina. Para a pesquisadora Silvia Ramos, coordenadora do Centro de Estudos em Segurança e Cidadania (Cesec) da Universidade Cândido Mendes, no Rio de Janeiro, essa seria uma explicação para o fato de haver mais mulheres do que homens estudando segurança pública.

Ao refletir sobre a questão, ela traçou um paralelo com a literatura. "Nos romances policiais clássicos, os assassinos e os assassinados em geral são homens, mas as autoras são mulheres. Vide Agatha Christie, P. D. James e Donna Leon. São mulheres escrevendo sobre policiais de carreira", compara.

Para Silvia, apesar de serem maioria, as pesquisadoras ainda são vistas com desconfiança pelos gestores da segurança. “Eles ficam muito conscientes de serem entrevistados por mulheres, acham que não seremos capazes de entender as questões”, conta. Para Silvia, as mulheres têm muito a contribuir para a segurança pública, principalmente na incorporação de problemas de viés racial e de gênero.

A defesa das mulheres por elas mesmas é uma idéia que vem dando certo em Recife. Karla Menezes conta que a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Segurança Cidadã apóia um grupo de mulheres no bairro Córrego do Euclides, na Zona Norte, chamado Cidadania Feminina, que promove apitaços para a sensibilização sobre a violência contra a mulher.

"Quando uma mulher sabe que outra na comunidade está sofrendo violência, ela apita. Quando as demais ouvem o apito, apitam também, e com isso os homens páram. Iniciativas como essa consolidam o trabalho conjunto com os órgãos de segurança", afirma Karla.

http://www.comunidadesegura.org/?q=pt/node/38480

BBC Brasil comemora 70 anos com debate nesta quinta

Carla Soares Martin

"O senhor Hitler entrou hoje à noite em Viena." Em tom solene, foi assim que o apresentador Manuel Braune, o Aimberê, fez a primeira contribuição da BBC de Londres ao público brasileiro - que pode ser escutada aqui. Em 14 de março de 1938, anunciava a iminência da 2ª Guerra Mundial em ondas curtas, desde Londres, para rádios brasileiras. A BBC comemora este ano 70 anos de transmissão para o Brasil, com debates e uma série especial.

Os debates começaram na quarta e vão até esta quinta (13/03). Os assuntos desta quinta são: “Liberdade de expressão: Limites do Jornalismo no Século 21”, com a participação do professor Laurindo Leal Filho, da USP; de Mário Magalhães, ombudsman da Folha; e Ricardo Boechat, editor-chefe do Jornal da Band, a partir das 10h30; e “O Novo Jornalismo: Convergência e Interatividade”, com Andrea Fornes, da MSN Brasil; Antonio Prada, do Terra América Latina; Márcia Menezes, do G1; e Pete Clifton, da BBC News Interactive, a partir das 14h.

Apesar de as inscrições serem limitadas, estudantes e jornalistas podem entrar em contato com a Linhas & Laudas Comunicação, pelo telefone (11) 3801-1277 e (11) 3801-1180, e pedir para participar do evento, que acontece no Centro Brasileiro Britânico, na Rua Ferreira de Araújo, 741, Pinheiros, em São Paulo.

As comemorações sobre os 70 anos também contam com uma série de reportagens especiais sobre o Brasil, que estão no site da BBC. Entre elas há temas como “Direitos Humanos nas favelas brasileiras”, “Especial: Corrupção” e “Crianças no Trabalho”.

Jornalismo isento
Segundo o diretor da BBC Brasil, Rogério Simões, a contribuição da BBC para o Brasil é um olhar “desapaixonado” sobre o que acontece no mundo. “O jornalismo imparcial é possível”, defende o diretor da BBC Brasil. Simões explica: “Quando o jornalista se preocupa em buscar todos os aspectos da questão, sem a intenção de retratar qualquer ponto em especial, está no caminho de um equilíbrio que leva à imparcialidade.”

Sobre a inauguração da TV Brasil, Simões afirma a BBC não poderá “exportar” sua experiência para o Brasil. “A BBC é o modelo de uma empresa de comunicação pública da sociedade britânica”, afirmou. O diretor da BBC Brasil disse, no entanto, que a TV pública britânica pode contribuir com sua experiência, de um “jornalismo independente”, pontuou.


13/3/2008
Agência Consciência.Net; clique aqui


Leila Abboud, The Wall Street Journal, de Londres
13/03/2008 00:00


O planeta está ficando mais quente. Richard Sandor, um economista de 66 anos, está ficando mais rico.

A empresa dele, Climate Exchange PLC, domina o crescente comércio europeu de "créditos de carbono" - na prática, a compra e venda do direito de poluir. Desde 2000, a União Européia exige que grandes poluidores ou reduzam a quantidade de dióxido de carbono que expelem ou comprem créditos de poluição num mercado aberto.

Boa parte desse comércio acontece numa bolsa fundada em 2005 por Sandor, que já foi um acadêmico da Universidade da Califórnia e se transformou num gregário empreendedor que atua em mudança climática.

Ele é uma dos maiores casos de sucesso entre os investidores de todo o mundo que tentam lucrar com a crescente preocupação ambiental - com empreitadas que vão da especulação em commodities à abertura de empresas de energia eólica. No ano passado, o mercado global de créditos de carbono quase dobrou, para 40 bilhões de euros (US$ 61,5 bilhões), de acordo com a Point Carbon, uma firma de pesquisa de mercado de Oslo.

A empresa de capital aberto de Sandor, a Climate Exchange, agora opera 90% do comércio em bolsas de carbono e tem um valor de mercado de mais de US$ 1 bilhão. A participação de Sandor na firma, de 20%, vale mais de US$ 200 milhões no papel.

Trata-se de um misto incomum de teoria dos mercados e ambientalismo. "A direita sempre suspeita que você seja um ambientalista de sair abraçando árvores e a esquerda o acusa de ser um capitalista que só pensa em dinheiro", diz Sandor, que nos anos 90 criou um sistema baseado no mercado para reduzir os poluentes que causavam a chuva ácida.

O sucesso dele com a negociação de créditos de carbono está causando muito interesse em firmas rivais. Em janeiro, a NYSE Euronext lançou sua própria bolsa de créditos de carbono, elevando o número total para pelo menos oito mundialmente. Citando um "potencial enorme de crescimento", a Bolsa Mercantil de Nova York planeja entrar nesse setor na semana que vem.

O próximo grande campo de batalha será nos Estados Unidos, onde o Congresso está debatendo a criação de um sistema para regulamentar as emissões dos gases do efeito estufa.

Os créditos de carbono são, simplesmente, commodities como qualquer outra - seja ouro, petróleo ou barriga de porco. Cada crédito emitido pelo governo garante a seu detentor a permissão para emitir uma tonelada de dióxido de carbono no ar. A Carbon Exchange ganha dinheiro ao tirar para si uma fatia de cada transação.

Os programas chamados "limite e comércio", como o da Europa, têm o propósito de dar aos poluidores um incentivo financeiro para que reduzam a poluição. Os governos estipulam limites para as emissões e as empresas que conseguem ficar abaixo desses limites podem vender seus créditos de poluição para outras firmas que estejam dispostas a pagar para continuar poluindo. Com o passar do tempo, os limites ficam mais rigorosos, o que torna a opção de continuar poluindo mais cara.

Cerca de 70% das permissões de carbono ainda trocam de mãos sem passar pelo mercado, em transações privadas entre companhias. Mas a bolsa de Sandor é uma peça-chave da infra-estrutura financeira por trás desse sistema. Ela dá às empresas reguladas pelos limites de poluição - gigantes industriais como usinas termoelétricas, siderúrgicas e fabricantes de cimento - um lugar para comprar e vender créditos de carbono a preços que são estabelecidos publicamente. Ela também permite que fundos de hedge e outros investidores especulem com os créditos do mesmo jeito que fariam com outros investimentos, como ouro ou ações.

Alguns economistas preferem que os poluidores sejam punidos com impostos. O Prêmio Nobel Joseph Stiglitz e o ex-presidente do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca Gregory Mankiw estão entre eles. Um imposto sobre a emissão de carbono, dizem, seria mais transparente e menos vulnerável a lobby por limites mais altos.

No mês passado, um relatório do Gabinete Orçamentário do Congresso americano afirmou que um imposto do carbono podia alcançar as mesmas reduções de emissões "a uma fração do custo" de um sistema limite-e-comércio. A economia deriva parcialmente do fato de um imposto ser mais simples de implementar do que a constituição de um mercado para créditos de carbono.

Outras críticas do comércio de créditos de carbono se focam em magos financeiros - como Sandor - que projetam e operam esses mercados. "Os recursos financeiros estão sendo redistribuídos para bancos e corretores, em vez de pagar inovações tecnológicas para reduzir as emissões", diz Carlo Stagnaro, do Instituto Bruno Leoni, da Itália, que acaba de publicar um relatório sobre o sistema de negociação de emissões na União Européia.

O próprio sistema europeu mostra sinais desses problemas. Os governos de lá inicialmente cederam à pressão da indústria e alocaram créditos de carbono em excesso, deixando as empresas sem incentivo real para reduzir as emissões.

O sistema, que existe há somente dois anos na Europa, produziu reduções ínfimas nas emissões. Mas o comércio dos créditos de carbono cresceu muito - gerando um belo lucro para bancos, operadores e bolsas como a que foi fundada por Sandor. Empresas de energia e a indústria pesada negociam créditos de carbono continuamente para tentar ganhar dinheiro com as flutuações de preço e para se proteger do risco futuro, bem como para atender às regras de Kyoto.

Robert Stavins, um economista ambiental da Escola de Administração Pública John F. Kennedy, da Universidade Harvard, admite que o mercado de carbono europeu não é perfeito, mas defende o papel dos financistas. "A única maneira de combater a mudança climática é se houver uma oportunidade de negócio e pessoas que ganhem uma fortuna a partir dela", disse ele.

Foi o que Sandor fez. Ele teve a visão de um mercado de créditos de carbono muito antes de a maioria das pessoas ter ouvido falar de aquecimento global. Na Eco 92, a conferência da Organização das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada em 1992 no Rio de Janeiro, ele apresentou um trabalho acadêmico sobre como os mercados podiam ser usados para reduzir as emissões.

A Eco 92, na verdade, preparou o terreno para o que viria a ser em 1997 o Protocolo de Kyoto.

Foi no Brasil, comendo camarão e bebericando uma caipirinha na praia, que Sandor diz ter tido sua primeira idéia de criar um mercado de créditos de carbono. "Eu sei como criar novos mercados", recorda-se ter pensado. "Já fiz isso antes."

No fim dos anos 90, finalmente teve sua chance. À época, os países começavam a assinar o Protocolo de Kyoto.


Divulgado por newton.marques@uol.com.br

Estudantes protestam em frente ao Planalto contra visita de Condoleezza Rice

13 de Março de 2008 - 13h41 - Última modificação em 13 de Março de 2008 - 15h57

Morillo Carvalho
Repórter da Agência Brasil


Brasília - Cerca de 50 estudantes protestam aos gritos "Bush de saia, fora daqui", em frente ao Palácio do Planalto, contra a visita ao Brasil da secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice.

Eles queimaram uma bandeira e atiraram sacos plásticos com tinta vermelha em direção ao Planalto, para simbolizar os mortos na guerra do Iraque e a insatisfação com a política belicista norte-americana.

Segundo a presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Lúcia Stumpf, os EUA gastaram mais de US$ 1 trilhão nos últimos quatro anos com a guerra no Iraque e não destinaram nenhum recurso à paz entre os povos.

No momento do protesto, Condoleezza Rice estava no Palácio para uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Quando o Bush veio ao Brasil, nós fizemos questão de persegui-lo em todos os lugares por onde ele esteve, para mostrar que o consideramos persona non grata aqui, assim como a Condoleezza", disse Lúcia Stumpf.

Ela disse que o protesto vai continuar enquanto a secretária de Estado estiver no país. "É por isso que amanhã nós iremos a Salvador, onde ela vai estar, persegui-la até que ela vá embora do país, dizendo que nós, estudantes brasileiros, repudiamos essa política de guerra dos Estados Unidos".

De acordo com o o coordenador da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes) no Centro-Oeste, Felipe Lima, outro motivo para o protesto foi a "intromissão" do governo norte-americano na crise da América Latina.

"Muito dessa crise é feito pelas mãos do governo americano nesses países e achamos que a soberania da América Latina deve ser preservada a todo momento e a qualquer custo", afirmou.

O protesto, acrescentou Lima, também é contra a retomada das discussões em favor da Área de Livre Comércio das Américas (Alca).

Quase solitárias, cinco pessoas se juntaram à manifestação com faixas em que responsabilizavam os Estados Unidos pelo aquecimento global.

"Ela [Condoleezza Rice] não é bem-vinda no Brasil. O Protocolo de Quioto vai expirar em 2012 e eles não fizeram nada, sendo que são um dos países que mais contribuem com a poluição", afirmou a representante da campanha contra aquecimento global SOS Climaterra, Gláucia Fernandes.


http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2008/03/13/materia.2008-03-13.0292489721/view

Defensoria Pública da União constata insuficiência de leitos em hospital federal no Rio

13 de Março de 2008 - 20h29



Fabíola Ortiz
Da Agência Brasil


Rio de Janeiro - Em vistoria realizada hoje (13) no Hospital Federal do Andaraí (zona norte), a Defensoria Pública da União e o Sindicato dos Médicos constataram número insuficiente de leitos para pacientes internados.

A inspeção verificou que, apesar de duas enfermarias já terem sido reabertas, ainda há déficit de, pelo menos, 50 leitos no hospital. A situação seria mais crítica na emergência, onde mais de 30 pacientes estão internados em cadeiras há muitos dias.

Segundo o defensor público titular do Ofício de Direitos Humanos e Tutela Coletiva, André da Silva Ordacgy, o objetivo da inspeção era verificar se foi cumprida a liminar da Justiça, que obrigava o hospital aumentar o número de leitos.

"Essas vistorias em seis hospitais decorrem de uma ação civil pública que determinou que os setores de emergência fossem regularizados. Fomos ao Hospital Federal do Andaraí para verificar se a liminar estava sendo cumprida. Constatamos que duas enfermarias fechadas com 12 leitos foram reabertas. Mas a situação é critica no serviço de pronto atendimento, onde há mais de 30 pacientes internados em cadeiras. É uma situação constrangedora que fere os princípios da dignidade da pessoa humana", afirmou.

Ordacgy disse ainda que eles estavam internados em cadeiras porque não havia número suficiente de leitos: "Seriam necessários mais uns 50 leitos."

Segundo o presidente do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro (Sinmed/RJ), Jorge Darze, "embora o hospital seja de emergência, ele não está preparado para dar atendimento à demanda, principalmente nesse momento em que estamos vivendo a epidemia de dengue". A média diária de atendimentos, acrescentou, "saltou de 500 para 700 pacientes, e o hospital não está preparado, isso gera problemas gravíssimos".

Sobre os pacientes internados em cadeiras e em bancos, Darze afirmou que "isso é uma situação inaceitável". E disse que o hospital também não tem como atender crianças com "complicações da dengue" na terapia intensiva infantil. Durante a visita, ele constatou também que não havia ventilação na sala de espera da pediatria e que técnicos não usavam equipamentos de proteção individual para segurança.

O prazo de 30 dias concedido pela Justiça para solucionar os problemas estruturais e de atendimento nos hospitais expirou há um mês. Uma multa diária de R$ 500 está sendo aplicada desde a primeira semana de fevereiro e, de acordo com Ordacgy, será mantida até a regularização da situação nas emergências.

A assessoria do Hospital Federal do Andaraí disse que não há déficit de leitos, mas reconheceu que a unidade está sobrecarregada, operando além de sua capacidade.

O hospital foi o terceiro vistoriado e os próximos serão o Hospital Geral de Bonsucesso e os hospitais municipais Salgado Filho e Lourenço Jorge.


http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2008/03/13/materia.2008-03-13.9746331081/view

quarta-feira, 12 de março de 2008

Mulheres ampliam participação, mas sofrem com subemprego

07/03/2008

Estudo da OIT sobre mulheres e mercado de trabalho, divulgado nesta quinta-feira (6), mostra aumento na porcentagem de postos de trabalho "vulneráveis" - sem registro ou sem salário fixo - na região da América Latina e Caribe

Por Repórter Brasil

Na América Latina e Caribe, as mulheres têm mais participação no mercado de trabalho, mas também há menos empregos formais e mais postos de trabalho com condições "vulneráveis", ou seja, sem registro ou não assalariado: 32,7% das mulheres na região estão hoje nesta situação. É o que diz o estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) publicado nesta quinta-feira (6), "Tendências mundiais do emprego das mulheres - março 2008", por ocasião do Dia Internacional da Mulher, celebrado no 8 de março.

Segundo o documento, trabalharam 1,2 bilhões de mulheres no mundo todo em 2007. Na América Latina e no Caribe, a participação das mulheres na força laboral pulou de 47,9% para 52,9%, o aumento mundial mais significativo entre as diferentes regiões do mundo depois do Oriente Médio. Com isso, diminuiu a brecha entre gêneros nos índices de população economicamente ativa (PEA) na região. O estudo alerta, no entanto, que são necessárias outras investigações para verificar as condições desses postos de trabalho.

Cerca de um quarto das mulheres da região trabalham por conta própria. Provavelmente, especula a OIT, elas estão concentradas no setor informal de serviços, área que mais expandiu as oportunidades de emprego. Ainda assim, elas sofrem mais com o desemprego que os homens: a taxa de desemprego feminina é de 10,9%, enquanto a dos homens é de 6,9%.

"Apesar de ter diminuído na América Latina e Caribe, a diferença entre os gêneros nas taxas de participação no mercado de trabalho e na relação de empregados na população, e de existir uma distribuição mais igualitária em termos de situação de emprego, as altas taxas de desemprego feminino e a grande quantidade de mulheres que têm emprego vulnerável em serviços de baixa produtividade são indicadores de um futuro instável para as perspectivas econômicas das mulheres", observa o estudo.

Rumo à igualdade

Os números latinos vão de encontro à tendência mundial mostrada pela OIT. No mundo, a proporção de mulheres com emprego formal aumentou de 41,8% em 1997 para 46,4% em 2007. Enquanto isso, o emprego vulnerável baixou de 56,1% para 51,7% no mesmo período. De acordo com os relatores, porém, o avanço está longe de mostrar igualdade entre os gêneros no mercado de trabalho e as diferenças ainda são grandes.

"Para trazer mais mulheres para a força de trabalho, é necessário começar garantindo igualdade no acesso à educação e às oportunidades de obtenção de qualificações necessárias para competir", sugere o documento. "Passar de um emprego vulnerável para um posto formal é um passo importante rumo à independência econômica e à autodeterminação de muitas mulheres".

http://www.reporterbrasil.com.br/exibe.php?id=1304


terça-feira, 11 de março de 2008

Aí vai o resultado da correira, a matéria de rádio ficou modificada:


“Após sete horas de detenção a gente pôde falar para os nossos pais que a gente estava vivo”, relatou Pedro Luiz, de 25 anos, ao desembarcar hoje (8) no aeroporto internacional Tom Jobim no Rio de Janeiro, após dois dias em que esteve detido pelo governo espanhol no aeroporto internacional de Barajas em Madri, na capital da Espanha.

Os dois brasileiros Pedro Luiz Lima, de 25 anos, e Patrícia Rangel, de 23, são estudantes de pós-graduação pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro, o IUPERJ, e saíram na última 3a feira, com destino a Lisboa em Portugal, mas fariam escala no aeroporto de Madri. Lá eles foram barrados pela polícia e imepdidos de seguir viagem.

“Tinha momentos de sobriedade, de choro e nervosismo a flor da pele. E a Patrícia começou a chorar copiosamente, e tinha um guarda falando alto pedindo para entrar na sala, eu falei para ele que nós somos humanos, não somos cachorros e ele falou ‘parecem como cachorros aí sentados no chão'”, contou Pedro Luiz.

O vôo estava previsto para aterrissar no início da noite desta 6a feira, mas os parentes que os aguardavam no aeroporto tiveram que esperar pelo menos duas horas para o reencontro. Pedro e Patrícia tiveram que ser entrevistados pela Polícia Federal ao chegarem no Brasil.

Pedro Luiz disse que ficaram detidos 27 horas sem saber o motivo e do que eram acusados. Ele conta que outros brasileiros e latino-americanos também foram barrados e interrogados.

“27 horas depois de detidos foi a primeira vez que falamos com alguém na entrevista, e nesse momento eu pude dizer que a gente era estudante de pós-graduação e a gente estava inscrito para participar de um congresso. O procedimento depende do julgamento subjetivo do guarda de fronteira. Eles barram muitos brasileiros”.

Pedro falou que ele e Patrícia foram os únicos brasileiros que ficaram dois dias esperando para serem extraditados.

“A discriminação de nacionalidade é muito mais por uma questão da União Européia que está se fechando cada vez mais para os países pobres. A paranóia européia é responsável pela extradição de tantos brasileiros e latino-americanos muitos deles querendo fazer turismo. Eles passaram por cima de um Estado de direito”.

Pedro Luiz disse ainda que defende a política de reciprocidade, pois segundo ele os brasileiros sofrem discriminação quando chegam na Europa.

“Na Espanha eu não piso. Eu queria deixar claro, eu ano tenho nada contra os espanhóis, mas defendo uma política de reciprocidade, apesar de ser dramática porque são pessoas que estão sofrendo coisas semelhantes às que eu sofri”.

Dia de Cão


"Não sei como ou por que escolhi essa profissão - jornalismo. Eu simplesmente escolhi. Talvez haja alguma explicação psicológica ou que possa ser explicada na minha psiquê ou no meu subconsciente. Ser jornalista - ou você é ou você não é. Não existe meio termo, não se pode estar jornalista e deixar de estar outra hora. Não é um estado, é uma essência. Mas também existem jornalistas e jornalistas - ninguém nunca é igual.

Sinto necessidade de escrever, de contar. Estou agora num ônibus a caminho de São Paulo; são meia noite de sexta para sábado (8 de março). Ainda estou com meu coração a mil. Sei que preciso descansar, estou exausta. A semana não foi fácil, e hoje (ou melhor ontem, tenho a sensação de que o dia ainda não acabou), a tarde foi barra.

A minha "missão" era cobrir o retorno e o reencontro da família de dois brasileiros deportados da Espanha que chegariam no início da noite de 6a feira no aeroporto internacional do Rio.

Cheguei no portão de embarque na hora prevista, 18h40, o vôo estava atrasado uma hora. Foi até um momento descontraído, conversamos (eu e o resto da imprensa que estava de cão de guarda). Falamos, rimos. Todos simpáticos jogando conversa fora.

20h - os passageiros do vôo 6025 começam a sair pelo portão de desembarque. Todos a postos, a qualquer momento os dois poderiam chegar. E nada, já 9h40, não havia mais ninguém, tripulantes e passageiros, todos já saíram. Sobramos nós e a família.

A mãe se desespera quando avisam que não havia mais ninguém no vôo, todos já tinham ido. A imprensa começa a registrar o desespero da mãe e todos os passos da família pelo aeroporto. É um tal de sobe e desce as escadas para ir a caminho da Polícia Federal, do balcão da empresa de aviação Iberia... e a imprensa na cola.

Uma cena patética: cinegrafistas correndo desesperados para acompanhar os passos e registrar a fúria dos pais e os repórteres correndo na aba de um lado para o outro no aeroporto.

Até que no meio de toda a agitação e desespero e desamparo - até a para a imprensa, acreditem, depois de tanto tempo de espera e os extraditados não chegavam... a situação se transformou num caos, ninguém mais sabia o que ia acontecer e para onde ir.

Até que chega uma notícia de que os jovens passaram por um interrogatório da PF ao aterrissar no Brasil, mas já estavam saindo no portão. Aí toca a correria para voltar ao local. E... o alívio para todos... eles haviam chegado.

Patrícia não quis se pronunciar. A imprensa inteira foi para cima de Pedro, que falou por quase meia hora.

Por isso digo que há jornalistas e jornalistas. No começo, todos são legais, cordiais, na hora do "pega pa capá" o pau come, é um empurra pra lá e puxa pra cá... cinegrafista tentando gravar imagem, rádio tentando pegar o depoimento. Uma loucura, um hospício. Sem contar a troca de elogios e a falta de cordialidade, ou melhor, de civilidade. Incrível.

O depoimento foi bom... pelo menos valeu a pena ter esperado tanto tempo. Saí 22h, suada com as pernas bambas, braços tremendo de segurar o gravador a uma distância não muito confortável e esboçando um rascunho de matéria.

Coitado, o motorista me esperou horas a fio, me levou para casa, e me levou para a rodoviária. Santo Suzarte (seu nome). Passei em casa num piscar de olhos. Arranjei forças para escrever a matéria para o rádio. O tempo corria contra. Gostaria de ter me aprofundado em algumas questões, mas infelizmente não deu. Fiz o que as minhas forças e energias deixaram. Gravei por telefone, separei sonoras, transcrevia.... UFF! Que dia!

Eram quase meia-noite. Lembrei que Suzarte estava me esperando, que eu não tinha comido nem bebdio (nem almoço ou jantar), e que ainda tinha que viajar.

Tomei uma chuveirada, arrumei as tralhas, fiz um sanduíche capenga e me mandei.

Sinto a necessidade de escrever e contar o que vi. Isso, na verdade, renderia várias matérias sobre o assunto. Mas a falta de tempo, o cansaço, a cabeça, nada contribuiu. Tentei reunir o máximo de informações possível, mas sei que faltou muita coisa. Mas fiz o que pude.

Já estou no ônibus a caminho de São Paulo para fazer um curso nesse fim de semana de uma revista. Vai dar tudo certo.

... realmente não sei por que escolhi ser jornalista, eu apenas sou. Mas sei também que a minha ânsia o meu namoro, pois a minha vida pessoal se mistura com a profissional. Quantas vezes o meu relacionamento não foi barrado e adiado por uma matéria ou cobertura ou curso que eu tinha que fazer. Pois é, tenho que consciência de tudo isso, mas não posso evitar. É o que sou."


Sábado, 8 de março, 0h25.

Brasileiros deportados

7 de Março de 2008 - 19h46

Fabíola Ortiz
Da Agência Brasil

Rio de Janeiro - Dois brasileiros que foram repatriados ao desembarcarem no Aeroporto Internacional de Barajas, em Madri, chegam hoje à noite (7) ao Rio de Janeiro.

Pedro Luiz Lima, 25 anos, e Patrícia Rangel, 23 anos, são estudantes de pós-graduação do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj) e saíram na última terça-feira (4) com destino a Lisboa, em Portugal, com escala na capital espanhola, onde acabaram barrados pela polícia e mandados de volta ao Brasil.

O pai de Pedro Luiz, o historiador Luiz Carlos Lima, disse que os jovens passaram por humilhações, foram maltratados e sofreram discriminação por serem brasileiros.

"O Pedro Luiz nunca soube onde estava, chegaram no aeroporto espanhol e foram jogados dentro de um ônibus com policiais e com pastores alemães. Ele ficou dez horas sem comunicação, sem se alimentar e sem alimentar", disse Luiz Carlos.

Pedro Luiz e Patrícia estavam com outros 38 brasileiros detidos pelo governo espanhol. Os dois jovens dormiram duas noites em um alojamento e estavam sem as bagagens e pertences pessoais.

"Ele [Pedro] conta que foi destratado e humilhado. Num certo momento, a humilhação foi tanto que a Patrícia sentou no chão e começou a chorar. O Pedro virou para o policial e disse você está nos tratando como cachorros, o policial virou para eles e disse assim, vocês são cachorros", contou Luiz Carlos.

Segundo Luiz, os dois estudantes estavam com o passaporte e os documentos em dia e tinham dinheiro suficiente para a estadia em Portugal. A bagagem, no entanto, foi mandada para a capital portuguesa. "Nem sei como vamos fazer para resgatar as malas e ainda estamos pagando a viagem dele", lamentou.

Patrícia e Pedro tiveram seus trabalhos selecionados pela Associação Portuguesa de Ciência Política e iriam representar o Brasil no congresso.

Inconformado, o pai de Pedro Luiz diz que não pretende viajar mais para a Espanha e não utilizar mais os serviços da companhia de aviação espanhola. "Como cidadão brasileiro, jamais porei meus pés na Espanha de novo", afirmou Luiz Carlos.

Secretaria Especial dos Direitos Humanos acompanhará obras do PAC em favelas do Rio

10 de Março de 2008 - 20h56 - Última modificação em 10 de Março de 2008 - 20h56

Fabíola Ortiz
Da Agência Brasil


Rio de Janeiro - As obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) nas favelas cariocas vão ser acompanhadas pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos. A informação foi dada hoje (10) pelo ministro Paulo Vanucchi, após a aula inaugural na Escola Nacional de Ciências e Estatísticas (Ence) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Vanucchi explicou que não se trata de uma ação de fiscalização. Segundo ele, a secretaria pretende apurar, por intermédio de ouvidorias, eventuais casos de irregularidades ou de violação de direitos humanos que ocorram durante as obras. "Isso [monitorar] daria uma idéia inadequada de fiscalização. Qualquer problema que haja nas obras do PAC, através das ouvidorias, nós vamos apurar. A idéia de ter alguém da secretaria é a idéia de um fiscal, e não precisa."

O ministro lembrou que o Ministério da Justiça, a Casa Civil e a Secretaria Nacional de Segurança Pública estão integrados, vão acompanhar e tomar as providências. "Vamos atuar com a independência de sempre cumprir a nossa função, que é defender e proteger os direitos humanos", disse.

De acordo com Vanucchi, a impunidade é um dos maiores desafios dos direitos humanos no Brasil. "Os direitos humanos têm que exercer um papel de educação a longo prazo - para prevenção, é preciso haver punição. A impunidade gera uma situação
que é um estímulo à irregularidade e ao delito. O problema da impunidade no Brasil é muito grave."

O presidente do IBGE, Eduardo Nunes, afirmou que a construção de um sistema de indicadores sociais, trabalho a ser realizado pelo instituto, vai ampliar o debate sobre o tema dos direitos humanos, mapear quem são as vítimas que sofrem com a violação desses direitos e favorecer a implantação de políticas públicas.

O ministro Paulo Vanucchi também defendeu o Programa Nacional de Segurança Pública e Cidadania (Pronasci) como uma ferramenta para humanizar a atuação da polícia brasileira. "É a primeira vez que o Brasil vai ter um programa de segurança pública, enfrentar aquele que seja talvez o maior problema brasileiros na atualidade: a violência."

Ele ressaltou que é a primeira vez que se articula um plano nacional, com adesão voluntária dos estados, prevendo a interligação de ações de segurança pública para enfrentar o crime nos marcos da lei. "Não se pode derrotar o crime com o crime", disse ele.

Estão sendo comemorados neste ano os 60 anos da Declaração dos Direitos Humanos, assinada em 1948. O Brasil é autor da proposta de construir metas mundiais em direitos humanos na Organização das Nações Unidas (ONU). "A proposta brasileira é muito importante. Em dezembro [de 2007], foi aprovada no Conselho de Direitos Humanos da ONU, com o co-patrocínio de 26 países. E talvez seja aprovado em setembro um pequeno bloco de metas universais em direitos humanos, inspirados nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, em 2000".

Vanucchi disse que o Brasil lidera a construção do projeto, que é difícil, exige uma engenharia delicada. "É um extraordinário passo adiante, que é mérito do Brasil", ressaltou.

domingo, 9 de março de 2008

Superar clichês para abordar a mulher na mídia

Notícias
08/03/2008
Ana Rita Marini*
FNDC


A passagem do Dia Internacional da Mulher (8 de março), além das comemorações alusivas, reforça a sempre necessária reflexão sobre as questões de gênero, no sentido de equalização dos direitos sociais. Do ponto de vista dos meios de comunicação, uma das tarefas mais complexas talvez seja apresentar a mulher livre dos estigmas de beleza e sensualidade, dos clichês. Para as mulheres profissionais do setor, os desafios são grandes, assim como a responsabilidade.

A forma como a mulher é tratada nos meios de comunicação, de maneira geral, reproduz a imagem que a sociedade elabora do sexo feminino. Dessa forma, o compromisso da própria profissional de comunicação na “construção” da figura feminina veiculada é fundamental.

“Embora não seja pauta no dia-a-dia das redações e algumas colegas até neguem, creio que cabe às mulheres jornalistas esse papel, fundamental, de colocar os elementos que compõem as preocupações das organizações, pesquisadoras e teóricas das questões de gênero na sociedade”, reflete a jornalista Beth Costa, editora do Jornal Nacional (TV Globo) e membro da direção da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).

Os desafios ainda são muito grandes, destaca Beth. O primeiro deles, aponta, é a sensibilização para que, cada vez mais, as mulheres nas redações assumam esse papel – desgastante, muitas vezes estereotipado e ironizado pelos próprios companheiros de trabalho. “Mas, acredito firmemente que o olhar feminino sobre as questões de gênero (como discriminações, assédios e sexual, salário menor do que o dos colegas, limitações na ascensão profissional, direitos da maternidade, violência contra a mulher, etc. etc) é fundamental e imprescindível”, reforça Beth.

Mulheres são maioria na audiência

As mulheres brasileiras compõem uma fatia majoritária das audiências da televisão (53%), do rádio (53%) e das revistas (55%), e representam 49% dos leitores de jornais, segundo dados divulgados pelo Instituto Patrícia Galvão, que fazem parte de um relatório preparado por solicitação do Comitê da Participação Brasileira na Sessão Especial da Assembléia das Nações Unidas (Pequim + 5), no ano de 2000.

Essa incidência coloca as mulheres como preocupação estratégica na formulação de conteúdos para esses meios. Contudo, a imagem que se faz do feminino, na maioria das vezes, segue o estereotipo: magra, alta, bonita, se distanciando da realidade que é diversa. “A mídia nos contempla de uma maneira muito seletiva e sempre focando o aspecto mercadológico, o emocional, as questões um pouco mais individuais, e nunca levando em conta qualquer consideração enquanto necessidade social, enquanto movimento”, analisa a psicóloga Rachel Moreno, presidente do Observatório da Mulher (entidade feminista que trabalha por políticas públicas relacionadas às questões do gênero).

...“Nem toda feiticeira é corcunda, nem toda brasileira é bunda,
meu peito não é de silicone. Não sou atriz, modelo, dançarina”...


Os versos são da música Pagu, de Rita Lee, e servem como exemplo de um modelo (imagem) não contemplado pelos grandes meios de comunicação, numa analogia que corrobora com uma realidade apontada por Rachel, quando ela diz que a mídia acaba por não considerar as diversidades femininas. “Não são debatidos os problemas que a vida contemporânea nos coloca, nem consideram que somos diversas. Somos brancas, negras, velhas, jovens, gordas, magras; e temos opiniões variadas a respeito da vida”, comenta, lamentando o modelo autoritário que resulta desta abordagem.

Mudar o imaginário

Comemorar o Dia Internacional da Mulher é um paradoxo, na opinião da jornalista Christiane Finger, editora regional do SBT no Rio Grande do Sul, âncora de um telejornal regional na emissora e coordenadora do curso de Jornalismo da PUC-RS. “Ao mesmo tempo em que a gente tem que reforçar direitos, abrir alguns espaços, parece que essa comemoração, por si só, é meio machista. Tenho sempre dúvidas de como pautar esse tema”, revela, destacando que, às vezes, as lutas se confundem. “Além de uma luta de classes, também é uma luta de gênero”, afirma Christiane. Ela destaca o perigo de o profissional embarcar em clichês como o papel da mulher, o papel da mãe, “coisas que ficam no imaginário e que acabamos reproduzindo se não estivermos atentos”, relata, lembrando do necessário cuidado para não cair para o outro lado, da “discriminação ao contrário”. Christiane revela que em sua redação, na emissora, só tem mulheres. “Eu sempre digo que é porque as mulheres conseguem cuidar de várias coisas ao mesmo tempo”, lembra.

Beth Costa reflete ainda que as profissionais da comunicação parecem desconhecer as mudanças em andamento e as conquistas das mulheres nos dias de hoje. Segundo ela, se fizermos uma pesquisa nos assuntos que são tratados diariamente pela televisão, não veremos nada do que as pesquisas já indicam: que as mulheres são maioria nas universidades, que as mulheres assumiram o papel de chefe de família em 74% dos lares, que as mulheres inclusive são maioria nas redações.

O impacto disso na construção de uma imagem diferenciada, de um olhar compreensivo e acolhedor em direção às mudanças concretas por que passam e já passaram as mulheres? “Como eu disse antes, muitas de nós temos medo ainda de sermos chamadas de feministas, quando defendemos essa visão mais apurada. Eu, por exemplo, adoro ser chamada de feminista. Isso pra mim é um elogio muito grande”, revela Beth.

É possível intervir na mudança de uma concepção de gênero estereotipada tipo: mulher magra, mulher bonita, mulher meiga, mulher alta, mulher jovem, mulher esposa, mulher gostosa... retratada na maioria das vezes pela mídia?

Para a jornalista Beth Costa, não se trata de uma tarefa fácil. Ela argumenta que mudanças de cultura levam anos para acontecer, e que, por isso, depende de cada mulher na redação estar consciente desse papel. “Podem crer, essa é uma tarefa diária e incessante, pois a todo momento a discriminação contra a mulher aparece. De uma forma mais amena ou mais violenta, sempre aparece. E cabe a nós, mulheres jornalistas, termos o olhar atento e os argumentos na ponta da língua, para disputar as mentes e os corações, primeiro dos nossos chefes e colegas, depois da sociedade”, justifica.

Uma TV comercial deve ter um comprometimento diferenciado de uma TV pública com essa questão da imagem da mulher? Beth garante que essa é uma tarefa de todas as emissoras de TV. ”Quanto a isso, sou radical. A TV pública talvez tenha mais independência e tempo pra tratar dessas questões, mas, as comerciais, por terem uma fatia maior da audiência, têm a obrigação de tratar desses assuntos, com um olhar diferenciado, feminino, sem dúvida alguma”.
Na TV Brasil, recém inaugurada, a mulher terá mais espaço, por meio da divulgação de suas produções, de suas obras, como cineastas, escritoras, diretoras de cinema, cientistas, produtoras, artistas. Fará parte da programação trabalhar a imagem da mulher valorizando-a em seus papéis múltiplos na sociedade, como profissional, como mãe. A afirmação é da presidente da nova emissora de TV pública brasileira, Tereza Cruvinel, que, garante, irá “sair um tanto dessa coisa da aparência, da valorização estética feminina, e voltar para sua produção, seu trabalho, sua energia”. Uma programação especial da TV Brasil, no mês de março, apresenta a obra de diversas mulheres brasileiras. (confira a programação).
*com a colaboração de Fabiana Reinholz

Portugal dá aval à reforma ortográfica

FSP – COTIDIANO – 07/03/08

Proposta, aprovada pelo conselho de ministros, ainda depende da aprovação do Parlamento; implantação levará seis anos

Com a entrada de Portugal, acordo firmado em 1991 unificará a língua escrita na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ANGELA PINHODA SUCURSAL DE BRASÍLIAO fim do trema em todo o vocabulário e de acentos em palavras como "vôo", "idéia" e "lêem" ficou mais próximo ontem, com a decisão do conselho de ministros de Portugal de aderir ao acordo ortográfico entre os países de língua portuguesa firmado em 1991.

A ratificação do texto pelo país depende ainda da aprovação pelo Parlamento da proposta elaborada pelos ministros. Se passar pelo Legislativo, o texto será submetido ainda ao presidente da República. Mas, segundo declarou à agência Lusa o ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, "com a decisão agora tomada, o governo português está a exprimir a sua vontade política de se juntar aos outros Estados da CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa]".

No Brasil, o acordo ortográfico já foi aprovado pelo Congresso e, em tese, está em vigor, uma vez que, para isso, basta a assinatura de três países da CPLP. Além do Brasil, já ratificaram o texto Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.A implantação, porém, era adiada devido à não-adesão de Portugal. "Os países todos esperam Portugal, até porque se trata do país matriz do português", disse à Folha Luís Fonseca, secretário-executivo da CPLP. "Senão, estaríamos em uma situação bizarra de o acordo nos levar a três ortografias."Os ministros portugueses estimam um prazo de seis anos para a implementação das mudanças. No Brasil, pode estar presente nos livros didáticos já daqui a dois anos.

O MEC disse ontem que o ministro Fernando Haddad se reunirá com representantes do Ministério da Educação português para definir um cronograma de implantação gradual.Ainda não há um cronograma para a alteração das regras em outros escritos, como dicionários e obras literárias, afirma Nazaré Pedrosa, assessora internacional do Ministério da Cultura. "A adoção de uma nova ortografia tem de se dar de uma forma normal, não impositiva nem dramática."Professores terão de ser treinados para ensinar as alterações, e todos terão de reaprender a ortografia, mas, para ela, não é preciso criar "alarme", já que, argumenta, todos se adaptaram à reforma de 1971. A reforma também será vantajosa, diz, para a adoção do português como língua de trabalho em organismos internacionais.

Revista denunciou envolvimento de Uribe com o narcotráfico

COLÔMBIA

Artigo publicado pela revista Newsweek, em agosto de 2004, revelou informações de um relatório dos serviços de inteligência dos EUA, apontando o envolvimento do presidente colombiano, Álvaro Uribe, com narcotraficantes e com o Cartel de Medellín.

Redação - Carta Maior

Em agosto de 2004, a revista Newsweek publicou um artigo apontando o envolvimento do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, com integrantes do narcotráfico. Assinado pelos jornalistas Joseph Contreras e Steven Ambrus, o artigo citou informações de um relatório do serviço de inteligência dos Estados Unidos para sustentar a afirmação sobre o envolvimento de Uribe com narcotraficantes e grupos para-militares colombianos.

Entre outras informações, o relatório a que os jornalistas da Newsweek tiveram acesso fala do envolvimento de Uribe com o Cartel de Medellín, com atividades com narcóticos nos EUA e com o líder do narcotráfico Pablo Escobar Gaviria, morto pela polícia em 1993.

Na época, a assessoria de Uribe divulgou uma nota negando a ligação de Uribe com negócios nos EUA, mas silenciando em relação às outras acusações. A íntegra da matéria da Newsweek é a seguinte:“Um relatório liberado pelos serviços de inteligência do Departamento de Defesa (dos EUA), datado de setembro de 1991, pode ser visto como uma espécie de ‘Quem é Quem’ no tráfico de cocaína na Colômbia.

A lista inclui o cabeça do cartel de Medellín, Pablo Escobar, e mais de 100 outros escroques, assassinos, traficantes e obscuros advogados supostamente a seu serviço. Lá se encontra o número 82 da lista: ‘Álvaro Uribe Velez - político e senador colombiano dedicado à colaboração com o Cartel de Medellín a partir dos altos escalões governamentais. Uribe esteve envolvido em atividades com narcóticos nos EUA.... Uribe trabalhou para o Cartel de Medellín e é amigo íntimo de Pablo Escobar Gaviria’. Escobar morreu em 1993, em meio a uma blitz policial. Há dois anos, Uribe tornou-se presidente da Colômbia.

Washington o ama. Numa declaração impressa de duas páginas, a assessoria do presidente colombiano negou que Uribe tenha tido ligações de qualquer tipo com negócios nos EUA, conforme consta do relatório de 1991 (a lista foi obtida pelo Arquivo de Segurança Nacional - NSA - um grupo independente de pesquisa nos EUA). Entretanto, a declaração não tratou das alegações de que Uribe tenha trabalhado para o Cartel de Medellín e que tenha sido amigo íntimo de Escobar. Isto se deve, talvez, ao fato de Uribe acreditar que seus atos mais recentes falem mais alto do que seus desmentidos: nos últimos dois anos, a Colômbia extraditou 140 acusados de tráfico para os EUA - uma cifra jamais igualada por qualquer presidente anterior. ‘Este é provavelmente um dos presidentes mais pró-americanos em toda a história da América Latina’, afirmou Adam Isacson, no Centro para a Política Internacional, em Washington.

Ainda assim, algumas questões permanecem. Uribe tem falado de paz com os grupos fora-da-lei de paramilitares de direita. Esses grupos começaram a agir em auto-defesa, frente ao movimento de guerrilha marxista fora de controle, embora eles mesmos (os paramilitares) tenham apoio do comércio de drogas. Após obter permissão legal para combater a guerrilha de esquerda, Uribe passou a oferecer perdão aos paramilitares que renunciarem ao tráfico e se desarmarem. ‘Algumas dessas pessoas nem mesmo têm credenciais que indiquem sua atuação anti-guerrilha’, comenta Isacson. ‘São simplesmente traficantes de drogas que compraram seu ingresso no movimento paramilitar como uma forma de obter status político, legitimar suas fortunas e poder caminhar livres’. Muitos colombianos parecem despreocupados. Com os níveis de aprovação do presidente beirando os 70%, provavelmente ele conseguirá aprovar uma emenda constitucional, ainda este ano, que permitirá que ele concorra novamente ao cargo em 2006 - e vença”.

Exposição comemora bicentenário da chegada da família real no Rio de Janeiro

Objetos e documentos expostos no Museu Histórico Nacional revelam aspectos econômicos, políticos e culturais do período

O Museu Histórico Nacional inaugurou em 7 de março a exposição internacional "Um Novo Mundo, Um Novo Império: A Corte Portuguesa no Brasil”, como parte das comemorações dos 200 anos da chegada da família real portuguesa ao Brasil.

Na presença de autoridades do Brasil e de Portugal, foi lançada pelo Clube da Medalha/Casa da Moeda do Brasil a Medalha Comemorativa dos 200 anos da chegada de D. João ao Brasil. A exposição enfatiza os aspectos econômicos, políticos e culturais da vinda da família real portuguesa, apresentando o contexto histórico que cercou D. João VI, o primeiro monarca europeu a atravessar o oceano Atlântico e responsável pelo estabelecimento da sede do maior império das Américas. Através dos objetos, o público conhecerá desde a situação na Europa com as guerras napoleônicas, que motivaram a vinda da Corte para o Brasil, até os fatores que levaram o Imperador D. Pedro I a proclamar a Independência do país. Dividida em núcleos temáticos, a exposição conta com objetos e documentos de importantes instituições públicas e particulares brasileiras e portuguesas.

O núcleo inicial aborda as conquistas de Napoleão na Europa, em especial na Península Ibérica, seguidas de biografias dos personagens envolvidos no conflito – Napoleão, Carlos IV, D. Maria I e Jorge III. Através de acervo iconográfico cedido por instituições portuguesas, serão mostrados aspectos da cidade de Lisboa por ocasião do embarque, bem como retratos das infantas portuguesas que vieram para o Brasil. O núcleo seguinte aborda o embarque em Lisboa e as dificuldades enfrentadas ao longo de 54 dias de travessia do Atlântico.

A chegada à Bahia, em 22 de janeiro de 1808, está representada pela monumental tela de Candido Portinari, “Chegada de D. João VI a Salvador”, pela primeira vez apresentada no Rio de Janeiro. Um importante conjunto documental, que reúne documentos existentes no Arquivo Nacional e na Biblioteca Nacional, revela o processo da “Abertura dos Portos às Nações Amigas”, uma das primeiras providências tomadas por D. João ao chegar à Bahia, marco inicial do desenvolvimento do comércio.

O Rio de Janeiro encontrado pela família real e as transformações ocorridas na cidade a partir da chegada da corte são abordados em outro núcleo. Instituições portuguesas, como o Arquivo Real, a Real Biblioteca e o Erário, foram recriadas no Brasil para permitir o funcionamento do Estado português em solo americano. O livre comércio, o estabelecimento de indústrias, a introdução de novos hábitos culturais e a criação de importantes instituições, tais como a Imprensa Régia, a Real Junta do Comércio e as Academias científicas, modificaram definitivamente o perfil colonial do país e introduzirem no cenário nacional novas forças sociais que produziram imagens simbólicas e definiram o poder monárquico no Novo Mundo.

E foi a cidade do Rio de Janeiro que mais rapidamente sentiu essas modificações, com a redefinição do panorama urbano, a introdução de novos estilos arquitetônicos – sobretudo a partir da vinda da missão artística francesa de 1816 – e a mudança do comportamento da sociedade, que passa a viver de maneira cosmopolita: entre saraus, festas e apresentações teatrais, efervescia a vida política, social e cultural. Integram esse núcleo instrumentos científicos contemporâneos a D. João VI; o trono acústico criado na Inglaterra especialmente para o monarca; pintura a óleo contemporânea que reproduz com fidelidade a cena da chegada da frota real à baía da Guanabara e objetos de época – mobiliário, porcelanas, condecorações, etc – além de extensa iconografia do período.

O penúltimo núcleo aborda os conflitos que se instalaram no Brasil e em Portugal a partir de 1817, até a decisão das Cortes portuguesas de exigirem o retorno de D. João VI em 1820, o que efetivamente ocorreu em 1821, após treze anos em terras brasileiras. Se, ao chegar ao Rio de Janeiro em 1808, D. João VI desembarcou numa provinciana cidade colonial, ao partir em 1821 deixou um Brasil bem diferente daquele encontrado, que se transformaria na sede do maior Império das Américas.

Como conseqüência natural da vinda da corte portuguesa para sua colônia nos trópicos, a alusão à Proclamação da Independência do Brasil pelo Imperador D. Pedro I encerra exposição, que fica no MNH até 8 de junho de 2008 e é patrocinada pela Fundação Calouste Gulbenkian e com o apoio da TAP. Conjunto arquitetônico do MHN é anterior a D. João VI O conjunto arquitetônico no qual está abrigado o Museu Histórico Nacional já existia quando a Corte se estabeleceu na cidade do Rio de Janeiro e fez parte dos acontecimentos de então. Composto de três edificações - a Fortaleza de Santiago (1602), a Casa do Trem (1762) e o Arsenal de Guerra (1764) – esse conjunto de origem militar tinha funções restritas no Brasil colônia, uma vez em que a fabricação de armas era proibida até 1808.

No Arsenal chegavam as partes dos equipamentos militares chamados de ¨os trens de artilharia¨. O termo acabou por denominar o arsenal de Casa do Trem, local onde os ¨trens¨ eram fundidos. Com a chegada de D. João ao Brasil, o Arsenal passou a ter uma organização semelhante ao de Lisboa, sendo então denominado de Arsenal Real do Exército. Transformado em local de produção de equipamento, passou a atender às necessidades do Reino, ou seja, produzir munições, uma vez que a Metrópole estava sem condições de suprir as tropas, em decorrência da guerra Napoleônica. Ainda na “Casa do Trem” foi instalada em 1811 a Academia Militar, a primeira instituição brasileira de ensino superior, origem da primeira escola de engenharia do país.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Comunidades do Rio recebem obras do PAC com apoio e apreensão


7 de Março de 2008 - 05h44 - Última modificação em 7 de Março de 2008 - 05h46
Vladimir Platonow
Repórter da Agência Brasil


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Rio de Janeiro - As obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que começam hoje (7) em três conjuntos de favelas do Rio representam um investimento de R$ 1,14 bilhão, vão gerar 4.600 empregos diretos e prometem ser um divisor de águas na relação que essas comunidades têm com o resto da cidade.

O início dos trabalhos contará com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro das Cidades, Márcio Fortes, que participarão de solenidades no Complexo do Alemão, em Manguinhos e na Rocinha. Os projetos incluem abertura e alargamento de ruas, instalação de redes de água e esgoto, construção de postos de saúde, escolas, creches e praças. Até um teleférico vai ser construído para ligar os moradores do Alemão a outros meios de transporte.

Mas apesar das melhorias, os moradores aguardam as obras com sentimentos antagônicos de euforia e medo. Ao redor do Complexo do Alemão, faixas com a frase “PAC sim, violência não” mostram o que a comunidade pensa sobre o assunto.

Considerada uma das áreas mais violentas da cidade, o Alemão – um conjunto de 13 favelas, com 95 mil pessoas – tem sido palco freqüente de tiroteios, mortes e casos de balas perdidas. O temor dos moradores é de que haja uma invasão maciça de policiais para dar garantia às obras, o que poderia gerar novos conflitos, como ocorreu em junho do ano passado, quando 19 suspeitos de ligação com o tráfico foram mortos pela polícia.

A favela Nova Brasília é um retrato desta situação de contrastes. Cercada há meses pela Força Nacional de Segurança, que fica na entrada da comunidade, seus moradores demonstram apoio às obras, mas convivem diariamente com o tráfico de drogas, que impõe regras e limites. A 50 metros dos soldados da Força Nacional, trilhos de aço bloqueiam a rua Nova Brasília, principal via de acesso, como forma de dificultar ataques de facções rivais e da polícia.

As kombis que levam os moradores têm que parar, um ajudante retira os trilhos e torna a colocá-los depois que o veículo passa. Pouco além, é possível ver traficantes armados, todos jovens, controlando de longe o movimento e protegendo as bocas de fumo.

Tudo isso deixa apreensivo o presidente da Associação de Moradores de Nova Brasília, Edmar Lopes, que teme um “banho de sangue” se houver um confronto generalizado. “Aqui a gente precisa muito de PAC. Mas se é para vir com um rio de sangue, destruindo os moradores com guerra, eu acho que não vai resolver nada.”

Lopes diz que o maior desafio do PAC será dar oportunidades de inclusão e lazer para os jovens, como alternativa ao tráfico de drogas. “Adolescente é o que mais tem na nossa comunidade. Mas onde eles vivem não tem nenhum local para jogarem futebol ou vôlei. E ainda por cima, sofrem com o preconceito por serem daqui. A sociedade vê o Alemão como uma fábrica de bandidos e na verdade não é isso.”

A possibilidade de tiroteios também assusta a comerciante Mariana Vieira Ribeiro, que tem uma banca de revistas na Nova Brasília. “Os moradores estão muito preocupados, porque ninguém chegou para conversar, explicar como vai ser. Só ficam dizendo que vão botar não sei quantos mil policiais”, diz Mariana, que considera a implantação de redes de água, esgoto e energia elétrica as obras mais importantes.

“A comunidade vive sem água, esgoto e luz. Agora, teleférico não vai resolver nada para o morador. O que pode resolver é botar mais condução”, afirma ela, criticando o projeto de um teleférico ligando a parte alta do Alemão à estação ferroviária de Bonsucesso, em um trajeto de cerca de 20 minutos, baseado em um projeto existente na cidade de Medellin, na Colômbia.

Outro comerciante da Nova Brasília, Elmar Carneiro Nascimento, que tem uma banca com artigos eletrônicos e pequenas utilidades, demonstra ceticismo em relação às obras do PAC. “Eu estou vendo muito barulho e quero ver se isso se realiza. Porque já ouvi muita promessa aqui neste bairro, que merecia ter uma coisa de fato e até hoje só teve coisa de efeito. Só palavras.”

Perguntado se temia reação dos traficantes às obras, Nascimento evita falar abertamente sobre o assunto: “A gente continua trabalhando, porque a vida não pode parar. Espero que a coisa aconteça normalmente, sem nada de impacto que prejudique a comunidade. Que o governo traga coisas boas e não coisas que machuquem os moradores”.

Para a professora Edvania Menezes Nascimento, que dá aulas no Centro Integrado de Educação Pública (Ciep) da comunidade, as obras do PAC deverão melhorar a qualidade do ensino que hoje é oferecido aos estudantes. “Essa obra vai ser boa em relação à educação. A construção de escolas, criação de áreas de lazer e abertura de cursos profissionalizantes vão direcionar o jovem para outros setores.”

Moradores de favelas que não receberam obras do PAC se dizem discriminados

7 de Março de 2008 - 06h01 - Última modificação em 7 de Março de 2008 - 06h01

Vladimir Platonow
Repórter da Agência Brasil


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Rio de Janeiro - A separação entre o Complexo do Alemão e o Complexo da Penha é feita por apenas uma rua. Os conjuntos de favelas na zona norte do Rio reúnem 23 comunidades e mais de 200 mil habitantes. Mas apesar da proximidade, só um dos lados receberá obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Enquanto o Alemão ganhará novas ruas, escolas, biblioteca, creche, posto policial e até um teleférico, no valor de R$ 601 milhões, as dez favelas da Penha não foram contempladas com verbas do PAC, o que acaba deixando os moradores revoltados.

“Da nossa parte, a gente só ganha mesmo é bala. É a única coisa que nós temos aqui do outro lado. É só caveirão subindo e dando tiro”, protesta Maria do Socorro Lima dos Santos, moradora da favela da Merindiba, comunidade localizada junto a um ponto turístico do Rio, a Igreja da Penha, A comunidade também convive com os conflitos entre o tráfico e a polícia.

Maria do Socorro destaca as melhorias que ela também quer para o local onde mora: “Escola, uma boa creche, um parque descente para os nossos filhos brincarem. Do lado de lá vai ter, e nós ficamos sem nada”.

O líder comunitário Jorge Ribeiro faz coro e protesta pela falta de atenção. “A gente lamenta esse fato, de uns com muito e outros com nada. Mais uma vez, o povo aqui do complexo ficou decepcionado. A comunidade está completamente abandonada pelo poder público”.

Entre os motivos que irritam Ribeiro, está o teleférico que será construído no Alemão. Ele diz que o dinheiro poderia ser investido nas favelas da Penha. “Isso é uma fantasia. Nós temos que ver a realidade, tem muitas vielas aqui, valas negras e casas infestadas de mosquito da dengue. A gente lamenta".

Para o presidente da Associação dos Moradores da Merindiba, Luís Cláudio dos Santos, a não-realização das obras e as constantes ações da polícia acabaram causando revolta nos moradores.

“A população está com medo. A obra não vai chegar, isso nós já temos certeza. Agora, a gente só não tem certeza se a guerra vai partir para o lado de cá. A comunidade começou a se sentir insegura, o que fez com que essas barricadas ficassem todas no meio da rua”, desabafa ele, em referência aos montes de entulho que bloqueiam as ruas de acesso, tornando difícil a passagem de veículos.

As barricadas são uma forma de proteção dos traficantes que dominam o local contra facções rivais e as operações da polícia. Na parte interna da Merindiba, a vigilância é feita por traficantes, a maioria jovens com pouco mais de 18 anos, que ficam armados em torno das bocas de fumo ou circulam em motos, armados de fuzis.

Segundo a secretária nacional de Habitação, Inês Magalhães, do Ministério das Cidades, os critérios de seleção das comunidades que receberiam as obras do PAC foram decididos em conjunto com as prefeituras e os governos estaduais, levando em conta os indicadores sociais mais desfavoráveis.